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Por décadas extraímos recursos naturais para o desenvolvimento econômico, agora é hora de investir na preservação, diz Marina Silva na Pré-COP30

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A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, defendeu, nesta segunda-feira (13/10), a ampliação do financiamento global voltado à preservação da natureza, considerada por ela crucial para o cumprimento dos compromissos climáticos internacionais. A declaração ocorreu durante a Reunião Ministerial Preparatória da 30º Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a Pré-COP30, que ocorre até amanhã (14/10) em Brasília (DF). 

“Durante décadas, extraímos da natureza os recursos que moveram o desenvolvimento econômico. Agora, é hora de inverter essa lógica: redirecionar recursos humanos, financeiros e tecnológicos para preservar, restaurar e usar, de forma sustentável, os recursos naturais que ainda temos”, disse.

A ministra discursou na abertura da sessão “Implementando o Balanço Global: Clima e Natureza”. Também participaram o presidente da COP30, embaixador André Corrêa do Lago; o secretário de Clima, Energia e Meio Ambiente do Ministério das Relações Exteriores (MRE), embaixador Maurício Lyrio; o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco; e o diretor-geral do Serviço Florestal Brasileiro (SFB), Garo Batmanian.  

A Pré-COP é a última etapa preparatória para a COP30, a Conferência do Clima que ocorre em Belém (PA) em novembro. O encontro reúne negociadores do clima com o objetivo de avançar na formação de consensos sobre temas-chave da conferência, como financiamento climático, ações de adaptação, transição justa e proteção da biodiversidade. 

O chamado Balanço Global (Global Stocktake, em inglês) é um mecanismo central do Acordo de Paris criado para avaliar, a cada cinco anos, o progresso coletivo dos países no combate à mudança do clima. Seu objetivo é verificar se o mundo está no caminho certo para cumprir as metas do tratado, sobretudo limitar o aumento da temperatura média global a 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais.

Concluído na COP28, em Dubai, o primeiro Balanço Global apontou que os esforço atuais são insuficientes para atingir as metas do Acordo de Paris, recomendando ações mais ambiciosas e rápidas em todas as frentes. O diagnóstico, segundo Marina, deixou claro que o planeta ainda está longe de cumprir os objetivos de redução de emissões de gases de efeito estufa e defendeu que se avance na criação de mecanismos inovadores e acessíveis de financiamento climático.

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A ministra também destacou que as florestas desempenham papel essencial no equilíbrio climático global, pois regulam o clima, armazenam carbono, abrigam biodiversidade e garantem segurança alimentar e hídrica para bilhões de pessoas. Alertou, no entanto, que os recursos destinados à sua proteção ainda estão muito aquém do necessário.

Marina Silva propôs o desenvolvimento de um mapa do caminho rumo ao desmatamento zero até 2030, meta cujo atingimento depende de fluxos adequados de financiamento. De acordo com ela, o planeta precisa de US$ 282 bilhões por ano para atingir essa meta, mas conta hoje com apenas um quarto desse valor.

TFFF

Entre as iniciativas centrais para o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF, na sigla em inglês), liderado pelo Brasil com o apoio de outros dez países, que poderá beneficiar mais de 70 nações tropicais. 

“O TFFF busca garantir fluxos financeiros perenes para proteger a natureza e remunerar os serviços ecossistêmicos, valorizando o papel dos povos indígenas e comunidades tradicionais. Quando estiver em operação, poderá gerar cerca de 4 bilhões de dólares por ano, quase três vezes o volume atual de financiamento internacional para florestas”, explicou.

Segundo Marina Silva, o fortalecimento de mecanismos como o REDD+ e o Fundo Amazônia, junto ao TFFF, poderão gerar cerca de US$ 9 bilhões anuais, cobrindo quase 60% do financiamento necessário para eliminar o desmatamento até 2030. A previsão é lançar o TFFF durante a COP30.

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Em evento na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos EUA, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que o Brasil vai realizar aporte de US$ 1 bilhão (equivalente a R$ 5,3 bilhões) no fundo . O aporte brasileiro é condicionado ao apoio de outros países ao fundo, que pretende arrecadar US$ 25 bilhões de investimentos de nações soberanas, para alavancar outros US$ 100 bilhões de investidores do mercado privado.

Bioeconomia e Oceanos

Outro eixo enfatizado por Marina Silva foi o investimento em bioeconomia, com base nos 10 Princípios da Bioeconomia do G20, que orientam uma economia regenerativa, inclusiva e sustentável. A ministra também destacou o papel central do oceano na agenda climática global.

“A proteção do oceano é parte inseparável da agenda climática e, portanto, as NDCs precisam ser também ‘azuis’. Fazemos um chamado para que todos entreguem suas NDCs, alinhadas ao 1,5”, afirmou. Segundo a ministra, os recursos atuais destinados à conservação oceânica (em torno de US$ 1,2 bilhão por ano) são insuficientes diante da necessidade estimada de US$ 16 bilhões anuais.

A ministra finalizou reforçando a urgência de uma transição justa e inclusiva. “Precisamos de um verdadeiro mutirão pela natureza: mutirão pela floresta e pelo oceano, mutirão por soluções baseadas na natureza, mutirão por um novo ciclo de prosperidade que promova a justiça, proteja a nossa casa comum e, ao mesmo tempo, combata as desigualdades e a pobreza”, disse.

Leia aqui o discurso completo da ministra

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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Brasil registra alta de 7,1% nas exportações no 1º trimestre e agronegócio lidera resultado histórico

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O Brasil iniciou 2026 com forte desempenho no comércio exterior. No primeiro trimestre, as exportações somaram US$ 82,3 bilhões, alta de 7,1% em relação ao mesmo período de 2025. As importações totalizaram US$ 68,2 bilhões, resultando em um superávit de US$ 14,2 bilhões, o terceiro maior da série histórica para o período, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/MDIC).

Em março, o ritmo foi ainda mais intenso. As exportações cresceram 10% na comparação anual, alcançando US$ 31,6 bilhões, enquanto as importações avançaram 20,1%, chegando a US$ 25,2 bilhões. A corrente de comércio atingiu US$ 56,8 bilhões, com expansão de 14,3%.

Agronegócio lidera exportações e alcança maior resultado da história

O principal destaque do trimestre foi o agronegócio, que registrou US$ 38,1 bilhões em exportações, o maior valor já apurado para os meses de janeiro a março.

A soja em grãos liderou os embarques, com 23,47 milhões de toneladas, volume 5,9% superior ao registrado no mesmo período de 2025.

A China manteve a liderança como principal destino dos produtos do agro brasileiro, respondendo por quase 30% das exportações do setor, com US$ 11,3 bilhões.

Diversificação de mercados fortalece exportações brasileiras

Além da China, outros mercados ganharam relevância no período. As exportações para a Índia cresceram 47,1%, enquanto Filipinas registraram alta de 68,3% e o México avançou 21,7%.

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A ampliação dos destinos comerciais é vista como um fator positivo para a resiliência da pauta exportadora brasileira, especialmente diante das incertezas no cenário global.

Indústria extrativa e de transformação também contribuem para o crescimento

A indústria extrativa, que inclui petróleo e minérios, apresentou crescimento de 22,6% no trimestre, sendo um dos principais motores da expansão das exportações em termos nominais.

Já a indústria de transformação registrou avanço de 2,8%, contribuindo de forma complementar para o resultado geral do comércio exterior.

Exportações para os Estados Unidos caem com impacto de tarifas

Em contraste com o desempenho geral positivo, as exportações brasileiras para os Estados Unidos recuaram 18,7% no primeiro trimestre, totalizando US$ 7,78 bilhões. A corrente de comércio bilateral também caiu 14,8%.

O resultado reflete os impactos de sobretaxas impostas ao longo de 2025. Apesar de uma decisão da Suprema Corte dos EUA, em fevereiro, ter invalidado parte das tarifas mais elevadas, os efeitos sobre o fluxo comercial ainda persistem.

Uma nova ordem executiva publicada em fevereiro de 2026 isentou cerca de 46% das exportações brasileiras dessas sobretaxas. No entanto, aproximadamente 29% ainda permanecem sujeitas às tarifas da Seção 232, que incidem sobre produtos como aço e alumínio.

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Projeção indica novo recorde nas exportações brasileiras em 2026

O Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) projeta que o Brasil encerre 2026 com exportações de US$ 364,2 bilhões, o que representaria um novo recorde e crescimento de 4,6% em relação a 2025.

As importações devem atingir US$ 292,1 bilhões, com alta de 4,2%, resultando em um superávit estimado de US$ 72,1 bilhões no ano.

Cenário global exige estratégia e gestão de riscos no comércio exterior

Apesar dos números positivos, o cenário internacional segue desafiador. Fatores como volatilidade cambial, incertezas nas cadeias globais de suprimento e os impactos ainda presentes das tarifas americanas exigem atenção das empresas.

Segundo especialistas, a gestão eficiente do câmbio e dos riscos associados ao comércio internacional passa a ser um diferencial estratégico.

“Para as empresas que operam no comércio exterior, a questão não é mais se haverá volatilidade, mas como se preparar para ela”, avalia Murilo Freymuller, Head Comercial Corporate do banco Moneycorp.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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