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Produção de Energia com Grãos Ganha Espaço como Alternativa de Renda no Campo

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Agronegócio aposta em energia renovável como nova fronteira de crescimento

A geração de energia a partir de grãos agrícolas, como milho e soja, foi apresentada como uma alternativa promissora de renda para produtores rurais durante o painel “Alternativas de Diversificação: Novas Fontes de Renda no Campo”, realizado nesta terça-feira (24) durante a 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas, em Capão do Leão (RS).

O debate reforçou o papel do produtor rural não apenas como fornecedor de alimentos, mas também como protagonista na produção de energia sustentável. A proposta visa aumentar a rentabilidade do campo e fortalecer o papel do Brasil como referência global em bioenergia.

Brasil lidera geração de energia limpa e Rio Grande do Sul pode ser exportador

A presidente do Sindicato da Indústria de Energias Renováveis do Rio Grande do Sul (Sindienergia-RS), Daniela Cardeal, apresentou um panorama otimista sobre o setor energético brasileiro. Segundo ela, 90% da energia produzida no país é limpa, com destaque para as fontes hidrelétrica, eólica, solar e de biomassa.

Daniela ressaltou que o Rio Grande do Sul reúne condições ideais para se tornar exportador de energia renovável, integrando a geração com as atividades agrícolas.

“O produtor não precisa escolher entre produzir arroz ou energia. É possível fazer os dois, melhorando a qualidade de vida e ampliando investimentos no campo”, afirmou.

A dirigente também destacou que a sinergia entre o setor energético e o agro pode reduzir custos de produção, aumentar a segurança no fornecimento e abrir novas oportunidades de negócios no interior do Estado.

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Expansão dos biocombustíveis movimenta o agronegócio brasileiro

O vice-presidente de Operações da 3tentos, Luiz Augusto Dumoncel, apresentou dados sobre a evolução da produção de grãos voltados à fabricação de biocombustíveis. Segundo ele, o crescimento da produção de etanol de milho e o avanço do biodiesel vêm transformando a dinâmica da agricultura no país.

Com a expansão das operações da empresa para o Mato Grosso, Dumoncel anunciou que a 3tentos iniciará a produção de etanol de milho em até 60 dias.

“Foi uma transformação gigante que aconteceu nos últimos dez anos, tornando o milho uma segunda safra sólida, especialmente no Centro-Oeste”, destacou.

O executivo explicou que estados como Mato Grosso e Rio Grande do Sul têm protagonismo na produção de soja, milho, trigo, arroz e canola, o que reforça o potencial para geração de energia renovável. No território gaúcho, a 3tentos já atua em praticamente 100% da área cultivada com soja, milho e trigo na originação de grãos e fornecimento de insumos.

Canola e biodiesel impulsionam a transição energética no campo

Dumoncel destacou também o avanço da cultura da canola, que dobrou sua área cultivada no Estado, saltando de 200 mil para 400 mil hectares. O crescimento, segundo ele, não está relacionado à demanda por óleo vegetal para consumo humano, mas à expansão da bioenergia e do biodiesel.

“O futuro do agronegócio passa pela energia. O biodiesel é o grande motor dessa mudança, e o produtor rural precisa se posicionar como agente dessa transição”, afirmou.

O executivo ainda observou que o aumento da mistura obrigatória de biodiesel no diesel fóssil para 16% (B16) poderia gerar a demanda por 3 milhões de toneladas de soja, o equivalente a mais de 10% da produção gaúcha. O número reforça o impacto direto que a política energética tem sobre o agronegócio nacional.

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Produtor rural é desafiado a capturar o valor total do grão

Encerrando sua fala, Dumoncel destacou a importância de enxergar o campo como um centro de geração de valor, tanto na produção de alimentos quanto de energia. A reflexão deixada aos participantes foi exibida no telão do Auditório Frederico Costa:

“Estamos capturando todo o valor que o Brasil pode gerar a partir do grão?”

Evento conecta inovação, mercado e sustentabilidade

A 36ª Abertura Oficial da Colheita do Arroz e Grãos em Terras Baixas tem como tema “Cenário atual e perspectivas: conectando campo e mercado”, e reúne produtores, especialistas e lideranças do setor agropecuário.

O evento é promovido pela Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz), em correalização com a Embrapa e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-RS). O Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga) é o patrocinador premium da edição.

Mais informações e inscrições gratuitas estão disponíveis no site oficial: www.colheitadoarroz.com.br.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Itália acelera importação de frutas tropicais e entra na disputa global por manga e abacate

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Mercado de frutas tropicais cresce e impulsiona nova estratégia agrícola na Itália

O crescimento do mercado global de frutas tropicais vem redesenhando a dinâmica do agronegócio europeu e posicionando a Itália como um dos principais polos emergentes de consumo e importação de manga e abacate. O movimento ganhou destaque durante o último dia da Macfrut 2026, realizada em Rimini, onde especialistas, varejistas e pesquisadores discutiram o avanço dessas culturas.

O interesse crescente do consumidor europeu e o aumento dos investimentos ao longo da cadeia produtiva têm ampliado as oportunidades para países produtores e também para regiões italianas, especialmente o Sul do país, que avalia a expansão do cultivo em meio às mudanças climáticas.

Importações crescem mais de 400% e consolidam novo padrão de consumo

Durante o seminário “Mango and Avocado Explosion”, o diretor da Fruitimprese, Pietro Mauro, apresentou dados que evidenciam a forte expansão do mercado italiano.

A Itália já ocupa a 7ª posição entre os maiores importadores de manga da Europa, com crescimento de 412% em volume entre 2011 e 2025 e alta de 556% em valor no mesmo período. Nos últimos cinco anos, o avanço foi de 80% em volume e 67% em valor.

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No caso do abacate, o país figura como o 5º maior importador europeu, com expansão de 367% em volume nos últimos 15 anos e salto de 700% em valor. Entre 2020 e 2025, o crescimento foi de 142% em volume e 144% em valor.

Consumo interno confirma tendência de expansão

O aumento da demanda também se reflete no comportamento do consumidor italiano. Entre 2024 e 2025, as compras de manga cresceram 67% em volume e 60% em valor, mesmo com leve queda de 4% nos preços.

Já o abacate apresentou desempenho ainda mais expressivo, com alta de 39% em volume e 40% em valor, enquanto os preços permaneceram praticamente estáveis, indicando maior acessibilidade e consolidação do produto no mercado.

Produção no Sul da Itália pode ganhar força com clima favorável

Segundo o professor Paolo Inglese, do Departamento de Ciências Agrárias, Alimentares e Florestais da Universidade de Palermo, o avanço das culturas tropicais na Itália — especialmente na Sicília — pode estruturar uma cadeia produtiva mais competitiva.

A estratégia estaria baseada em três pilares: qualidade, cadeias curtas de distribuição e sustentação de preços. No entanto, o especialista alerta que o setor ainda enfrenta desafios relacionados à mudança climática e à adaptação das culturas tropicais ao ambiente mediterrâneo.

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Varejo amplia participação de manga e abacate nas gôndolas

No setor de varejo, o crescimento das frutas tropicais também já é evidente. Representantes da Coop e da Conad destacaram a forte expansão das vendas.

Segundo Fabio Ferrari, responsável nacional pelo setor de frutas e importação da Coop, o abacate registrou crescimento de 60% em volume nos últimos quatro anos.

Já Nicola Buoso, comprador sênior de frutas exóticas da Conad, destacou que o abacate já ultrapassou o abacaxi em faturamento dentro da categoria de frutas exóticas, consolidando sua posição como um dos produtos mais relevantes do segmento.

Tendência global reforça nova fronteira do agronegócio

Os dados apresentados na Macfrut 2026 reforçam que manga e abacate deixaram de ser produtos de nicho na Europa e passaram a integrar um mercado em plena expansão.

Com o avanço do consumo, o crescimento das importações e o interesse em produção local, a Itália se consolida como um dos novos centros estratégicos da cadeia global de frutas tropicais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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