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Produção de ovos, leite e couro avança no 3º trimestre

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A produção brasileira de alimentos de origem animal manteve o ritmo forte no terceiro trimestre de 2025 e encerrou o período com avanços relevantes em três cadeias estratégicas: ovos, leite e couro. Os dados fazem parte das Pesquisas Trimestrais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que traçam um retrato detalhado do desempenho industrial da pecuária no País. Embora cada segmento enfrente pressões específicas — dos custos de produção às oscilações de demanda — o balanço do trimestre confirma um setor operando em recuperação, apoiado por oferta mais ajustada, processamento maior e perspectivas de mercado relativamente favoráveis.

A produção de ovos de galinha totalizou 1,24 bilhão de dúzias, alta de 2,6% em relação ao mesmo período de 2024. O resultado, porém, representou leve recuo (0,5%) na comparação com o segundo trimestre de 2025. O arrefecimento entre trimestres é explicado por ajustes sazonais e pela desaceleração na reposição de plantéis observada em algumas regiões, sobretudo diante da pressão dos custos de nutrição das aves — ainda elevados em função da volatilidade recente do milho e do farelo de soja. Apesar disso, o setor segue sustentado pela firmeza do consumo doméstico, tanto in natura quanto na indústria alimentícia, e pela estabilidade das exportações, que continuam ganhando importância na equação de receita de grandes produtores.

No leite, o movimento foi oposto: a curva seguiu ascendente. A aquisição de leite cru por laticínios sob algum tipo de inspeção — federal, estadual ou municipal — chegou a 7,01 bilhões de litros, um salto de 10,2% frente ao terceiro trimestre de 2024 e avanço de 7,9% sobre o segundo trimestre deste ano. O desempenho reflete a combinação de clima mais favorável para as pastagens em importantes bacias leiteiras, melhora na oferta de alimento volumoso após um início de ano irregular e, principalmente, o avanço da produção no Sul e no Centro-Oeste. Para os laticínios, o aumento da captação ocorre em meio a um ambiente ainda desafiador, marcado por margens apertadas, queda no preço pago ao produtor em várias regiões e demanda interna que segue retraída em itens de maior valor agregado. Mesmo assim, a indústria opera em expansão, num esforço para recompor estoques e atender ao pico de processamento tradicional do segundo semestre.

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Já a cadeia do couro também mostrou vigor. A aquisição de couros crus pelos curtumes que processam ao menos cinco mil peças por ano atingiu 11,42 milhões de unidades no trimestre — avanço de 8,2% ante igual período de 2024 e aumento de 6,2% frente ao segundo trimestre de 2025. Como a oferta de couro cru é um reflexo direto do abate de bovinos, o setor acompanhou o ciclo de maior disponibilidade de animais terminado para abate, consequência da fase de descarte mais intenso de matrizes e da recomposição de pastagens ao longo do ano. Mesmo com o mercado internacional do couro ainda enfrentando concorrência de materiais sintéticos e volatilidade nos preços, a indústria brasileira mantém competitividade, puxada pelo câmbio favorável, pela regularidade dos embarques para a Ásia e pela retomada gradual na demanda dos segmentos de calçados e estofados automotivos.

O conjunto dos três segmentos reforça a leitura de que a pecuária brasileira entra no último trimestre de 2025 com maior dinamismo industrial, ainda que desafiada por custos elevados, oscilações climáticas e demanda interna heterogênea entre produtos. As tendências para o início de 2026 vão depender da capacidade de os setores consolidarem margens, da evolução das exportações e, sobretudo, da recomposição de preços ao produtor — tema central nas discussões que vêm mobilizando cooperativas, federações e entidades do agronegócio em Brasília e nos Estados.

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A leitura do trimestre é clara: a produção reage, mas ainda cobra um ambiente mais estável, previsível e integrado entre campo, indústria e mercado, para que o avanço observado em ovos, leite e couro se traduza em ganhos estruturais e sustentáveis para toda a cadeia pecuária.

Fonte: Pensar Agro

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Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca, em Porto Velho: criação e aperfeiçoamento de políticas públicas

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Diferente da etapa do Rio Grande do Norte, a etapa estadual da 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca (CNAP) em Rondônia foi organizada a partir da mobilização da sociedade civil, na quarta-feira (10). Foram 105 participantes, entre representantes da pesca, da aquicultura, do setor industrial, de entidades da sociedade civil, gestores públicos, instituições parceiras e demais envolvidos com o desenvolvimento do setor no estado.

Durante o evento, os participantes debateram os principais desafios e oportunidades do setor em Rondônia. Os trabalhos foram organizados em três grupos temáticos: pesca artesanal, aquicultura e setor industrial. A partir dos debates, foram construídas 30 propostas, além da eleição dos delegados que representarão o estado na etapa nacional, de 11 a 13 de novembro de 2026, em Brasília (DF).

O coordenador da Comissão Executiva Nacional da 4ª CNAP, Paulo Faria, ressaltou a importância da mobilização da sociedade civil nesse processo. Segundo ele, a realização da etapa de Rondônia demonstra que a conferência é, acima de tudo, um espaço da sociedade. “Quando uma etapa não é deflagrada pelo estado, mas a sociedade civil se organiza, assume a responsabilidade e realiza o encontro, isso mostra a força desse processo participativo. A conferência precisa acontecer porque é nela que discutimos, de forma coletiva, os rumos da pesca e da aquicultura no Brasil”, destacou.

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“A realização desta conferência mostra a força da organização do setor pesqueiro e aquícola de Rondônia. Foi um momento importante para ouvir pescadores, aquicultores, indústria e demais atores da cadeia produtiva, construindo propostas que reflitam as necessidades reais do estado. Rondônia tem enorme potencial para o desenvolvimento sustentável da pesca e da aquicultura, e as contribuições construídas aqui ajudarão a orientar as políticas públicas e fortalecer o setor nos próximos anos”, afirmou a Secretária Nacional de Registro, Monitoramento e Pesquisa do Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA), Carolina Doria .

Com essas etapas regionais, o Governo Federal reforça a retomada da participação social no setor de Pesca e Aquicultura depois de 16 anos. O tema da etapa nacional será: “De política de governo a política de Estado: sustentabilidade, participação social e continuidade institucional”.

ASCOM
Ministério da Pesca e Aquicultura

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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