Política Nacional

Programa Calha Norte transforma a vida de brasileiros, dizem debatedores

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Os 40 anos do Programa Calha Norte, criado para garantir a soberania e promover o desenvolvimento em municípios da Amazônia Legal, foram tema de sessão especial do Senado nesta sexta-feira. Os participantes lembraram a história do programa, criado durante o governo do ex-presidente José Sarney, e destacaram a importância das emendas parlamentares para levar desenvolvimento às regiões atendidas.

— Com certeza o programa continuará atuando como um vetor de desenvolvimento, atingindo os municípios longínquos e antes desassistidos. Hoje é um dia de celebrar essa conquista e de reverenciar o presidente José Sarney, pois foi em seu governo que nasceu o Programa Calha Norte. Nossa homenagem àquele que por quatro oportunidades presidiu esta Casa e ainda hoje é fator de referência e dedicação em política de estado e preocupação com os brasileiros e brasileiras — disse o senador Eduardo Gomes (PL-TO) ao abrir a sessão.

O senador foi um dos autores do requerimento para a homenagem (RQS 500/2025). Eduardo também destacou a expansão do programa ao longo dos 40 anos de existência. Hoje, a iniciativa atende a 784 cidades em dez estados: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Para o senador, a presença do Calha Norte no seu estado, o Tocantins, melhorou a qualidade de vida da população.

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Emendas

Durante a sessão, os participantes assistiram a um vídeo sobre o programa, criado em 1985. Originado com foco na soberania territorial e segurança das fronteiras, o Calha Norte passou a utilizar recursos de emendas parlamentares para a execução de obras em municípios, grande parte deles com baixo índice de desenvolvimento humano e distantes dos centros urbanos. 

— O Calha Norte foi muito além da infraestrutura militar inicialmente pensada. Tornou-se vetor de cooperação federativa, viabilizando obras de saúde, educação segurança, energia, e transportes em centenas de municípios da Amazônia Legal e, assim, reafirmou a política de Estado em que defender a Amazônia é também cuidar de nossa gente — afirmou o diretor do programa, Franselmo Araújo Costa, ao destacar a importância das emendas parlamentares para o Calha Norte.

Em 2025, o programa, que era responsabilidade do Ministério da Defesa, passou  a ser conduzido pelo Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), já que o foco tem sido cada vez mais no desenvolvimento e no social.

O programa, que tinha uma vertente militar, passou a ter o viés social, motivo pelo qual se enxergou a maior energia com o Ministério da Integração, acarretando na transferência. O programa se encaixa com os princípios e objetivos do MIDR que são lutar pela redução desigualdades e ampliar o desenvolvimento regional — explicou o secretário de Políticas de Desenvolvimento Regional e Territorial do MIRD, Daniel Alex Fortunato.

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Presença

Secretário da Representação do Governo da Amapá em Brasília, Aziel Araújo afirmou que o Calha Norte fez com que a população  começasse a usufruir de melhores índices de desenvolvimento humano.

— Vocês têm, com o trabalho do Programa Calha Norte, transformado vidas, mudado as políticas públicas na Amazônia, porque aquilo que não cabe no resto das Esplanada cabe no programa Calha Norte. Aquilo que às vezes a burocracia estatal não permite, o Programa Calha Norte permite acontecer. Tenho muito orgulho do legado que vocês têm trazido para o este país e para a nossa região. 

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Política Nacional

Setor elétrico admite que consumidores arcam com mais de R$ 7 bilhões por furtos e fraudes de energia

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Dados da agência reguladora e das distribuidoras de energia, apresentados na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (17), mostram que os consumidores pagaram mais de R$ 7 bilhões por ano, em 2024 e 2025, pelas chamadas “perdas não técnicas” do setor elétrico. O valor é resultado dos custos com furtos de energia, incluindo ligação clandestina e desvio direto da rede, os famosos “gatos”, além de fraudes ligadas à adulteração de medidores.

A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee) registrou R$ 11,3 bilhões de prejuízos em 2025, dos quais R$ 7,8 bilhões foram repassados para as tarifas.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) informou que, em 2024, as perdas chegaram a 40 TWh (terawatts/hora), equivalentes a 6,6% de toda a energia injetada no país. O custo alcançou R$ 10,3 bilhões, rateados entre consumidores (R$ 7,1 bilhões), distribuidoras (R$ 3,3 bilhões) e poder público (R$ 1 bilhão, em relação a tributos não recolhidos).

Em audiência na Comissão Externa da Agenda “Brasil Legal”, a gerente de regulação econômica da Aneel, Flávia Pederneiras, explicou como é feito o rateio desses prejuízos.

“A gente reconhece todo furto e repassa para tarifa? Não. A gente analisa essas 51 distribuidoras e as coloca num ranking. Quanto mais complexa a área da distribuidora, mais difícil é combater o furto. Então, a gente faz um benchmarking entre as distribuidoras para repassar o montante de perda técnica para a tarifa”, disse.

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O problema está mais concentrado nas regiões Norte (19,5% dos casos) e Sudeste (6,6%). Uma concessionária do Amazonas e outra do Rio de Janeiro lideram as “perdas não técnicas” e seus clientes arcam com os maiores prejuízos, segundo Flávia Pederneiras.

“A tarifa da Amazonas Energia poderia ser praticamente 13% menor se não fosse o furto de energia elétrica. Ou seja, a cada R$ 8 da tarifa que o consumidor lá do Amazonas paga, R$ 1 vai para bancar o furto de energia elétrica. A tarifa residencial da Light poderia ser 9,1% mais barata se não fosse o furto.”

O assessor em regulação da Abradee, Onofre de Albuquerque Neto, reclamou especificamente do aumento de furtos de cabos elétricos. Foram 25 mil ocorrências em 2025, com prejuízo de R$ 97 milhões e alta nos casos de acidentes e interrupções de energia. Ele espera que a Lei 15.181/25, que ampliou a pena para esse tipo de roubo e furto, surta efeito nas estatísticas de 2026.

Vinicius Loures/Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Práticas ilegais no setor de energia elétrica do Brasil. Dep. Julio Lopes (PP - RJ)
Julio Lopes quer avançar em soluções para esse problema

Fiscalização
Esses custos foram alvos de fiscalização do Tribunal de Contas da União (TCU) em 2023 e 2024.

As “perdas não técnicas” foram atribuídas a vários fatores, como complexidade geográfica de algumas áreas, crescimento desordenado da malha de distribuição e restrições de operação em bairros com alto índice de furtos e inadimplência, onde nem mesmo o Estado consegue entrar por conta de violência e ações do crime organizado.

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O chefe da auditoria especializada em energia elétrica do TCU, André Carneiro, constatou uma espécie de “imposto invisível” pago pelo consumidor diante desses problemas.

“As perdas não técnicas encolhem o faturamento das distribuidoras, a base pagante fica menor para assumir aqueles custos fixos das distribuidoras e isso faz com que a tarifa aumente. Esse ciclo se repete. Novos furtos e mais fuga de consumidores acontecem, gerando o que o setor costuma apelidar de espiral da morte”, explicou.

A presidente do Conselho Nacional de Consumidores de Energia Elétrica (Conacen), Rosimeire da Costa, pediu providências.

“As pessoas que ganham dois a cinco salários mínimos estão sustentando toda essa cadeia, caindo na ‘espiral da morte’. Então, a gente precisa reformular a metodologia. Nós estamos pagando muito em razão disso.”

Soluções
O coordenador da comissão, deputado Julio Lopes (PP-RJ), também busca soluções.

“Nós estamos verificando aqui furtos e custos da ordem de bilhões de reais. A gente precisa avançar nesse tema para avançar na legalidade do Brasil.

Entre as sugestões apresentadas na audiência estão a redefinição das metas de perdas em concessões com alta restrição operativa e a adoção de “tarifas inteligentes”, que envolvam valores diferenciados de acordo com a localização do imóvel.

Reportagem – José Carlos Oliveira
Edição – Ana Chalub

Fonte: Câmara dos Deputados

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