Mato Grosso

Projeto “Lembre de Mim” localiza 58 pessoas desaparecidas e reforça política de identificação humanitária no estado

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O Projeto “Lembre de Mim”, desenvolvido pela Perícia Oficial e Identificação Técnica de Mato Grosso (Politec-MT), já identificou 58 pessoas desaparecidas, com óbitos ocorridos entre os anos de 2005 e 2025, a partir da revisão de 130 casos de vítimas não identificadas. A iniciativa consolida-se como uma ação forense humanitária de referência, voltada à garantia do direito fundamental à identidade, mesmo após a morte.

Executado de forma integrada pela Diretoria Metropolitana de Identificação Técnica e Diretoria Metropolitana de Medicina Legal, o projeto tem como objetivo revisar casos antigos de cadáveres sepultados sem identificação, utilizando necropapiloscopia, análise técnica especializada e tecnologias biométricas, como o Sistema Automatizado de Identificação Biométrica (ABIS). A ação está alinhada à Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas (Lei nº 13.812/2019) e aos princípios da Ação Forense Humanitária, que buscam promover verdade, memória, justiça e dignidade humana.

A coordenadora do projeto, Simone Delgado, destaca que o trabalho desenvolvido vai além da identificação técnica.

“Esse trabalho tem impacto direto na justiça criminal, ao contribuir para a elucidação de casos, mas sobretudo na justiça social e humanitária, ao resgatar a identidade e promover direitos fundamentais, como o direito à verdade, à memória e à dignidade da pessoa humana”, afirma.

Resultados e impacto institucional

Mesmo diante de desafios operacionais, como o acúmulo de demandas rotineiras da instituição e a indisponibilidade temporária de parte do acervo físico necessário às análises, o projeto alcançou resultados expressivos, considerados históricos no âmbito da identificação humana em Mato Grosso.

Até o momento, 28 famílias já foram localizadas e oficialmente comunicadas sobre a identificação de seus familiares, possibilitando o acesso à informação, o encerramento do luto suspenso e a adoção de providências legais e funerárias. O trabalho tem sido conduzido com rigor técnico, sensibilidade e respeito às famílias envolvidas.

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A metodologia aplicada também contribui para o aperfeiçoamento das investigações criminais, a regularização de registros civis e a qualificação das informações sobre mortalidade, reforçando o papel da Politec como órgão estratégico do Estado.

Para Maira Nunes Bismark, filha do Sr. Odenir Gomes Pedroso, identificado pelo Projeto Lembre de Mim após anos de desaparecimento, relata o impacto da iniciativa para a família:

“Esse projeto nos trouxe descanso para o coração. Ficamos anos sem saber o que tinha acontecido com meu pai, que estava desaparecido desde 2010. Procuramos em hospitais, abrigos e em vários lugares, sempre na esperança de encontrá-lo. Por meio do projeto Lembre de Mim, tivemos finalmente uma resposta. Não foi da forma que gostaríamos, que era encontrá-lo em vida, mas saber o que aconteceu nos trouxe alívio. Fomos acolhidos e orientados em todo o processo, sempre com respeito e atenção. Somos muito gratos e desejamos que esse projeto continue ajudando outras famílias que ainda vivem essa espera.” pontua.


Integração

Não há como deixar de destacar a importância da cooperação interinstitucional para o alcance dos resultados do projeto. Cerca de 26% dos casos identificados foram possíveis graças à parceria com outros órgãos de identificação do país, que estão realizando o processamento das impressões digitais das pessoas falecidas não identificadas em suas bases biométricas locais.

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Além disso, o projeto conta com o apoio do Núcleo de Pessoas Desaparecidas da Polícia Civil e do PLID- Programa de Localização e Identificação de Desaparecidos, do Ministério Público Estadual, que contribuem com a busca ativa de informações tanto para a identificação das vítimas quanto para a localização de seus familiares. Essa atuação integrada é fundamental para o êxito das identificações e para o alcance do impacto humanitário do projeto ‘Lembre de Mim’.

Transparência e busca ativa por familiares

Como parte da estratégia de transparência e ampliação do alcance das informações, os dados das vítimas já identificadas cujas famílias ainda não foram localizadas são divulgados nos perfis oficiais da Politec e da Polícia Civil no Instagram. A medida permite que familiares ou pessoas com informações relevantes possam reconhecer os dados divulgados e colaborar com a localização dos parentes.

Serviço à população

Familiares de pessoas desaparecidas ou cidadãos que possuam informações que possam auxiliar na identificação ou localização de parentes podem procurar diretamente o Instituto Médico Legal (IML) para obter orientações e prestar informações.

A Politec também disponibiliza no site na aba “serviços > procuram-se familiares” um espaço destinado somente para pessoas identificadas pelo projeto, garantindo transparência, respeito e direito após a morte a familia.

O Projeto “Lembre de Mim” reafirma o compromisso da Politec com a ciência forense, os direitos humanos e a prestação de um serviço público qualificado, devolvendo identidade, memória e dignidade àqueles que, por anos, permaneceram sem nome.

Fonte: Governo MT – MT

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Mato Grosso

Prefeita de Pedra Preta denuncia vereador por violência política de gênero e pede cassação de mandato

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Representação apresentada por Iraci Ferreira de Souza acusa parlamentar de ataques pessoais, quebra de decoro e uso do mandato para desqualificar a gestora

A prefeita de Pedra Preta, Iraci Ferreira de Souza, apresentou uma representação disciplinar contra o vereador Carlos Fernando Pereira de Oliveira, o “Fernando do Galvileiro”, sob acusação de violência política de gênero e quebra de decoro parlamentar.

A denúncia foi encaminhada à Procuradoria Especial da Mulher da Câmara Municipal e, posteriormente, remetida à Presidência do Legislativo para análise e adoção das providências cabíveis. No documento de encaminhamento, a própria Procuradoria ressalta que não possui natureza investigativa ou poder para aplicar sanções, cabendo aos órgãos competentes da Câmara analisar o caso.

Segundo a representação, os episódios teriam ocorrido durante fiscalizações e manifestações públicas realizadas pelo vereador nos meses de junho, julho e agosto de 2026. A prefeita sustenta que as críticas ultrapassaram o debate administrativo e passaram a conter ataques pessoais e expressões consideradas ofensivas.

Entre os episódios citados está uma fiscalização realizada no Distrito Industrial, em junho, quando o parlamentar fez críticas à administração municipal. Outro fato apontado ocorreu às margens da Rodovia 459, em julho. A representação também relata um episódio ocorrido em 11 de agosto, na Farmácia Municipal, quando o vereador realizou uma transmissão ao vivo e questionou a falta de medicamentos. A defesa da prefeita afirma que, durante essas manifestações, foram utilizadas expressões como “incompetente”, “omissa” e “mentirosa”.

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Na representação, Iraci argumenta que não pretende impedir a fiscalização do Legislativo ou críticas à administração, mas sustenta que houve uma sequência de manifestações direcionadas à sua pessoa e à sua condição de mulher ocupante do cargo de chefe do Executivo.

O documento fundamenta a denúncia na legislação que trata da violência política contra a mulher e também defende que a imunidade parlamentar não serviria para proteger eventuais ofensas pessoais sem relação direta com o exercício legítimo do mandato.

Ao final, a prefeita solicita o recebimento da representação, a análise preliminar dos fatos e o encaminhamento do caso à Mesa Diretora e à Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara de Pedra Preta. Entre as medidas requeridas está a abertura de processo disciplinar que poderá, caso as acusações sejam comprovadas e observados o contraditório e a ampla defesa, resultar inclusive na cassação do mandato do vereador.

Iraci também pede o envio de cópia dos autos ao Ministério Público de Mato Grosso, para análise de eventuais ilícitos funcionais e crimes contra a honra. A representação foi protocolada na Câmara Municipal de Pedra Preta no dia 20 de agosto de 2026.

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Até esta etapa, trata-se de uma representação com acusações formuladas pela prefeita, e não de uma decisão definitiva contra o parlamentar. Caberá aos órgãos competentes da Câmara avaliar o prosseguimento do caso e assegurar ao vereador o direito de defesa.

Veja a Representação

Fonte: Política

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