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Projetos Ecoforte movimentam agroecologia e fortalecem agricultura familiar em Minas Gerais com mais de R$ 7 milhões em investimentos

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Viçosa, na Zona da Mata mineira, sediou nesta sexta-feira (29) uma ampla mobilização em defesa da agroecologia, da agricultura familiar e da sociobiodiversidade em Minas Gerais. O encontro marcou o lançamento de quatro projetos vinculados ao programa Ecoforte Redes, que juntos vão investir mais de R$ 7 milhões em ações voltadas ao fortalecimento de cadeias produtivas sustentáveis, geração de renda e ampliação da comercialização solidária no estado.

As iniciativas envolvem organizações sociais, agricultores familiares, povos indígenas, quilombolas, juventudes rurais e comunidades tradicionais, com foco em produção agroecológica, assistência técnica, preservação ambiental e fortalecimento territorial.

Os projetos abrangem dezenas de municípios mineiros e priorizam ações de transição agroecológica, segurança alimentar, resiliência climática e valorização dos territórios tradicionais.

Rede Sertões Gerais fortalece sociobiodiversidade no Norte de Minas

Entre os projetos de maior alcance está o “Rede Sertões Gerais: Agroecologia e Sociobiodiversidade na Perspectiva dos Povos e Comunidades Tradicionais do Sertão Norte-Mineiro”, coordenado pelo Centro de Agricultura Alternativa do Norte de Minas (CAA/NM).

A iniciativa contará com investimento de R$ 2,65 milhões ao longo de 24 meses e atuará em cinco territórios tradicionais do Norte de Minas: Gerais da Serra, Serra Geral, Planalto São Francisco, Alto Rio Pardo e Baixada Sanfranciscana.

O projeto beneficiará comunidades indígenas, quilombolas, geraizeiras, assentamentos da reforma agrária e agricultores familiares por meio de ações como:

  • Estruturação de 14 unidades socioambientais de referência;
  • Assistência técnica agroecológica;
  • Incentivo à transição agroecológica;
  • Manejo sustentável do solo e da biodiversidade;
  • Fortalecimento de empreendimentos ligados à sociobiodiversidade.

A proposta também busca reduzir os impactos do desmatamento e da degradação ambiental no Cerrado mineiro, promovendo o uso sustentável dos recursos naturais e valorizando os conhecimentos tradicionais das comunidades.

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Fundado em 1989, em Montes Claros, o CAA/NM possui atuação consolidada em agroecologia, gestão territorial e fortalecimento de povos e comunidades tradicionais.

Agricultura familiar agroecológica avança no Leste mineiro

Outro destaque do Ecoforte Redes é o projeto “Fortalecimento da Agricultura Familiar Agroecológica no Leste de Minas”, coordenado pela Rede de Intercâmbio de Tecnologias Alternativas (REDE).

Com investimento de R$ 2,29 milhões, a iniciativa beneficiará diretamente cerca de 800 participantes em municípios do Leste de Minas, região marcada pela forte presença da agricultura familiar, mas também pressionada pela monocultura do café e pela expansão da mineração.

Entre as principais ações previstas estão:

  • Implantação de 97 Unidades de Referência agroecológicas;
  • Realização de 85 atividades de difusão da agroecologia;
  • Capacitações em gênero, educação financeira, cidadania e direitos;
  • Incentivo à produção orgânica e à sociobiodiversidade;
  • Diversificação produtiva e beneficiamento da produção agrícola.

As ações serão desenvolvidas em municípios como Manhuaçu, Simonésia, Santana do Manhuaçu, Reduto, Caratinga e Governador Valadares.

A REDE atua desde a década de 1980 no fortalecimento da agricultura familiar e da agroecologia em Minas Gerais, com trabalhos voltados à segurança alimentar, recuperação ambiental e organização social.

Rede Sisal amplia comercialização solidária na Grande BH

Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o projeto “Fortalecimento da Rede Sisal – Circuito de Comercialização Solidária da Agricultura Familiar e Urbana” pretende ampliar mercados e fortalecer a logística de distribuição de alimentos agroecológicos.

Executada pela Associação Amanu – Educação, Ecologia e Solidariedade, a iniciativa contará com investimentos de R$ 2,29 milhões e envolverá cerca de 400 participantes diretos, além de 30 organizações sociais em 16 municípios da Grande BH e entorno.

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O projeto prevê:

  • Implantação de hortas agroecológicas;
  • Estruturação de cozinhas-escola;
  • Construção de pequenas centrais de abastecimento;
  • Fortalecimento da Central de Abastecimento da Agricultura Familiar e Urbana (CAFA), em Belo Horizonte;
  • Criação de rotas comerciais para produtos agroecológicos.

Também estão previstas cerca de 2 mil horas de assistência técnica especializada, além de ações de capacitação em agroecologia, educação financeira, cidadania, juventude rural e comunicação popular.

A Rede Sisal atua desde 2020 na articulação de circuitos solidários de comercialização, ampliando o acesso da agricultura familiar a feiras, mercados institucionais e canais de venda em Minas Gerais e outros estados.

Agroecologia ganha espaço como estratégia de desenvolvimento sustentável

Os projetos aprovados pelo programa Ecoforte Redes reforçam o avanço da agroecologia como modelo estratégico para o desenvolvimento rural sustentável em Minas Gerais.

As iniciativas integram produção de alimentos saudáveis, preservação ambiental, inclusão produtiva, fortalecimento de mulheres e jovens rurais, geração de renda e valorização dos territórios tradicionais.

Além dos impactos econômicos, os projetos também ampliam a capacidade de adaptação das comunidades às mudanças climáticas, estimulando sistemas produtivos mais sustentáveis e menos dependentes de insumos químicos.

O conjunto das ações evidencia o fortalecimento das redes agroecológicas mineiras e a crescente integração entre agricultura familiar, conservação ambiental e mercados solidários no estado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercado de bioinsumos no Brasil cresce 21% ao ano e alcança R$ 5 bilhões, impulsionado por inovação e sustentabilidade no agronegócio

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O mercado de bioinsumos no Brasil vem registrando expansão acelerada e já se consolida como um dos segmentos mais dinâmicos do agronegócio. Na safra 2023/2024, o setor movimentou aproximadamente R$ 5 bilhões, com crescimento médio anual de 21% nos últimos três anos — índice quatro vezes superior à média global, segundo dados da CropLife Brasil.

A projeção é de que o mercado brasileiro alcance R$ 9 bilhões até 2030, enquanto o volume global pode chegar a US$ 30 bilhões no mesmo período, reforçando o protagonismo do Brasil na adoção de soluções biológicas aplicadas à produção agrícola.

Bioinsumos ganham espaço como alternativa estratégica no campo

O avanço dos bioinsumos — que incluem biofertilizantes, bioinseticidas, biofungicidas e inoculantes — está diretamente ligado à busca por sistemas produtivos mais eficientes, sustentáveis e menos dependentes de insumos importados.

De acordo com a ABCBio, o segmento de biocontrole cresce 5,3 vezes mais rápido que o mercado de defensivos químicos, evidenciando uma mudança estrutural no modelo de manejo agrícola.

A combinação entre biológicos e fertilizantes tradicionais tem permitido ao produtor manter níveis elevados de produtividade, ao mesmo tempo em que reduz custos operacionais e impactos ambientais.

Dependência externa impulsiona adoção de soluções biológicas

Segundo especialistas do setor, a ampliação do uso de bioinsumos também está relacionada à necessidade de reduzir a dependência de insumos importados e de maior exposição às oscilações do mercado internacional.

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Para Fellipe Parreira, responsável por Portfólio e Acesso no Grupo GIROAgro, o movimento representa uma mudança estratégica para o agro brasileiro.

“Dependemos de insumos, defensivos e moléculas químicas que vêm do exterior, o que nos torna vulneráveis a oscilações geopolíticas. Os bioinsumos mudam esse cenário: são produzidos no país e fortalecem a resiliência da agricultura frente a crises globais”, afirma.

A GIROAgro tem investido no desenvolvimento de soluções que integram fertilizantes e biológicos, apostando na sinergia entre tecnologias para maior eficiência agronômica.

Tecnologia e drones ampliam escala de aplicação no campo

A incorporação de tecnologias como drones agrícolas tem acelerado a adoção de bioinsumos no Brasil. A aplicação aérea permite maior precisão, redução de perdas e ganho de escala, tornando o uso de biológicos viável até em áreas extensas.

Esse avanço tecnológico contribui para democratizar o acesso a soluções antes restritas a grandes propriedades, ampliando o potencial de adoção em diferentes perfis de produtores.

Integração entre biológicos e fertilizantes ganha protagonismo

Embora ainda exista no setor uma divisão conceitual entre biológicos e fertilizantes, empresas vêm adotando uma abordagem integrada, desenvolvendo soluções compatíveis entre as duas frentes.

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A estratégia busca unir eficiência agronômica, facilidade de aplicação e estabilidade de resultados, atendendo a um produtor cada vez mais exigente e orientado por produtividade e sustentabilidade.

Marco regulatório impulsiona inovação no setor

A aprovação da Lei de Bioinsumos em 2024 representa um marco importante para o segmento, ao reduzir burocracias e estimular investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação.

O novo ambiente regulatório fortalece a cadeia produtiva e cria condições mais favoráveis para a expansão do mercado no Brasil, alinhando o país às tendências globais de agricultura sustentável.

Projeções indicam crescimento contínuo até 2030

De acordo com a ANPII Bio, o mercado brasileiro de bioinsumos deve crescer cerca de 60% até 2030, superando R$ 9 bilhões em faturamento.

Já a consultoria DunhamTrimmer estima que o mercado global alcance US$ 30 bilhões até o fim da década, com o Brasil respondendo por mais de 20% do crescimento no segmento de biocontrole.

Com expansão acelerada, avanço tecnológico e integração entre soluções, o setor de bioinsumos consolida sua posição como um dos pilares da agricultura moderna no Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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