Depois de anos intensos, de decisões difíceis e de muito trabalho, chegou o momento de encerrar esse ciclo de sete anos e três meses como governador de Mato Grosso. E saio desse posto com o coração cheio de gratidão a Deus, ao povo e a todos que nos ajudaram nessa missão.
Quando assumi, em 2019, o cenário era desafiador: um Estado quebrado, com uma dívida bilionária, salários atrasados, fornecedores sem receber há meses e uma população que já não acreditava mais no governo.
Não olhamos para trás e fizemos uma escolha: enfrentar os problemas. Com a ajuda da Assembleia Legislativa, dos Poderes, dos servidores públicos e do povo, tomamos medidas necessárias para colocar as contas em ordem, cortar desperdícios, enfrentar privilégios e reconstruir a credibilidade do Governo.
No começo, muitos não entenderam. Fui calorosamente vaiado. E não havia como julgar essas vaias, porque vinham de quem estava cansado de ouvir promessas não cumpridas e de sofrer as consequências de duas gestões desastrosas que me antecederam.
Consertamos o Estado. Nos tornamos nota A+ no Tesouro Nacional e a unidade da federação que mais devolve, proporcionalmente, os impostos ao cidadão, com recordes de investimentos em todas as áreas.
Fizemos o maior pacote de obras de infraestrutura da história. Até o final do ano, teremos entregado mais de 7 mil quilômetros de asfalto novo. É mais do que tudo o que foi feito nos últimos 270 anos em Mato Grosso. Sem contar os milhares de quilômetros de asfalto urbano que viabilizamos em parceria com as prefeituras, levando conforto para a porta da casa das pessoas.
Na Saúde, dobramos o número de grandes hospitais. Além de reabrir e modernizar a Santa Casa, entregamos o Hospital Central (o melhor hospital público do país) e o Hospital Estadual do Alto Tapajós. Também seguimos com a construção do Hospital Júlio Müller e mais três hospitais regionais, com previsão de conclusão ainda este ano.
Na Educação, saímos da 22ª para a 8ª posição no país. Hoje, o filho do trabalhador tem uniforme, material completo e até a possibilidade de intercâmbio para a Inglaterra. Mais de 150 escolas foram entregues, sendo novas ou completamente modernizadas. Muitas, inclusive, com piscina.
Por meio do programa SER Família, liderado voluntariamente pela minha esposa, a primeira-dama Virginia Mendes, fizemos um dos maiores investimentos do país na área social e conseguimos alcançar a ousada meta de ajudar 40 mil famílias a comprar a própria casa, com parceria do Governo Federal e prefeituras.
Nossas forças de Segurança se tornaram as mais bem equipadas do país, com tolerância zero aos bandidos. Convocamos mais de 3.700 novos agentes e reduzimos os principais índices de criminalidade. E nenhuma invasão de terra em Mato Grosso prosperou nesse período.
Mato Grosso virou o jogo em todas as áreas. Saiu da Série C para a Série A dos estados brasileiros: o estado com menor desemprego, com o maior PIB, com uma das menores desigualdades de renda, com a maior redução de impostos e que conduz a maior obra rodoviária do país, a BR-163.
Nosso estado virou exemplo. Passou a ser bem avaliado em todo o país e até no exterior. Conseguimos, juntos, retomar o orgulho de viver em Mato Grosso, esse estado que é um verdadeiro exemplo de Brasil que dá certo. E nada disso foi feito sozinho.
Foi construído com servidores públicos dedicados, com parceiros, com prefeitos, deputados, os Poderes, os setores produtivos, empresários e, principalmente, com cada trabalhador e cidadão mato-grossense que passou a ver seus impostos retornarem em obras e ações.
A vocês, minha eterna gratidão.
Hoje deixo o Governo com a tranquilidade de quem fez o que precisava ser feito. E, mais importante, com a segurança de que Mato Grosso continuará no rumo certo.
O Estado passa a ser conduzido pelo vice-governador Otaviano Pivetta, um homem que esteve ao meu lado em todas as decisões importantes dessa gestão nos últimos sete anos.
Além da experiência como vice, Pivetta foi prefeito de Lucas do Rio Verde por três mandatos. Tenho absoluta confiança de que ele dará continuidade a esse trabalho com seriedade, equilíbrio e responsabilidade.
Porque o mais difícil já foi feito: colocar Mato Grosso no rumo certo. E é exatamente por isso que este momento também exige atenção, já que, neste ano, tomaremos muitas decisões importantes nas urnas.
O povo mato-grossense já viu esse filme e sabe o que acontece quando escolhemos maus gestores. Mato Grosso não pode voltar à época da corrupção e da incompetência, que perdurou por oito longos anos antes de 2019.
Precisamos escolher representantes que tenham compromisso com resultados, com trabalho sério e com responsabilidade. Gente que respeite o dinheiro público. Gente que tenha coragem de fazer o que precisa ser feito. Porque foi assim que Mato Grosso conseguiu se tornar um estado muito melhor para se viver.
Agora sigo em uma nova missão, voltada à construção de uma futura candidatura ao Senado. Com a mesma vontade, energia e garra de lutar por Mato Grosso. Porque antes de entrar na política, eu criticava os políticos. Até o dia em que resolvi arregaçar as mangas e fazer diferente, tanto como prefeito de Cuiabá quanto como governador.
Da mesma forma, há anos venho denunciando as leis frouxas e atrasadas do nosso país, que incentivam a impunidade e a ineficiência. Chegou a hora de fazer mais do que cobrar. Por isso, vou me colocar à disposição para contribuir com a construção de leis mais eficientes e alinhadas à realidade de Mato Grosso e do Brasil.
Muito obrigado por tudo, meus amigos de Mato Grosso.
Lágrimas, orações, cânticos e manifestações de fé marcaram a manhã histórica de sábado (13.6), em Jauru, na cerimônia que oficializou a beatificação do padre Nazareno Lanciotti. Sob o sol forte do oeste mato-grossense, milhares de fiéis permaneceram por horas acompanhando a celebração de beatificação do missionário italiano, assassinado em 2001, reconhecido agora pela Igreja Católica como mártir da fé. Nem o calor intenso diminuiu a emoção de quem aguardava há mais de duas décadas por esse momento.
A celebração reuniu mais de 80 caravanas de diversas regiões de Mato Grosso e de outros Estados, além de autoridades civis e religiosas. Estiveram presentes o governador Otaviano Pivetta, secretários de Estado, parlamentares e representantes da Igreja Católica de várias partes do Brasil. O momento mais aguardado ocorreu quando o cardeal Dom João Braz de Aviz, enviado do Vaticano para representar o Papa Leão XIV, leu a carta apostólica que oficializou a beatificação.
“Concedemos que o venerável servo de Deus, Nazareno Lanciotti, mártir, missionário infatigável do Evangelho, fundador fecundo de obras de caridade social e promotor dedicado do culto mariano, seja doravante chamado Beato”, declarou o cardeal diante da multidão.
Mais do que um marco religioso, a cerimônia abriu uma nova perspectiva para Jauru. Com a beatificação, a cidade passa a integrar o mapa dos destinos de peregrinação católica e pode se consolidar como um importante polo de turismo religioso em Mato Grosso.
A expectativa da Igreja é que o fluxo de visitantes aumente nos próximos anos. Hoje, Jauru já recebe peregrinos atraídos pela história do padre Nazareno, pelo Movimento Sacerdotal Mariano e pelos locais ligados à sua trajetória. Com o reconhecimento oficial da Igreja, esse movimento tende a se intensificar.
Para o padre Diogo Monteiro, da Arquidiocese de Cuiabá, a beatificação coloca definitivamente o município no cenário nacional do turismo religioso.
“Jauru já era um lugar de peregrinação. Todos os anos, os fiéis vinham por causa da história do padre Nazareno e da espiritualidade mariana. Agora, com a beatificação e com as relíquias do beato preservadas aqui, a tendência é que esse movimento cresça ainda mais”, afirmou.
Segundo ele, muitas pessoas que chegaram para a cerimônia nunca haviam visitado a cidade. “A beatificação colocou Jauru e também Mato Grosso no cenário do turismo religioso. Muita gente está conhecendo a cidade pela primeira vez e descobrindo toda a história construída aqui”, disse.
Os locais ligados ao beato já formam uma espécie de roteiro de fé para os visitantes. Entre eles estão a Igreja Matriz Nossa Senhora do Pilar, onde está a urna com os restos mortais do beato; o Memorial Beato Nazareno Lanciotti; o Santuário Imaculado Coração de Maria; o Hospital Nossa Senhora do Pilar; o Lar dos Velhinhos Imaculado Coração de Maria; além da Sala do Martírio, do bosque e de outros espaços que preservam sua memória.
A transformação de Jauru em destino de peregrinação encontra respaldo na própria história do sacerdote italiano que chegou à região na década de 1970. Durante quase três décadas, padre Nazareno permaneceu na mesma paróquia, dedicando-se não apenas à evangelização, mas também à criação de obras sociais, projetos educacionais e ações voltadas ao atendimento dos mais vulneráveis.
O cardeal Dom João Braz de Aviz destacou que a relevância do reconhecimento vai além do aspecto religioso.
“Se a gente olha Jauru quando ele chegou e o que é hoje, pode notar não apenas o crescimento da Igreja, mas também o crescimento humano e social proporcionado por ele. Basta ver as obras sociais que ficaram”, afirmou.
O legado permanece vivo na memória dos moradores que conviveram com o sacerdote. Um deles é Adilson Barbosa dos Santos, conhecido como Pio, que foi coroinha do padre Nazareno e hoje atua como ministro da Igreja Católica.
Visivelmente emocionado ao lembrar do antigo pároco, ele recordou a convivência iniciada ainda na infância.
“Tudo o que existe aqui na igreja, o asilo, tantas obras, têm a marca dele. Ele doou a vida por essa cidade. Eu fui coroinha do padre Nazareno e depois recebi dele o convite para ser ministro. Foi um sonho realizado.”
Para Pio, a beatificação representa também uma oportunidade de desenvolvimento para Jauru.
“Eu acredito que a cidade deu um grande passo. O padre Nazareno fez muito por nós e creio que Jauru vai crescer ainda mais com esse reconhecimento.”
Entre os milhares de fiéis presentes estava a controladora interna Bárbara Nathalia Nogueira Garnica Rocha, que visitou Jauru pela primeira vez especialmente para acompanhar a cerimônia.
“A figura do padre Nazareno nos mostra que a devoção mariana nos leva a amar ainda mais Jesus Cristo. Estar aqui hoje é muito significativo. É um evento grandioso, o primeiro desse tipo em Mato Grosso, acontecendo praticamente no quintal de casa”.
Embora a beatificação represente a conclusão de uma etapa importante, para a Igreja ela também pode ser o início de um novo caminho. O próximo passo possível é a canonização, que transformaria o beato em santo.
Rumo à santificação
Amigo da família Lanciotti e autor de um livro sobre sua trajetória, o italiano Ivaldo Riva acompanha o processo há anos e acredita que a devoção popular ao beato será fundamental para essa nova fase.
Ele próprio atribui ao padre Nazareno uma experiência que considera milagrosa. Após sofrer uma hemorragia cerebral e passar por uma cirurgia complexa em 2017, disse ter recorrido à intercessão do sacerdote.
“A emoção de todo esse processo está ligada a essa experiência que vivi. Sempre acreditei na santidade do padre Nazareno”, contou.
Segundo ele, a beatificação foi construída não apenas por documentos e investigações, mas também pela fé das pessoas que mantiveram viva a memória do sacerdote durante mais de duas décadas.
“Uma coisa que sempre me impressionou foi perceber que já existia um culto popular. As pessoas vinham rezar, visitar o túmulo, manter viva a lembrança dele. Isso foi muito importante para a beatificação.”
Agora, a expectativa é que a devoção cresça ainda mais. Se um milagre for oficialmente reconhecido pelo Vaticano por intercessão do beato Nazareno Lanciotti, o missionário que dedicou a vida a Jauru poderá dar o próximo passo rumo aos altares da Igreja Católica, transformando a cidade que escolheu para viver e morrer em um dos mais importantes centros de peregrinação religiosa do Centro-Oeste brasileiro.
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