Agro News

Safra de cana-de-açúcar no Centro-Sul já ultrapassa dois terços da colheita

Publicado

Até o fim de agosto, a moagem de cana no Centro-Sul do Brasil na safra 2025/26 alcançou 404 milhões de toneladas, o que representa aproximadamente dois terços do total estimado. Apesar do ritmo, a produtividade média entre abril e agosto foi de 79,3 toneladas por hectare, cerca de 8% inferior ao mesmo período do ciclo anterior, reacendendo projeções de uma safra próxima a 600 milhões de toneladas.

Açúcar ganha espaço na matriz produtiva

O teor de ATR por tonelada segue 4% abaixo da temporada passada, mas o mix açucareiro se mantém elevado. Até agosto, 52,8% da cana processada foi destinada à produção de açúcar. Assim, mesmo com moagem 5% inferior, a produção de açúcar caiu apenas 2% em relação ao ciclo anterior, enquanto o etanol registra retração de 10%.

Mercado de açúcar e etanol

Os preços do etanol permanecem firmes diante da expectativa de estoques apertados até março. Já o açúcar enfrenta maior pressão, com cotações que em alguns momentos ficaram abaixo de 16 centavos de dólar por libra-peso, chegando a se aproximar do nível de paridade com o etanol em São Paulo. A decisão sobre mudanças significativas no mix ainda depende dos custos para rever contratos já firmados.

Leia mais:  EUA mantêm tarifa de 50% sobre carne bovina brasileira; arroba registra alta após queda em julho
Câmbio e combustíveis

A desvalorização do dólar levou a taxa de câmbio BRL/USD ao menor patamar desde junho de 2024. Esse cenário preocupa o setor sucroenergético, já que a combinação de dólar fraco e pressão de baixa nos preços internacionais de energia pode abrir espaço para reduções no preço da gasolina no Brasil.

Etanol de milho em destaque

A colheita recorde de milho e as cotações firmes do etanol ampliam a atratividade da produção de etanol de milho, ao menos pelos preços de mercado no curto prazo. Contudo, como a maior parte das usinas adquire o grão ao longo de vários meses, as margens reais podem não refletir os preços spot. Ainda assim, a oferta abundante de milho garante acesso a matéria-prima a preços competitivos, reforçando as expectativas de recuperação na produção total de etanol (cana e milho) em 2026/27.

Clima favoreceu a moagem

O clima seco em agosto favoreceu o ritmo da colheita, permitindo que apenas na segunda quinzena do mês fossem processados 50 milhões de toneladas de cana.

Leia mais:  Soja tem terceira alta consecutiva em novembro, mas sinaliza enfraquecimento em dezembro, aponta Itaú BBA

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

publicidade

Agro News

Safra recorde deve superar capacidade dos armazéns em 133 milhões de toneladas

Publicado

A produção brasileira de grãos poderá superar a capacidade de armazenagem do país em aproximadamente 133 milhões de toneladas na safra 2026/27. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta uma colheita de 366,6 milhões de toneladas, enquanto os armazéns brasileiros comportam 233,8 milhões de toneladas, segundo o dado mais recente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A estrutura existente equivale a cerca de 64% do volume que poderá ser produzido. A diferença expõe um dos principais gargalos do agronegócio brasileiro: a produção avança em ritmo superior à construção e à modernização de silos, sobretudo dentro das propriedades rurais e nas novas regiões produtoras.

Na prática, a limitação reduz a capacidade do agricultor de escolher o melhor momento para comercializar. Sem espaço próprio, parte dos produtores precisa retirar rapidamente os grãos da fazenda e negociar durante a colheita, período marcado pela concentração da oferta, aumento da procura por caminhões e pressão sobre os preços e os fretes.

Para Isan Rezende (foto), presidente do Instituto do Agronegócio (IA) e da Federação dos Engenheiros Agrônomos de Mato Grosso (Feagro-MT), o problema deixou de ser apenas logístico e passou a afetar diretamente a renda no campo.

“Produzir uma safra recorde é uma conquista, mas o produtor precisa ter condições de transformar esse volume em renda. Sem armazenagem, ele perde liberdade para decidir quando vender e pode ser obrigado a negociar justamente no período de maior oferta, quando os preços tendem a estar mais pressionados”, afirma Rezende.

Leia mais:  EUA mantêm tarifa de 50% sobre carne bovina brasileira; arroba registra alta após queda em julho

“Um silo dentro da propriedade não serve apenas para guardar grãos. Ele permite preservar a qualidade, reduzir perdas, organizar o transporte e esperar uma condição comercial mais favorável. Em uma atividade de margens cada vez mais estreitas, essa capacidade de decisão pode determinar o resultado de toda a safra”, acrescenta.

Segundo Rezende, a ampliação dos armazéns exige financiamento de longo prazo, previsibilidade e condições compatíveis com o período necessário para recuperar o investimento. “O Brasil não pode continuar ampliando a produção sem fazer o mesmo esforço na infraestrutura. A armazenagem precisa ser tratada como parte do sistema produtivo, porque o gargalo acaba transferindo custos, riscos e perdas para quem está no campo”, diz.

A capacidade de armazenagem brasileira cresceu 1,1% no segundo semestre de 2025 e chegou a 233,8 milhões de toneladas. No mesmo período, o país contabilizava 9.668 estabelecimentos com estruturas destinadas à guarda de produtos agrícolas.

O avanço, porém, não acompanha o ritmo das lavouras. A safra 2025/26 foi estimada em 361,7 milhões de toneladas. Para o ciclo 2026/27, a projeção de 366,6 milhões representa mais 4,9 milhões de toneladas chegando ao mercado, com novos recordes esperados em culturas importantes.

A diferença entre produção e capacidade estática não significa que 133 milhões de toneladas ficarão literalmente sem local para serem guardadas. Os armazéns podem receber mais de uma carga durante o ano, e as culturas são colhidas em épocas diferentes. Mesmo assim, a comparação mostra que a estrutura disponível é insuficiente nos momentos de concentração da colheita e está distribuída de forma desigual pelo território.

Leia mais:  Resíduos em carne reforçam importância do uso correto de medicamentos veterinários

O problema é mais grave nas regiões em que a produção cresceu rapidamente sem a instalação de silos na mesma proporção. Nesses locais, os grãos percorrem distâncias maiores até unidades armazenadoras, elevando o consumo de combustível, o custo do transporte e o tempo de espera para descarga.

As filas também podem atrasar a retirada da produção da propriedade e a entrada das máquinas em novas áreas. Quando soja e milho disputam simultaneamente caminhões e espaço nos armazéns, o gargalo alcança cooperativas, tradings, indústrias e terminais de exportação.

A ampliação da armazenagem nas fazendas permitiria distribuir melhor o fluxo dos grãos ao longo do ano e reduzir a pressão sobre rodovias e terminais durante a colheita. Também daria ao produtor melhores condições para separar lotes, conservar a qualidade e negociar o produto de acordo com as oportunidades do mercado.

O desafio da safra 2026/27, portanto, não estará apenas em produzir mais. O país terá de encontrar espaço, transporte e condições comerciais para transformar 366,6 milhões de toneladas de grãos em renda efetiva para o produtor.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

Mais Lidas da Semana