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Safra de soja 2025/26 do Brasil deve atingir recorde de 178 milhões de toneladas, aponta Itaú BBA

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Itaú BBA prevê recorde histórico para a safra de soja 2025/26

A safra de soja 2025/26 do Brasil deve alcançar um recorde de 178 milhões de toneladas, segundo projeção divulgada nesta quinta-feira (27) pelo analista Francisco Queiroz, do Itaú BBA, durante evento online sobre o agronegócio.

Apesar de irregularidades climáticas causadas pelo fenômeno La Niña, que provocaram atrasos no plantio em algumas regiões, o banco avalia que as condições meteorológicas devem se normalizar nas próximas semanas, favorecendo o desenvolvimento das lavouras.

A estimativa do Itaú BBA é superior à previsão do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que projeta 175 milhões de toneladas para a safra 2025/26 e 171,5 milhões para o ciclo 2024/25.

Expansão da área plantada sustenta crescimento da produção

Segundo Queiroz, o avanço de 1 milhão de hectares na área plantada em relação ao ciclo anterior é um dos principais fatores que sustentam a projeção recorde. Mesmo com margens menores e custos mais altos, os produtores devem manter o ritmo de expansão sobre áreas de pastagem e rotação.

“Com o pico da La Niña entre novembro e dezembro, tivemos um início irregular no plantio, mas os mapas meteorológicos apontam melhora no clima para o Centro-Oeste nas próximas semanas, o que deve favorecer a produtividade”, destacou o analista.

Margens do produtor devem recuar com custos mais altos

Com o aumento nos custos de produção e a pressão sobre os preços, o Itaú BBA prevê redução da margem agrícola da soja para 33%, ante 45% no ciclo anterior.

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O custo médio por hectare deve subir para R$ 4.223, em comparação a R$ 3.918/ha em 2024/25. Já o preço médio da saca de soja tende a cair para R$ 106, ante R$ 109 no ciclo passado.

A combinação de custos maiores e preços estáveis deve manter o lucro do produtor sob pressão, embora o cenário produtivo continue positivo, impulsionado por altos níveis de produtividade e câmbio favorável às exportações.

Cenário internacional deve limitar recuperação de preços

O Itaú BBA também avalia que o elevado volume global de soja, impulsionado pelas boas safras de Brasil, Estados Unidos e Argentina, tende a limitar uma recuperação mais expressiva nos preços internacionais da oleaginosa.

Mesmo assim, o banco mantém uma visão positiva para o Brasil, que deve seguir como principal exportador mundial de soja em 2026, apoiado pela alta eficiência logística e competitividade frente aos concorrentes.

Milho: atraso no plantio da soja pode afetar segunda safra

Com o atraso do plantio da soja, o Itaú BBA alerta para impactos sobre o calendário da segunda safra de milho (safrinha), especialmente em Estados do Centro-Oeste, onde a janela ideal de semeadura pode ser encurtada.

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Ainda assim, a equipe de consultoria do banco projeta uma safra total de milho entre 138 e 139 milhões de toneladas, acima da previsão do USDA, que estima 131 milhões de toneladas para o Brasil.

No ciclo anterior (2024/25), o país produziu 136 milhões de toneladas, conforme dados do USDA.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Etanol de milho cresce 50% e leva agroindústria novo patamar

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A produção de etanol de milho deverá superar pela primeira vez a marca de 1 bilhão de litros em Goiás. A estimativa para a safra 2026/27 é de 1,18 bilhão de litros, crescimento de 50,6% em relação aos 782,6 milhões de litros produzidos no ciclo anterior.

Os números constam do segundo levantamento da safra de cana-de-açúcar e biocombustíveis, divulgado em agosto pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em apenas uma temporada, a indústria goiana deverá acrescentar cerca de 396 milhões de litros à produção de etanol de milho.

A expansão muda o papel do cereal na economia estadual. Além de abastecer granjas, confinamentos, fábricas de ração e o mercado externo, uma parcela crescente da safra passa a ser processada dentro de Goiás. Com isso, o milho deixa de ser comercializado apenas como matéria-prima e passa a gerar combustível, óleo vegetal e produtos destinados à alimentação animal.

Somadas as produções provenientes da cana-de-açúcar e do milho, Goiás poderá fabricar aproximadamente 5,81 bilhões de litros de etanol na safra 2026/27. O volume representa crescimento próximo de 9% em relação ao ciclo anterior.

Quase todo esse aumento virá do milho. A produção de etanol de cana deverá avançar apenas 1,7%, de 4,55 bilhões para 4,63 bilhões de litros. A participação do milho no total do biocombustível produzido no Estado deverá subir de aproximadamente 15% para mais de 20% em apenas um ano.

Para o produtor rural, a ampliação da indústria representa a entrada de um comprador capaz de demandar grandes volumes durante todo o ano. O milho pode ser armazenado e processado continuamente, o que reduz a concentração das vendas no período da colheita e cria novas possibilidades de contratos diretamente com as usinas.

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A demanda local também reduz parte da dependência das exportações e do transporte do grão por longas distâncias. Em determinadas regiões, o custo do frete até os portos compromete uma parcela importante do preço recebido pelo produtor. A presença de unidades industriais mais próximas pode melhorar a concorrência pela produção e fortalecer os preços regionais.

O avanço ocorre em um Estado que deverá colher perto de 12 milhões de toneladas de milho na safra 2025/26. Goiás ocupa a terceira posição nacional na produção do cereal, segundo a Conab, e conta com uma oferta suficiente para atender simultaneamente às cadeias de proteína animal, à indústria de biocombustíveis e a outros compradores.

Considerando um rendimento industrial entre 420 e 460 litros por tonelada, a produção projetada de etanol poderá consumir aproximadamente 2,6 milhões a 2,8 milhões de toneladas de milho. O volume corresponderia a mais de um quinto da atual safra estadual, embora o consumo efetivo dependa da tecnologia utilizada pelas usinas e do período de operação das unidades.

A transformação do grão não termina no combustível. O processamento gera grãos secos de destilaria, conhecidos pela sigla em inglês DDGS, um ingrediente rico em proteína utilizado na fabricação de rações. O produto pode substituir parte do milho e do farelo de soja na alimentação de bovinos, aves e suínos.

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Essa integração é particularmente importante para Goiás, que possui cadeias consolidadas de produção de carnes e leite. A indústria retira o amido do milho para produzir etanol, mas preserva e concentra nutrientes que retornam ao campo na forma de alimento para os animais.

A produção de etanol de milho no Estado era de 190,8 milhões de litros na safra 2018/19. Com a projeção atual, o volume terá crescido mais de seis vezes em oito safras. O avanço coloca Goiás entre os principais polos nacionais do segmento, ao lado de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.

No país, a Conab estima produção recorde de 11,91 bilhões de litros de etanol de milho em 2026/27, alta de 17%. Goiás deverá responder por aproximadamente 10% desse total e crescer em ritmo quase três vezes superior ao da média nacional.

A expansão cria oportunidades, mas também exige atenção do produtor. O aumento da capacidade industrial não garante, sozinho, preços elevados para o cereal. O resultado dependerá da distância entre as fazendas e as usinas, dos custos de transporte, da oferta regional e das condições previstas nos contratos.

Ainda assim, a entrada de uma demanda permanente fortalece o mercado goiano de milho e amplia a agregação de valor dentro do Estado. Em vez de transportar apenas o grão, Goiás passa a vender combustível, óleo e nutrição animal, multiplicando os efeitos da produção agrícola sobre a indústria, os serviços e a geração de renda.

Fonte: Pensar Agro

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