A Secretaria de Saúde de Mato Grosso (SES-MT) levou a equipe de Promoção do Aleitamento Materno e Alimentação Complementar Saudável (Epamacs) para Alta Floresta, na região de saúde do Alto Tapajós, para três dias de ações, de terça a quinta-feira (8 a 10.7), com o objetivo de promover a amamentação.
O projeto ‘Epamacs na Estrada’, feito em conjunto com o Escritório Regional de Saúde (ERS) de Alta Floresta, reuniu trabalhadores da Saúde, Educação e Assistência Social de Alta Floresta, Apiacás, Carlinda, Nova Monte Verde e Paranaíta em uma mobilização para a implementação das estratégias de Promoção, Proteção e Apoio à Amamentação e Alimentação Complementar Saudável.
Segundo a superintendente de Atenção à Saúde da SES-MT, Lenil da Costa Figueiredo, os técnicos discutiram os benefícios da amamentação e a organização dos processos de trabalho para que esse conhecimento, de fato, favoreça a saúde das crianças e das mulheres que amamentam.
“Foram debatidas as estratégias já em curso e aquelas que ainda serão implantadas em cada município, elaborando planos de ação possíveis de serem executados. O foco principal foi a Estratégia Amamenta e Alimenta Brasil para a qualificação da força de trabalho na Atenção Primária à Saúde”, destacou.
De acordo com o técnico responsável pela área da Promoção, Proteção e Apoio à Amamentação, e Alimentação Complementar Saudável, Rodrigo Carvalho, a Vigilância Sanitária de Alta Floresta se comprometeu a articular ações educativas para que os estabelecimentos comerciais cumpram a NBCAL (Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância).
“Fizemos reuniões pontuais com instituições públicas e privadas para a cooperação mútua na implementação estratégica. Além disso, articulamos ações para o fortalecimento de projetos de extensão e pesquisa na Faculdade de Alta Floresta (Uniflor). Eles vão criar uma sala de apoio à amamentação para as trabalhadoras e as estudantes, o que também foi combinado em reunião com a equipe da fábrica da JBS”, contou.
Os técnicos da Coordenadoria de Promoção e Humanização da Saúde e do Escritório Regional de Saúde de Alta Floresta ainda visitaram o atual Hospital Regional de Alta Floresta, para conversar sobre o credenciamento e a habilitação de novos serviços e estratégias de amamentação.
A Prefeitura de Nova Bandeirantes enviou uma caixa cheia de frascos de vidro arrecadados na campanha Maio Branco, que serão entregues ao Centro Estadual de Referência de Bancos de Leite Humano.
Esta foi a segunda edição do projeto, que visa fortalecer e implementar ações voltadas ao aleitamento materno nos municípios de cada região de saúde de Mato Grosso. A primeira visita foi realizada no Vale do Peixoto em maio de 2025.
“Viajamos de acordo com as possibilidades dos Escritórios Regionais de organizarem as atividades propostas e já temos mais três edições agendadas”, informou Carvalho.
A equipe atuará no Vale do Arinos, de 22 a 24 de julho, na região do Garças Araguaia, de 5 a 7 de agosto, e no Oeste Mato-grossense, de 27 a 28 de agosto.
O que começou com a venda de doces caseiros para complementar a renda da família se transformou em um dos mais conhecidos empreendimentos de turismo rural de Mato Grosso. No Assentamento São Francisco, em Jaciara, a agricultora familiar Maria Leni de Oliveira encontrou no empreendedorismo uma forma de permanecer no campo, gerar renda e reunir toda a família em torno de um mesmo propósito.
Proprietária do Vale do Chico, ela abriu as portas da propriedade para receber visitantes em busca de contato com a natureza, tranquilidade e experiências únicas. O local é conhecido pelos ofurôs naturais, trilhas ecológicas, cachoeiras e pelo encontro das águas do Córrego Buriti com o Rio Fortaleza, que chama a atenção pelas diferentes cores e temperaturas das águas.
Hoje, o empreendimento recebe turistas de diversas regiões do Brasil e também de outros países. Entre os visitantes que já conheceram o Vale do Chico estão grupos da Coreia do Sul, da Tailândia e de outras nacionalidades, atraídos pelas belezas naturais e pela experiência de vivenciar o turismo rural em uma propriedade da agricultura familiar.
A história começou em 2016, quando os filhos de Maria Leni adquiriram a propriedade. Na época, ela trabalhava com costura e buscava uma forma de complementar a renda, já que no sítio pequeno nem sempre garantia o sustento da família.
“Como a renda do sítio pequeno é mais difícil, comecei a fazer doces caseiros para vender. As vendas foram aumentando e, junto com elas, surgiu a oportunidade do turismo rural. Com o apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado de Agricultura Familiar (Seaf), da Empaer, por meio das orientações do extensionista Geraldo Donizete, e do financiamento da Desenvolve MT, conseguimos ampliar nossa estrutura e transformar esse sonho em realidade”, relembra.
Em março de 2023 o sonho passou a ser realidade. O crescimento ocorreu de forma planejada. Com assistência técnica e acesso ao crédito, foram construídas novas estruturas para receber os visitantes. O empreendimento também recebeu orientações para adequação ambiental, implantação de acessos e obtenção das licenças necessárias, garantindo segurança aos turistas e preservação dos recursos naturais.
“Antes era um espaço muito pequeno. Recebíamos os turistas e também morávamos ali. Com os projetos e o financiamento conseguimos construir nosso salão e melhorar toda a estrutura. Hoje trabalhamos em família. Meus filhos, minha nora e meu genro ajudam no atendimento. É um empreendimento de família para receber famílias.”
O Vale do Chico oferece diferentes modalidades de visitação. No sistema Day Use, os visitantes desfrutam de café da manhã, trilhas, banhos de cachoeira e almoço. Há também a opção de camping, em que os turistas passam a noite na propriedade, com estrutura para barracas, inclusive para locação, e passeios programados no dia seguinte.
O turismo rural representou uma mudança de vida para Maria Leni. Quando decidiu deixar a cidade para viver no sítio, seu marido já enfrentava problemas de saúde e a aposentadoria não era suficiente para manter a família. Filha da agricultura familiar, ela enxergou na propriedade uma oportunidade para recomeçar.
“Eu queria muito que isso desse certo. Sou da agricultura familiar e sempre sonhei em viver no campo. Quando surgiu a oportunidade do turismo rural, agarrei com todas as forças. Passamos por muitas dificuldades, mas hoje conseguimos gerar renda para toda a família.”
Além de proporcionar uma experiência em meio à natureza, o Vale do Chico foi idealizado para ser um espaço de contemplação e descanso. Por isso, caixas de som não são permitidas e todos os visitantes recebem previamente orientações sobre as regras de convivência.
“Aqui produzimos paz, literalmente. Não temos som. Quem vem procura descanso, tranquilidade e contato com a natureza. Queremos que as pessoas contemplem esse ambiente e entendam a importância de preservar.”
A preservação ambiental é um dos pilares do empreendimento. A propriedade possui licenciamento ambiental, segue as normas sanitárias e adota práticas sustentáveis, como reciclagem e destinação correta dos resíduos produzidos.
“Nós aprendemos que é preciso cuidar da natureza para que ela continue cuidando da gente. Fazemos a separação dos resíduos, encaminhamos os recicláveis para coleta em Jaciara e destinamos corretamente o lixo orgânico. Quem visita nosso espaço também participa desse compromisso.”
Orgulhosa da trajetória construída ao lado da família, Maria Leni resume o significado do empreendimento. “Com apoio do Governo do Estado, sou uma mulher que vive da agricultura familiar, do turismo rural e tenho sucesso com isso. Nosso sonho virou realidade e hoje conseguimos gerar renda, preservar a natureza e proporcionar uma experiência única para quem nos visita.”
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