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Setor produtivo entrega manifesto pela modernização da jornada de trabalho no Brasil

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A Coalizão de Frentes Produtivas recebeu nesta terça-feira (3), na sede da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), representantes das principais confederações nacionais para discutir a modernização da jornada de trabalho no Brasil. O encontro reuniu parlamentares e lideranças do setor produtivo que defendem um debate técnico, equilibrado e com diálogo entre as partes, evitando riscos como aumento de custos e avanço da informalidade.

Modernização deve considerar impacto econômico e diferenças setoriais

Durante a reunião, deputados e senadores ressaltaram que a discussão é legítima e necessária, mas deve ser conduzida com cautela e responsabilidade. As lideranças alertaram para a necessidade de avaliar impactos econômicos, diferenças entre setores e efeitos sobre o emprego formal antes de qualquer alteração legislativa.

O deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), presidente da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo, afirmou que o tema não pode ser reduzido a disputas eleitorais. “O cidadão não vai querer essa proposta quando perceber que o alimento e o combustível ficarão mais caros. É preciso responsabilidade com o país”, declarou.

Representantes destacam diálogo entre empresários e trabalhadores

O deputado Alceu Moreira (MDB-RS), presidente da Frente Parlamentar do Biodiesel (FPBio), defendeu a inclusão dos sindicatos de trabalhadores no debate. Segundo ele, empresários e sindicatos compartilham o mesmo objetivo: proteger o trabalhador e manter a atividade econômica saudável.

O deputado Domingos Sávio (PL-MG), presidente da Frente Parlamentar do Comércio e Serviços, criticou a polarização do tema. “O debate precisa ser técnico, não uma disputa entre o bem e o mal”, disse. Já Júlio Lopes (PP-RJ), presidente da Frente Parlamentar do Brasil Competitivo, reforçou que o foco deve estar no que é melhor para o país, e não em agendas políticas.

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Especialistas alertam para riscos de mudanças abruptas

Durante o encontro, o sociólogo José Pastore apresentou uma análise sobre os possíveis impactos da proposta em discussão. Ele destacou que a redução rápida e impositiva da jornada de trabalho, sem negociação, pode gerar efeitos adversos, como repasse de custos, aumento da automação e perda de empregos formais.

Segundo Pastore, os trabalhadores mais vulneráveis, que cumprem 44 horas semanais, seriam os mais afetados. “Essa nova lei pode, infelizmente, desproteger os trabalhadores”, afirmou.

Manifesto pede previsibilidade e diálogo para mudanças estruturais

O manifesto entregue à Coalizão defende que o debate sobre a modernização da jornada deve unir qualidade de vida e desenvolvimento econômico, e não tratá-los como objetivos opostos. O documento propõe que qualquer alteração seja construída com base técnica, diálogo entre trabalhadores, empregadores e poder público, além de previsibilidade na implementação.

As entidades também defendem que a discussão ocorra em ambiente institucional adequado, com tempo político suficiente para acomodar as diferenças entre cadeias produtivas e regiões do país.

Setor produtivo reforça unidade e pede cautela no debate

A presidente-executiva da OCB e do Instituto Pensar Agro (IPA), Tania Zanella, afirmou que o manifesto representa unidade do setor produtivo. “Estamos juntos para amadurecer e buscar alternativas coerentes para essa modernização. O setor está à disposição para contribuir com o debate”, destacou.

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O presidente da CNI, Ricardo Alban, alertou para o risco de tratar o tema com pressa. “Capital e trabalho se complementam. Não faz sentido conduzir essa discussão de forma açodada”, afirmou.

A vice-presidente da Fecomércio, Gisela Lopes, defendeu a valorização da negociação coletiva e pediu mais tempo para amadurecimento da pauta. Já Cristiane de Oliveira, da CNF, alertou para a necessidade de segurança jurídica nas contratações. O vice-presidente da Firjan, Antonio Carlos Vilela, reforçou o risco de aumento da informalidade e dos preços caso a proposta avance sem planejamento.

Emprego formal deve ser prioridade no debate

Segundo dados do IBGE, o Brasil contava em 2025 com 38,9 milhões de empregados com carteira assinada no setor privado. O Ministério do Trabalho e Emprego, por sua vez, registrou 48,45 milhões de vínculos celetistas no mesmo período, conforme o Novo Caged.

As entidades afirmam que esse contingente expressivo de trabalhadores formais precisa estar no centro das discussões, garantindo que eventuais mudanças na jornada preservem os empregos e a competitividade do país.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Matopiba desponta como nova fronteira da produtividade no Brasil

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O avanço do agronegócio está mudando o mapa da produtividade brasileira e levando parte do dinamismo econômico para o Matopiba, região formada por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. Enquanto o indicador nacional cresceu 18,7% entre 2002 e 2019, três Estados da região registraram alguns dos maiores aumentos do País.

O Piauí liderou o crescimento da produtividade do trabalho no período, com alta de 103%. O Maranhão avançou 86% e o Tocantins, 69,7%. Os resultados acompanham a expansão da fronteira agrícola e indicam que a transformação provocada pelo campo ultrapassou o aumento da área plantada e do volume colhido.

Os dados fazem parte do estudo “Missing the Productivity: Estimating Labor Productivity in Brazilian Municipalities (2002–2019)”, dos pesquisadores Alan Bueno e Diogo Ferraz. Divulgado em julho, o trabalho construiu uma base anual com informações dos mais de 5,5 mil municípios brasileiros.

O levantamento é um pré-print, versão que ainda não passou pela etapa definitiva de revisão acadêmica. Embora tenha alcance nacional e não seja dedicado exclusivamente ao Matopiba, o estudo revela grandes ganhos de produtividade nas fronteiras agropecuárias e uma evolução mais lenta nos Estados historicamente industrializados.

A produtividade analisada não é o rendimento das lavouras por hectare. O indicador mede quanto valor é produzido por trabalhador. Ele aumenta quando a incorporação de máquinas, tecnologia, qualificação e métodos mais eficientes de gestão permite ampliar a produção sem elevar na mesma proporção o número de pessoas ocupadas.

No Brasil, a agropecuária foi o setor que apresentou o maior avanço entre 2002 e 2019. A produtividade do trabalho no campo cresceu 80,1%, diante de aumentos de 10,3% nos serviços e de apenas 5,4% na indústria.

O resultado ajuda a explicar por que regiões antes com menor participação na economia nacional passaram a atrair armazéns, transportadoras, revendas de máquinas e insumos, instituições financeiras, empresas de tecnologia, indústrias de alimentos e prestadores de serviços.

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Para Alan Bueno, professor da Universidade Estadual do Paraná e um dos autores do estudo, o avanço do Matopiba pode ser comparado à transformação ocorrida no Centro-Oeste a partir da segunda metade do século passado.

“O Matopiba é o novo ouro. É o que foi o Centro-Oeste nos anos 1950. Trata-se de um crescimento que faz mudar a realidade regional”, afirmou.

Segundo o pesquisador, o campo passou a funcionar como ponto de partida de uma rede econômica mais ampla. “O agro converteu-se no catalisador de uma vasta rede econômica, envolvendo transporte, comércio, construção civil, tecnologia, crédito e serviços”, explicou.

A expansão foi sustentada principalmente pela produção de soja, milho e algodão, além da pecuária. O desenvolvimento de sementes adaptadas ao Cerrado, a correção dos solos, a mecanização e a agricultura de precisão permitiram que a região ampliasse sua participação na produção nacional.

Os dados mais recentes indicam que o movimento continuou depois de 2019, último ano abrangido pelo estudo. A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia colham juntos aproximadamente 41,4 milhões de toneladas de grãos na safra 2025/26, aumento próximo de 9% sobre o ciclo anterior.

A Bahia deverá liderar a produção regional, com cerca de 15 milhões de toneladas. O Tocantins aparece em seguida, com 9,74 milhões, seguido pelo Maranhão, com 9,05 milhões, e pelo Piauí, com 7,58 milhões de toneladas.

Somente a soja deve alcançar 25,4 milhões de toneladas nos quatro Estados, o equivalente a aproximadamente 14% da produção brasileira da oleaginosa. O resultado consolida o Matopiba como fornecedor relevante para as indústrias de óleo, farelo, rações, carnes e biocombustíveis.

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O avanço da produtividade, porém, não significa que os benefícios econômicos sejam distribuídos automaticamente. A mecanização reduz a necessidade de algumas tarefas manuais, ao mesmo tempo que amplia a procura por operadores de máquinas, técnicos agrícolas, engenheiros agrônomos, mecânicos e profissionais de tecnologia e logística.

Sem capacitação local, parte dessas vagas pode ser preenchida por trabalhadores vindos de outras regiões. O aumento da riqueza também depende da capacidade dos municípios de converter maior arrecadação em educação, saúde, saneamento e infraestrutura.

Outro desafio é evitar que o Matopiba permaneça apenas como fornecedor de produtos primários. A instalação de esmagadoras de soja, fábricas de rações, frigoríficos, usinas de biocombustíveis e indústrias de alimentos permitiria agregar valor à produção e manter uma parcela maior da renda na própria região.

O crescimento também aumenta a pressão sobre estradas, ferrovias, armazéns e terminais de exportação. Sem infraestrutura compatível, parte do ganho obtido dentro das propriedades pode ser perdida com fretes elevados, filas e demora no escoamento.

Há ainda o desafio de conciliar a expansão produtiva com a conservação do Cerrado, a regularização fundiária e a inclusão da agricultura familiar. A competitividade futura da região dependerá não apenas do volume produzido, mas também da capacidade de comprovar a origem e a sustentabilidade dos produtos.

O estudo mostra que a produtividade brasileira começou a mudar de endereço. O Matopiba já produz mais por trabalhador e movimenta uma cadeia econômica cada vez maior. O próximo passo será transformar essa eficiência em indústria, empregos qualificados e melhoria permanente da renda da população.

Fonte: Pensar Agro

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