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Soja enfrenta pressão da oferta global, mas óleo sustenta mercado e margens de esmagamento

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Mercado da soja segue equilibrado entre ampla oferta e sustentação do óleo

O mercado global da soja atravessa um momento de equilíbrio delicado entre a ampla oferta mundial e os fatores de sustentação vindos do óleo de soja e da demanda por biocombustíveis. A avaliação faz parte do relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, que traça um panorama detalhado sobre o comportamento do complexo soja em maio de 2026.

Segundo o levantamento, os preços da soja em Chicago permaneceram praticamente estáveis em abril, pressionados principalmente pela safra recorde brasileira e pelo bom avanço do plantio nos Estados Unidos. Por outro lado, a valorização do óleo de soja ajudou a limitar quedas mais intensas nas cotações internacionais.

A média da soja na Bolsa de Chicago encerrou abril em US$ 11,67 por bushel, com leve recuo de 0,4% frente a março.

Safra recorde no Brasil amplia oferta global

A produção brasileira segue como um dos principais fatores de pressão sobre o mercado internacional. O relatório destaca que o Brasil caminha para uma safra estimada em 180 milhões de toneladas, reforçando o cenário de elevada disponibilidade global da commodity.

Além da oferta brasileira robusta, o desenvolvimento inicial da safra norte-americana também contribui para reduzir os prêmios de risco climático neste momento.

Nos Estados Unidos, o plantio da soja já alcançou 33% da área prevista, acima dos 28% registrados no mesmo período do ano passado e superior à média das últimas cinco temporadas.

Clima segue no radar do mercado agrícola

Apesar do avanço acelerado do plantio nos EUA, o clima permanece como fator de atenção para o mercado global de grãos.

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O relatório aponta que, no Brasil, abril foi marcado por chuvas irregulares e estresse hídrico em parte das regiões centrais produtoras, especialmente em Goiás, Minas Gerais, Paraná e São Paulo. O cenário favoreceu a colheita da soja, mas elevou os riscos para o desenvolvimento da segunda safra de milho.

Nos Estados Unidos, as condições climáticas seguem favoráveis até o momento, com temperaturas acima da média e boa umidade do solo nas principais regiões produtoras.

Outro ponto monitorado é a possibilidade de formação de um evento de El Niño entre maio e julho, segundo projeções da NOAA. O fenômeno pode trazer impactos relevantes para o clima agrícola global nos próximos meses.

Óleo de soja ganha protagonismo no mercado internacional

O grande destaque do complexo soja continua sendo o óleo de soja, impulsionado pela valorização do petróleo e pela expectativa de forte demanda do setor de biocombustíveis nos Estados Unidos.

Em abril, o óleo de soja registrou valorização média de 6% em Chicago, atingindo 69,7 centavos de dólar por libra-peso.

O movimento elevou as margens de esmagamento, especialmente nos Estados Unidos e no Brasil, fortalecendo a rentabilidade da indústria processadora.

Segundo o relatório, a participação do óleo na receita total do esmagamento alcançou 51%, reforçando o interesse da indústria pelo processamento da soja.

No Brasil, os preços do óleo acompanharam o viés positivo externo. Em Mato Grosso, o produto fechou abril cotado em R$ 6.066 por tonelada, com alta de 4% no mês.

Comercialização da safra brasileira avança

Mesmo diante de preços pressionados no mercado doméstico, os produtores brasileiros aceleraram as vendas da safra para reforço de caixa e cumprimento de compromissos financeiros.

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De acordo com o Itaú BBA, a comercialização da safra 2025/26 atingiu 55% da produção projetada, equivalente a aproximadamente 99 milhões de toneladas negociadas até abril.

Em Sorriso (MT), referência importante para o mercado nacional, a média da soja ficou em R$ 101,60 por saca no mês, praticamente estável frente a março.

Relação entre Estados Unidos e China segue no foco do mercado

O ambiente político internacional também permanece no radar dos agentes do setor.

O relatório destaca a expectativa em torno das negociações entre Estados Unidos e China, especialmente após encontros recentes entre representantes das duas maiores economias do mundo.

O mercado acompanha possíveis avanços nas compras chinesas de soja norte-americana, movimento que pode influenciar diretamente o fluxo global de comércio da commodity.

Oferta elevada pode pressionar preços nos próximos meses

Apesar da sustentação vinda do óleo de soja, o cenário geral ainda aponta para pressão sobre os preços no médio prazo.

A expectativa de avanço da colheita na Argentina deve ampliar a disponibilidade global de farelo e óleo de soja nas próximas semanas, aumentando a concorrência internacional.

Além disso, o mercado projeta manutenção de ampla oferta global também para a safra 2026/27, com Brasil, Estados Unidos e Argentina caminhando para mais um ciclo de elevada produção.

Segundo o Itaú BBA, esse ambiente tende a manter os prêmios de exportação enfraquecidos e limitar movimentos mais fortes de valorização da soja no mercado internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Oferta restrita impulsiona preço do café e mantém cotações em alta no mercado internacional

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A oferta limitada de café no mercado físico voltou a sustentar a valorização dos contratos futuros na última semana, reforçando o cenário de firmeza para as cotações internacionais. Mesmo diante da expectativa de uma safra recorde no Brasil, a menor disponibilidade imediata do produto, aliada a fatores técnicos e à atuação dos investidores, manteve o mercado aquecido.

De acordo com análise da StoneX, o café arábica alcançou as maiores cotações das últimas seis semanas, refletindo a combinação entre a leve deterioração das condições de colheita no Brasil e o movimento de recompra de posições vendidas por fundos de investimento.

O contrato de setembro de 2026 do café arábica encerrou a semana cotado a 273,2 centavos de dólar por libra-peso, acumulando valorização de 2,0% no período.

O desempenho reforça que, apesar da perspectiva de uma produção brasileira robusta em 2026, o mercado segue atento à disponibilidade de café no curto prazo. A restrição na oferta física continua sendo um dos principais fatores de sustentação dos preços, evidenciando a sensibilidade das bolsas às condições imediatas de abastecimento.

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Robusta também registra valorização

O mercado do café robusta acompanhou o movimento de alta, sustentado pelas preocupações relacionadas aos possíveis impactos do fenômeno El Niño sobre a produção mundial e pelo ritmo ainda moderado de comercialização no Brasil.

O contrato de setembro de 2026 fechou a semana cotado a US$ 3.627 por tonelada, avanço de 1,0% em relação à semana anterior. Durante o pregão de quinta-feira (25), a cotação chegou a US$ 3.692 por tonelada, o maior patamar registrado desde o fim de março.

Cenário externo influencia, mas fundamentos do café predominam

No ambiente macroeconômico, os investidores também monitoraram os desdobramentos das tensões entre Estados Unidos e Irã. A queda dos preços internacionais do petróleo ao longo do fim de semana ajudou a melhorar o sentimento dos mercados financeiros.

Apesar desse contexto, os fundamentos específicos do mercado cafeeiro continuaram sendo o principal direcionador das cotações. A evolução da colheita brasileira, a oferta disponível de grãos e a atuação dos fundos de investimento permaneceram no centro das atenções, sustentando tanto o café arábica quanto o robusta no mercado internacional.

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Com estoques ainda ajustados e comercialização cautelosa por parte dos produtores, o mercado segue acompanhando de perto o avanço da safra brasileira, fator que deverá continuar determinando o comportamento dos preços nas próximas semanas.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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