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Soja mantém preços firmes no Brasil apesar da queda em Chicago e avanço das vendas da safra 2025/26

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Em agosto, o preço da soja recuou na Bolsa de Chicago (CBOT) pelo segundo mês consecutivo, fechando a US$ 10,05 por bushel. A queda de 0,8% refletiu a ausência de compras chinesas nos Estados Unidos e a desvalorização do óleo de soja, que caiu quase 4% no mês.

Apesar desse cenário internacional, os prêmios de exportação sustentaram os preços no mercado interno brasileiro. Em Paranaguá, a saca valorizou 2,6%, chegando a R$ 140, enquanto em Sorriso (MT) a alta foi de 5,5%, para R$ 119. O prêmio em Paranaguá alcançou US$ 1,48 por bushel, bem acima da média de US$ 1,30 registrada nos últimos cinco anos para o período.

Safra 2025/26 impulsiona comercialização antecipada

A valorização dos contratos futuros estimulou o avanço da comercialização da safra 2025/26. Em agosto, os contratos de janeiro, março e julho de 2026 registraram altas entre 0,7% e 0,8%. Como resultado, cerca de 20% da produção projetada de 175 milhões de toneladas já foi vendida, o equivalente a aproximadamente 36 milhões de toneladas.

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Esse ritmo supera o observado em anos anteriores, embora ainda esteja abaixo dos 25% comercializados no mesmo período de 2024. A maior demanda chinesa e a atratividade dos prêmios foram fatores decisivos para esse movimento.

USDA revisa projeções e Pro Farmer traz estimativa menor

O relatório de agosto do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) trouxe ajustes importantes no balanço de oferta e demanda. A produtividade foi revisada de 3,5 para 3,6 toneladas por hectare, mas a área colhida caiu para 32,4 milhões de hectares (-2,9% em relação a julho). Com isso, a produção americana passou de 118 milhões de toneladas em julho para 116,8 milhões em agosto.

As exportações também foram reduzidas para 46,4 milhões de toneladas, enquanto os estoques finais ficaram em 7,9 milhões, apontando para um balanço mais apertado. Já o Pro Farmer Crop Tour projetou produtividade de 3,55 t/ha, o que levaria a produção para 115,6 milhões de toneladas, abaixo da estimativa do USDA.

Plantio deve começar mais cedo no Paraná e em Mato Grosso

No Brasil, o vazio sanitário já terminou em parte do Paraná, permitindo o início do plantio nos municípios do Norte, Noroeste, Centro-Oeste e Oeste. Para as demais regiões do estado, o período de restrição será encerrado entre 11 e 20 de setembro. O Departamento de Economia Rural (Deral) estima uma área de 5,8 milhões de hectares na safra 2025/26, crescimento de 0,6% frente ao ciclo anterior.

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Em Mato Grosso, o vazio foi encerrado em 6 de setembro. De acordo com o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (IMEA), a área cultivada deve crescer 1,7%, alcançando 13,1 milhões de hectares. Apesar de setembro começar com clima mais seco, as previsões indicam aumento das chuvas na segunda quinzena, o que pode antecipar o início da semeadura em relação ao ano passado.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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