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Soja oscila entre alta em Chicago e travamento no Brasil com pressão logística e cautela do mercado

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Soja sobe em Chicago impulsionada pelo óleo e recuperação técnica

Os preços da soja voltaram a subir na Bolsa de Chicago nesta quinta-feira (2), sustentados por um movimento de recuperação após as perdas recentes e pelo avanço dos contratos de óleo de soja. O derivado registrava alta superior a 1% no início do dia, influenciando diretamente o desempenho do grão, enquanto o farelo operava em leve queda.

Por volta das 7h40 (horário de Brasília), os principais vencimentos subiam entre 3,75 e 4,50 pontos. O contrato maio era cotado a US$ 11,72 por bushel, enquanto o julho atingia US$ 11,88.

No acumulado da semana, o complexo soja apresenta valorização generalizada, com ganhos próximos de 1,7% para o grão, acompanhando o desempenho positivo do óleo. O farelo também avançou nos últimos dias, embora com maior volatilidade.

Fundamentos e cenário global limitam avanços mais fortes

Apesar da recuperação, o mercado segue cauteloso. A alta é contida por movimentos de realização de lucros e pela atenção dos investidores a fatores fundamentais e externos.

Entre os principais pontos no radar estão:

  • Expectativa de aumento da área plantada nos Estados Unidos;
  • Condições climáticas no Corn Belt;
  • Comportamento da demanda chinesa;
  • Possíveis desdobramentos geopolíticos, especialmente no Oriente Médio;
  • Encontro previsto entre líderes da China e Estados Unidos em maio.
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Esse conjunto de fatores mantém o mercado firme no curto prazo, mas altamente sensível ao fluxo de notícias, garantindo volatilidade às cotações.

Mercado brasileiro enfrenta travamento com frete elevado

No Brasil, o mercado físico da soja iniciou abril com comportamento misto e ritmo lento de negociações. A combinação de custos logísticos elevados e ajustes técnicos no cenário internacional tem limitado a formação de preços.

Segundo a TF Agroeconômica, os contratos em Chicago chegaram a encerrar sessões recentes em leve baixa, pressionados principalmente pela queda expressiva do óleo de soja, que recuou mais de 2% em determinado momento, além de movimentos de realização de lucros.

Sul mantém preços estáveis com suporte da demanda e oferta restrita

Na região Sul, os preços apresentaram estabilidade, com destaque para:

  • Rio Grande do Sul: no porto de Rio Grande, a soja foi cotada a R$ 131,00, sustentada pelos prêmios de exportação. A oferta mais restrita, em função de perdas de produtividade, ajuda a manter os preços, embora o frete elevado limite os negócios.
  • Santa Catarina: o porto de São Francisco do Sul registrou cotação de R$ 132,00, com maior liquidez garantida pela demanda da agroindústria de proteína animal.
  • Paraná: o mercado permaneceu praticamente paralisado, refletindo o impacto direto do alto custo do diesel sobre o frete. A elevação dos custos logísticos ampliou a diferença entre os preços do interior e dos portos, desestimulando novas negociações.
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Centro-Oeste apresenta comportamento heterogêneo

No Centro-Oeste, o cenário foi mais variado:

  • Mato Grosso do Sul: apresentou oscilações pontuais entre diferentes praças;
  • Mato Grosso: registrou movimentos distintos, com quedas em regiões próximas aos principais corredores logísticos e leves altas em áreas com maior disputa por originação.
Início de abril indica mercado indefinido e produtores cautelosos

O início do mês evidencia um mercado ainda sem direção clara, marcado por baixa liquidez e negociações travadas. A ausência de estímulos mais consistentes nos preços, somada aos altos custos logísticos, mantém os produtores cautelosos, que seguem evitando avançar nas vendas.

Diante desse cenário, o mercado da soja continua dividido entre fundamentos positivos no exterior e entraves internos, o que deve sustentar um ambiente de volatilidade e decisões mais conservadoras no curto prazo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mapa apresenta Rgen+Sustentável na Feira Brasil na Mesa

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Neste sábado (25), na Feira Brasil na Mesa, realizada pela Embrapa em comemoração aos seus 53 anos, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou uma palestra detalhando a Política Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Recursos Genéticos para a Alimentação, a Agricultura e a Pecuária (Rgen+Sustentável).

Com o objetivo de conservar, valorizar e promover o uso sustentável dos recursos genéticos para a alimentação e a agricultura (RGAA), a política foi lançada em abril de 2025 e busca ampliar a base genética dos programas de melhoramento das instituições de pesquisa, além de fortalecer o conhecimento sobre esses recursos e contribuir para a segurança alimentar e nutricional. A iniciativa também atua como catalisadora do desenvolvimento científico e tecnológico no setor agrícola.

A política é estruturada para garantir a segurança alimentar nacional por meio da conservação e do uso sustentável da diversidade genética. São considerados recursos genéticos os materiais com valor atual ou potencial para uso direto ou indireto na alimentação e na agropecuária, incluindo espécies de plantas, animais, microrganismos e organismos intermediários.

Durante a apresentação, o representante da coordenação de Recursos Genéticos para a Alimentação e Agricultura do Departamento de Inovação do Mapa, Paulo Mocelin, destacou a importância estratégica do tema.

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Segundo Mocelin, embora o tema ainda não seja amplamente conhecido pelo público, ele é fundamental para o futuro da agropecuária. “O tema de recursos genéticos não é tão popular, mas traz elementos novos e essenciais para o desenvolvimento do setor. A Política Nacional é uma política de Estado, instituída pelo Decreto nº 12.097, de 2024, e tem como objetivo definir prioridades e estratégias para consolidar uma agenda de longo prazo voltada à conservação, valorização e uso sustentável da biodiversidade agrícola”, explicou.

Também ressaltou que a política está alinhada a compromissos internacionais, como a Convenção sobre Diversidade Biológica e o Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura.

“O Brasil é um país megadiverso, com grande variedade de espécies, biomas e ecossistemas. Temos um clima favorável à agropecuária, um sistema nacional de pesquisa robusto, com destaque para a Embrapa e instituições estaduais, além de uma legislação estruturada e parcerias internacionais consolidadas”, pontuou.

No âmbito das diretrizes de pesquisa e inovação, a política busca promover a conservação e o uso sustentável dos recursos genéticos, incentivar a adoção de novas tecnologias, sistematizar e disponibilizar informações científicas e fortalecer a articulação entre atores públicos e privados.

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Já em relação aos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) e ao Conhecimento Tradicional Associado (CTA), a iniciativa incentiva o intercâmbio de variedades tradicionais e raças localmente adaptadas, além de valorizar os saberes tradicionais e promover a participação social.

No eixo de informação e capacitação, estão previstas ações de divulgação da importância estratégica dos RGAA, articulação de redes nacionais e internacionais, formação de recursos humanos e ampliação do acesso a dados qualificados.

A política também se articula com iniciativas como a Rede Nacional de Pesquisa e Inovação em Genética Agrícola para Adaptação às Mudanças Climáticas (Readapta), que desenvolve projetos de melhoramento genético voltados a culturas como arroz, feijão, milho, soja, trigo e mandioca.

O Mapa é responsável pela definição e implementação dos planos de ação, pela estruturação da rede, pelo fomento à conservação e capacitação, além de incentivar pesquisas e inovações baseadas no uso sustentável dos recursos genéticos.

Informações à imprensa

[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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