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St. Francisville: história e natureza a um pulo de Nova Orleans

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St. Francisville: história e natureza a um pulo de Nova Orleans
Bárbara Ligero

St. Francisville: história e natureza a um pulo de Nova Orleans

A duas horas de Nova Orleans , St Francisville é uma boa base para conhecer as plantations grandes plantações de algodão e cana-de-açúcar que utilizavam trabalho escravo e existiam aos montes no sul dos Estados Unidos entre os séculos 18 e 19.

Os absurdos da época são bem retratados no filme vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2014, Doze Anos de Escravidão , que inclusive se passa no estado da Louisiana e foi baseado no livro de memórias homônimo escrito por Solomon Northup.

Até alguns anos atrás, as visitas às plantations focavam na vida de luxo que levavam os grandes proprietários de terra e pouco falava-se sobre escravidão. Aos poucos, os tours estão sendo modificados para enfatizar que a região prosperou às custas do trabalho não pago de mulheres e homens negros.

Um bom exemplo disso é a visita ao Audubon State Historic Site (US$ 10), que busca contar a história da Oakley Plantation, uma antiga plantação de algodão, sob o ponto de vista das quase 300 pessoas escravizadas que viveram ali – a maioria, trazida do Senegal, Gâmbia, Benin e outras regiões da África Central.

O ponto de partida é sim a “casa-grande”, como chamamos aqui no Brasil, mas o guia evidencia como a construção, em 1815, ficou a cargo dos escravizados Sud e Old Tin e chama atenção para o “ventilador” de madeira sobre a mesa de jantar, que tinha que ser puxado manualmente por uma pessoa escravizada para funcionar.

Audubon State, St Francisville, Estados Unidos
A Oakley House foi construída a mando do escocês James Pierre, proprietário da plantação de algodão Bárbara Ligero/Viagem e Turismo
Audubon State, St Francisville, Estados Unidos
Ventilador manual sobre a mesa de jantar, para refrescar e espantar moscas, era um luxo na época Bárbara Ligero/Viagem e Turismo

De lá, o tour segue por estruturas que ficavam espalhadas pela propriedade e revelam muito sobre o funcionamento de uma plantation , como a cozinha (que ficava do lado de fora da “casa grande”) e o celeiro.

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Um ponto que pode chamar atenção dos brasileiros é que nas plantations do sul dos Estados Unidos não havia senzalas ou outros tipos de alojamentos compartilhados. As pessoas escravizadas dividiam diferentes cabanas de madeira, com níveis variados de conforto a depender da função exercida.

O Audubon State preserva alguns exemplos de cabanas dos anos 1840 que são um dos grandes diferenciais da visita, já que a maioria dessas estruturas se perdeu com o tempo.

Audubon State, St Francisville, Estados Unidos
Cozinha ficava fora do casarão Bárbara Ligero/Viagem e Turismo
Audubon State, St Francisville, Estados Unidos
Cabana de 1840 provavelmente era ocupada por aqueles que trabalhavam na cozinha, devido à proximidade com a “casa-grande” Bárbara Ligero/Viagem e Turismo

Na região de St Francisville , outra antiga plantation que pode ser visitada é a Rosedown State Historic Site (US$ 12). A propriedade de mais de 1.400 hectares se dedicava ao cultivo de algodão e utilizava a força de trabalho de 250 pessoas escravizadas.

Estruturas como o celeiro e a cozinha ainda estão de pé, mas nessa plantation o enfoque acaba sendo mais nas ostentações da família de proprietários Turnbull, que mandou construir vastos jardins ornamentais inspirados nos estilos italiano, francês e inglês. É possível gastar um par de horas só explorando a área verde.

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Rosedown, St Francisville, Estados Unidos
Em Rosedown, casarão é cercado por vastos jardins Bárbara Ligero/Viagem e Turismo

O casarão em si, com ares de … E o Vento Levou (1939), foi construída em 1835 e preserva, além de móveis originais, elementos arquitetônicos muito inovadores para a época.

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Ali estão, por exemplo, alguns dos primeiros exemplares de armários embutidos. Chama atenção principalmente o armário embutido na lateral da lareira, onde ficavam guardados os cobertores – assim, as mantas ficavam quentinhas pelo calor do fogo.

Já em um dos banheiros, há uma espécie de chuveiro. A pessoa se posicionava dentro de uma bacia e debaixo de uma caixa, que era abastecida com água e amarrada em uma cordinha: para se molhar, bastava puxá-la.

Rosedown, St Francisville, Estados Unidos
Visita ao interior do casarão dá ideia de como viviam os barões do algodão Bárbara Ligero/Viagem e Turismo
Rosedown, St Francisville, Estados Unidos
Inovações em Rosedown: armários embutidos e chuveiro Bárbara Ligero/Viagem e Turismo

Outras atrações em St. Francisville

Depois de conhecer a vibrante Nova Orleans , dirigir por duas horas rumo a St. Francisville também é uma forma de conhecer um lado bem mais pacato do estado da Louisiana .

St Francisville é uma daquelas cidades perfeitinhas e interioranas que eu achava que só existissem na televisão. Até que eu me vi parada assistindo um jardineiro regar, uma a uma, as floreiras coloridas que decoram todos os postes da rua principal, a Ferdinand Street, enquanto eu esperava chegar o carrinho de golfe adaptado que circula pela cidade dando caronas gratuitas aos visitantes. Projac, é você?

St Francisville, Estados Unidos
Carrinho de golfe adaptado dá caronas pela cidade Bárbara Ligero/Viagem e Turismo

A bordo do carrinho, a graça é reparar nas casas históricas, ainda habitadas e uma mais linda que a outra. Dentre as mais bonitas, The Myrtles é também considerada um dos lugares mais mal-assombrados do país. É possível fazer um tour para conhecer a histórias sobrenaturais relacionadas ao casarão e até se hospedar nele: contei tudo sobre a visita nesta outra matéria .

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De volta ao centrinho, que corresponde à Ferdinand Street e à Commerce Street, a dica é circular a pé, para ir parando nas boutiques e lojas de antiguidades.

St Francisville, Estados Unidos
St Francisville: ruas arborizadas e casas históricas Bárbara Ligero/Viagem e Turismo

Para além das plantations e casas históricas, St. Francisville também possui opções de atividades na natureza.

O Afton Villa Gardens (US$ 12) é um belo cenário para uma caminhada: a propriedade possui oito hectares de jardins ornamentais, decorados com esculturas trazidas da Sicília, e as ruínas de uma mansão dos anos 1850 que foi destruída por um incêndio na década de 1960. A propriedade só abre para visitação de 1º de março a 1º de julho e de 1º de outubro a 1º de dezembro.

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Afton Villa Gardens, St Francisville, Estados Unidos
O Afton Villa Gardens combina ruínas e jardins ornamentais Bárbara Ligero/Viagem e Turismo

Já a Mary Ann Brown Nature Preserve (entrada gratuita) é uma área de preservação recortada por trilhas onde não raro são avistados cervos, coelhos e castores, além das muitas tartarugas que vivem no lago.

Mary Ann Brown Nature Preserve, St Francisville, Estados Unidos
A Mary Ann Brown Nature Preserve guarda várias opções de trilhas Bárbara Ligero/Viagem e Turismo

Outro famosa atração da região é a trilha até Cat Island (entrada gratuita), que passa por um bayou – termo geográfico que designa uma espécie de “pântano” comum na Louisiana . O caminho leva a uma das maiores árvores dos Estados Unidos . Trata-se de um exemplar da espécie bald cypress (algo como “cipestre-calvo”, em português), que tem 25 metros de altura e 17 de diâmetro. O percurso é relativamente fácil, mas pode estar com pontos de alagamento e árvores caídas dependendo das chuvas: informe-se na sua pousada antes de ir.

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Cypress, St Francisville, Estados Unidos
O meu tamanico perto da gigantesca cypress tree Bárbara Ligero/Viagem e Turismo

Onde se hospedar em St. Francisville

A hospedagem mais famosa é sem dúvidas a The Myrtles , cujo casarão principal é tido como um dos lugares mais mal-assombrados dos Estados Unidos . Para quem não se atreve, na mesma propriedade há chalés e vilas bem charmosos. Conto a minha experiência por lá nesta matéria .

Mas o que não falta na cidade é opção de pousada em construção histórica. O St Francisville Inn ocupa uma casa em estilo vitoriano de 1880 que foi totalmente renovada por dentro. Com spa e restaurante, é uma das opções mais sofisticadas do pedaço.

Já a Greenwood Plantation B&B , de 1830, é um belo exemplo da arquitetura colonial e já serviu de cenário para filmes. St. Francisville também tem uma unidade do básico Best Western .

St Francisville Inn, Estados Unidos
St Francisville Inn tem localização central e muito charme Bárbara Ligero/Viagem e Turismo

Onde comer em St. Francisville

As opções gastronômicas ficam principalmente entre a Ferdinand Street e a Commerce Street. O Magnolia Café é um favorito dos locais: é para lá que meia cidade vai depois da missa de domingo. Do outro lado da rua, o Cafe Petra serve culinária grega e libanesa e, um pouco mais adiante, o Big River Pizza Company é o que há de mais moderninho na cidade – o estabelecimento recém-inaugurado serve pizzas em estilo napolitano e tem até um bar speakeasy. Um pouco mais distante, o The Francis Southern Table serve pratos típicos da Louisiana , como gumbo, po’boy e ostras recheadas.

Magnolia Cafe, St Francisville, Estados Unidos
Magnolia Cafe é queririnho em St Francisville Bárbara Ligero/Viagem e Turismo

Leia tudo sobre Nova Orleans

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Fonte: Turismo

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Do doce de cacto ao tucupi negro: Salão do Turismo transforma Fortaleza em uma viagem pelos sabores do Brasil

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Quem visitou o Salão do Turismo, em Fortaleza, conseguiu viajar pelo Brasil sem sair do Centro de Eventos do Ceará. Bastava seguir o cheiro do café do Espírito Santo, experimentar um doce de cacto da Paraíba, provar uma geleia de torresmo de Santa Catarina ou descobrir aromas amazônicos no estande do Amapá. Ao longo dos três dias de evento, a gastronomia virou uma das principais experiências do Salão.

Realizado pelo Ministério do Turismo (MTur), pela primeira vez no Nordeste, o evento reuniu os 26 estados e o Distrito Federal em uma programação que conectou turismo, cultura, artesanato e sabores regionais.

Sabores com histórias

No estande da Paraíba, um dos produtos que mais despertou curiosidade foi o doce de palma, preparado a partir do cacto usado tradicionalmente na alimentação animal no sertão. Na culinária local, o ingrediente ganhou coco e virou sobremesa típica.

“É algo surpreendente pra quem prova pela primeira vez”, contou José Orlando, interlocutor de turismo de São José de Princesa. O município também apresentou trilhas, restaurantes típicos e experiências ligadas ao turismo rural e quilombola.

No espaço do Amapá, a proposta foi apresentar a chamada “culinária do meio do mundo”, marcada por ingredientes amazônicos e técnicas tradicionais da região. Entre os destaques estavam sobremesas feitas com cumaru, conhecido como a “baunilha da Amazônia”, além de pratos elaborados com tucupi negro, peixes regionais e castanha-do-brasil.

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“A floresta nos dá aromas, sabores e cores únicos. A gente trabalha com produtos da região e valoriza técnicas locais”, explicou Sandro Belo, presidente da Abrasel, no Amapá.

Já Santa Catarina apostou em produtos típicos do Vale Europeu, como bala de banana, geleias artesanais, salames italianos e até uma geleia feita à base de torresmo moído, tradição ligada à imigração europeia e à agricultura familiar do estado.

Vitrine nacional para pequenos produtores

No Armazém da Agricultura Familiar, pequenos produtores, de diferentes regiões do país, apresentaram doces, pimentas, queijos, molhos artesanais, cachaças e produtos típicos do Cerrado e do sertão nordestino.

Do Ceará, Katiuce Guerreiro levou produtos de um grupo que trabalha com turismo de base comunitária e sítios arqueológicos. “Quando a gente participa de um evento desse tamanho, o produto deixa de ser conhecido só localmente e passa a ter visibilidade nacional”, afirmou.

Já a Cooperativa Floryá, de Goiás, chamou atenção por causa dos sabores do Cerrado, como molhos artesanais, pastas de baru, mel de flor de laranjeira, cachaças e produtos feitos a partir de ingredientes típicos da região. 

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A história das produtoras também se destacou: formada exclusivamente por mulheres, a iniciativa nasceu durante a pandemia, quando agricultoras da região passaram a enfrentar dificuldades para comercializar os alimentos.

“A gente começou com um delivery de cestas básicas porque tinha produção parada e famílias passando necessidade. Depois, as mulheres perceberam que podiam produzir, vender e conquistar independência financeira”, contou Ana Caroline, gerente de projetos de inclusão da cooperativa.

Salão do Turismo

Realizado pela primeira vez no Nordeste, em Fortaleza, o 10º Salão do Turismo reuniu representantes dos 26 estados e do Distrito Federal em uma programação voltada à promoção de destinos, experiências e negócios. Ao longo de três dias, o evento promoveu palestras, rodadas de negócios, apresentações culturais, espaços gastronômicos e exposições de artesanato, além de debates sobre inovação, sustentabilidade, conectividade aérea, turismo de base comunitária e estratégias para o setor. 

A edição também marcou o fortalecimento das políticas de incentivo ao turismo interno e da integração entre poder público, iniciativa privada e comunidades locais, reforçando o papel do turismo como motor de desenvolvimento econômico, geração de emprego e valorização da diversidade brasileira.

Por Natália Moraes
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

Fonte: Ministério do Turismo

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