Agro News

Startup brasileira cria tecnologia que converte motores a diesel para etanol e eleva potência em 28%

Publicado

Inovação nacional promete revolucionar o uso de biocombustíveis

A startup brasileira E-Oxy, com sede em Lençóis Paulista (SP), desenvolveu uma tecnologia pioneira que converte motores a diesel para o uso de etanol, transformando o sistema do ciclo Diesel para o ciclo Otto.

Além de eliminar praticamente todas as emissões de CO₂, a solução oferece aumento de até 28% na potência e 13% no torque, além de redução de cerca de 30% nos custos operacionais, devido ao menor preço e à eficiência energética do etanol.

Conversão mantém o bloco original do motor

Segundo a E-Oxy, a tecnologia pode ser aplicada a qualquer tipo de motor a diesel, desde veículos urbanos — como picapes, SUVs e ônibus — até máquinas agrícolas e caminhões.

O processo de conversão mantém o bloco original do motor e adiciona velas de ignição, bicos injetores compatíveis com etanol e um sistema eletrônico de gerenciamento inteligente, o E-Oxy Smart Control, que controla a partida e o funcionamento do motor.

Testes comprovam ganhos de potência e eficiência

Durante a apresentação da tecnologia, a E-Oxy realizou testes práticos e ensaios em dinamômetro para comprovar o desempenho da conversão.

Leia mais:  Entenda como o glifosato age nas plantas daninhas e por que seu uso requer conhecimento técnico

Um motor de 6,8 litros instalado em um trator John Deere 6068 foi apresentado em funcionamento, e um motor Cummins Série C 8.3 convertido demonstrou ganhos de 28% na potência e 13% no torque, reforçando o potencial da solução para máquinas agrícolas e veículos pesados.

Redução significativa de emissões de carbono

A empresa também avaliou o impacto ambiental da tecnologia, especialmente nas cadeias produtivas que dependem fortemente do diesel, como as indústrias de celulose, agricultura de grãos e setor sucroenergético.

De acordo com a E-Oxy, o agronegócio brasileiro — que produz açúcar, etanol, aguardente e energia de biomassa — consome anualmente entre 2,5 e 3 bilhões de litros de diesel, considerando as etapas de preparo do solo, colheita e transporte em aproximadamente 8,5 milhões de hectares.

Etanol: combustível limpo e estratégico para o agro

O etanol é considerado um combustível renovável e de baixo impacto ambiental, já que o CO₂ liberado na queima é praticamente reabsorvido pela cana-de-açúcar durante o cultivo.

Contudo, entre 70% e 80% das emissões totais do ciclo produtivo ainda vêm de atividades agrícolas e logísticas movidas a diesel — como tratores, colheitadeiras, caldeiras e caminhões. A conversão proposta pela E-Oxy busca neutralizar essa parcela, aproximando o setor de uma produção carbono zero.

Leia mais:  Mapa diz que acabou com o foco de Newcastle no Rio Grande do Sul
Próximos passos e testes de campo

A startup informou que está em negociação com parceiros e investidores interessados na tecnologia e que pretende realizar testes de campo em diferentes aplicações antes do lançamento comercial do sistema.

Segundo a empresa, o objetivo é validar o desempenho do motor convertido em larga escala, abrindo caminho para uma transição energética sustentável e acessível ao agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

publicidade

Agro News

Greening, safra menor e queda no consumo pressionam o setor brasileiro

Publicado

A citricultura brasileira chega à safra 2026/27 pressionada por três problemas simultâneos: quase metade das laranjeiras do principal cinturão produtivo está contaminada pelo greening, a produção deve cair cerca de 10% e o consumo mundial de suco perdeu força depois de anos de preços elevados. Embora continue líder global, o Brasil precisa controlar a doença e ampliar mercados para evitar uma pressão maior sobre produtores e indústrias.

A primeira reestimativa do Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus) aponta uma produção de 263,15 milhões de caixas de 40,8 quilos em São Paulo e no Triângulo e Sudoeste de Minas Gerais. O volume equivale a aproximadamente 10,7 milhões de toneladas de laranja.

A projeção ficou 3,1% acima da estimativa inicial, divulgada em maio, mas ainda representa uma queda de cerca de 10% diante das 292,94 milhões de caixas colhidas na temporada 2025/26. A recuperação sobre a primeira previsão ocorreu principalmente porque os frutos ganharam peso com as chuvas.

Entre maio e agosto, o cinturão citrícola recebeu 210 milímetros de chuva, volume 51% superior à média histórica do período. O peso médio estimado passou de 160 para 166 gramas por fruto, reduzindo de 255 para 246 o número de laranjas necessário para completar uma caixa.

O efeito positivo da chuva, porém, não elimina os riscos. A colheita está mais lenta e os frutos permanecem por mais tempo nas árvores, expostos a pragas, doenças e queda prematura. Até meados de agosto, apenas 27% da produção prevista havia sido retirada dos pomares.

Leia mais:  Brigadistas do Ibama e ICMBio participam do desfile de 7 de setembro em Brasília

A taxa média de queda dos frutos foi elevada de 23,7% para 24,1%. Nas variedades tardias, que ainda têm grande parte da produção no campo, a perda projetada chega a 27,3% para Valência e Folha Murcha e a 30,9% para a variedade Natal.

O greening permanece como o maior problema da atividade. O levantamento mais recente sobre a doença mostrou que 47,6% das laranjeiras do cinturão citrícola estavam contaminadas em 2025. A severidade média também aumentou, passando de 18,7% para 22,7% da copa das plantas.

Transmitido pelo psilídeo, um pequeno inseto, o greening não tem cura. A doença reduz a produtividade, provoca queda precoce e produz frutos menores, deformados e amargos. O controle exige monitoramento frequente, combate ao inseto transmissor e eliminação das plantas doentes, especialmente em regiões onde a incidência ainda é baixa.

Na safra 2025/26, o greening foi responsável pela perda estimada de 49,59 milhões de caixas. A doença respondeu sozinha por 13 pontos percentuais da taxa total de queda de 23,2% registrada naquele ciclo.

A pressão não está restrita aos pomares. Depois de quatro anos de resultados elevados, o mercado internacional entrou em uma fase de ajuste. As exportações brasileiras de suco de laranja somaram 746,9 mil toneladas na safra 2025/26, praticamente o mesmo volume da temporada anterior, mas a receita caiu aproximadamente 30%.

Leia mais:  Brasil amplia produção de biocombustíveis sem comprometer segurança alimentar, aponta setor

Os preços elevados das safras anteriores levaram parte dos consumidores a substituir o suco de laranja por bebidas mais baratas. Problemas de qualidade provocados pelo clima e pelo greening também afetaram o mercado. Na Europa, principal destino histórico do produto brasileiro, o volume adquirido caiu 10,9%. No Japão, a retração chegou a 28,6%.

O aumento das chuvas nesta temporada favoreceu o tamanho das laranjas, mas poderá reduzir a concentração de sólidos solúveis, medida pelo índice brix. Para a indústria, isso significa que pode ser necessário processar mais caixas para obter a mesma quantidade de suco concentrado, reduzindo parte do ganho trazido pelo maior peso dos frutos.

A busca por novos compradores tornou-se, portanto, uma necessidade para equilibrar a cadeia. O produto brasileiro não enfrenta grandes restrições sanitárias, mas encontra tarifas elevadas em mercados com potencial de consumo, como Japão, Coreia do Sul e Índia. A redução dessas barreiras poderia ampliar os destinos e diminuir a dependência de poucos compradores.

Maior produtora mundial de laranja e líder na exportação de suco, a citricultura brasileira mantém escala, tecnologia e capacidade industrial. O desafio agora é impedir que o avanço do greening, a queda da produtividade e o enfraquecimento do consumo reduzam a rentabilidade de uma cadeia que depende de investimentos contínuos para renovar pomares e manter a produção.

Fonte: Pensar Agro

Continue lendo

Mais Lidas da Semana