Agro News

Surpresa: Nasda apoia o tarifaço e cobra Brasil no Congresso Mundial da Carne em Cuiabá

Publicado

O primeiro dia do World Meat Congress (WMC) 2025, que está sendo realizado em Cuiabá, foi agitado por uma fala que surpreendeu o público do agronegócio: Ted McKinney, CEO da Associação Nacional de Departamentos Estaduais de Agricultura dos EUA (Nasda), manifestou apoio direto à política de tarifas comerciais defendida pelo ex-presidente Donald Trump,  o chamado “tarifaço”.

Segundo ele, esse modelo é uma forma de garantir o que chama de “comércio justo” nas negociações internacionais. Para os brasileiros, vale atenção ao significado desse discurso. McKinney destacou que o etanol de cana do Brasil entra facilmente em estados americanos, mas o etanol de milho dos EUA encontra obstáculos para ser importado pelo Brasil. Na visão dele, falta reciprocidade, e por isso apoia o uso de tarifas para pressionar parceiros como o Brasil a abrir melhor o mercado para o produto americano.

O executivo chegou a dizer que não vê problema em retribuir o acesso dado ao produto brasileiro vendendo o etanol americano por aqui e usar medidas como o tarifamento para garantir essa troca igual.

No papel, “comércio justo” parece equilibrar as condições entre países. Na prática, para o produtor brasileiro, esse conceito pode trazer riscos de aumento de tarifas sobre exportações ou uma pressão para abrir ainda mais as portas ao produto americano, o que pode elevar a concorrência interna e dificultar a vida do setor nacional.

O discurso norte-americano, defendido por McKinney, busca proteger os interesses dos agricultores dos EUA, podendo afetar a competitividade brasileira nas exportações e também mexer na dinâmica do mercado interno.

Além disso, o CEO da Nasda defendeu uma atuação conjunta do Brasil e dos EUA para acelerar a liberação de novas variedades de grãos transgênicos pela China, ressaltando que as barreiras impostas por Pequim atrasam as inovações de ambos os países. Para ele, o entrave é político, não de segurança alimentar—e precisa ser superado com pressão dos dois lados.

Leia mais:  China impulsiona vendas e Brasil atinge recorde histórico de exportação de soja

Na avaliação do setor, o pronunciamento de McKinney deixa claro o posicionamento dos Estados Unidos: buscam acordos que beneficiem seus produtores e não hesitam em recorrer a “tarifaços” ou cobranças diretas para equilibrar (ou dificultar)o acesso aos mercados.

Para o Brasil, isso significa que é fundamental acompanhar atentamente as negociações internacionais e se preparar para um ambiente comercial cada vez mais competitivo e sujeito a pressões externas.

Para o presidente do Instituto do Agronegócio (IA), Isan Rezende (foto) isso serve de exemplo de como os EUA protegem seus produtores. “A declaração do CEO da Nasda mostra claramente uma postura dos Estados Unidos na defesa dos interesses do seu produtor. Eles enxergam o comércio como uma via de mão dupla e, quando percebem falta de reciprocidade, não hesitam em recorrer a instrumentos como tarifas para equalizar forças. Para o Brasil, isso acende um alerta: precisamos estar atentos às exigências do nosso principal parceiro comercial e também de políticas que protejam nossos produtores”.

“É importante entender que o chamado ‘comércio justo’ pelo olhar americano visa criar condições iguais para quem exporta, mas, na prática, pode dificultar a entrada dos produtos brasileiros no mercado externo e gerar uma concorrência ainda mais acirrada dentro do Brasil. Se não houver diálogo e negociação firme, podemos perder espaço e competitividade, especialmente no setor de etanol e carnes”, lembrou Rezende.

Para o presidente do IA, o Brasil deve se preparar cada vez mais para essa pressão internacional, investindo em tecnologia, qualidade e alinhamento regulatório. “Não se trata apenas de ceder ou resistir, mas de construir estratégias, ampliar mercados e garantir a sustentabilidade da produção agropecuária nacional diante de um cenário global cada vez mais protecionista”, completou.

Leia mais:  Ministro André de Paula acompanha primeira-dama em visita a PE e AL

PROGRAMAÇÃO – O WMC segue até amanhã, reunindo cerca de 600 representantes do setor, de mais de 20 países. O objetivo do encontro é promover a integração do Brasil à cadeia global de proteína animal, com debates essenciais para quem atua no agro.

Hoje, a programação do World Meat Congress em Cuiabá traz debates sobre rastreabilidade, sanidade e produção sustentável, com participação de especialistas de diversos países. Os painéis discutem também tendências do mercado mundial, estratégias de exportação e uso de tecnologia para agregar valor à proteína animal brasileira. Entre os destaques, estão rodadas de negócios e palestras voltadas para inovação e segurança alimentar.

Programação desta quarta (29):

  • Debates sobre o futuro da carne, com foco em ciência, sustentabilidade e inovação.

  • Painéis sobre nutrição, rastreabilidade, sanidade animal e produção sustentável.

  • Rodadas de negócios, aproximação entre produtores, exportadores e entidades do setor.

  • Tendências globais de consumo e perspectivas de mercado internacional.

Amanhã, no encerramento do congresso, os fóruns abordam estratégias para ampliar o acesso da carne brasileira ao mercado internacional, além de temas como biotecnologia, bem-estar animal e novas parcerias comerciais. O dia promete importantes discussões entre lideranças do setor, produtores e representantes do governo, focando as oportunidades e desafios para o futuro do agronegócio nacional.

Quinta-feira (30):

  • Fóruns sobre estratégias para ampliar exportações e segurança alimentar.

  • Discussões sobre novas tecnologias, biotecnologia, bem-estar animal e desenvolvimento de produtos.

  • Participação de pesquisadores, líderes de organizações internacionais e representantes governamentais.

  • Visitas técnicas e networking para parcerias e acordos comerciais.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Agrishow 2026 registra R$ 11,4 bilhões em negócios e queda de 22% reflete cenário desafiador do agro

Publicado

A Agrishow encerrou sua 31ª edição com R$ 11,4 bilhões em intenções de negócios, resultado que representa uma queda de 22% em relação ao ano anterior. O desempenho reflete o atual momento do mercado de máquinas agrícolas, pressionado por juros elevados, volatilidade cambial e preços menos favoráveis das commodities.

Apesar da retração nos negócios, o evento manteve forte presença de público, reunindo 197 mil visitantes ao longo de cinco dias, volume semelhante ao registrado na edição anterior. No feriado de 1º de maio, último dia da feira, a organização antecipou a abertura dos portões para atender à alta demanda.

Cenário econômico impacta vendas de máquinas

De acordo com a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o resultado acompanha o desempenho do setor ao longo do ano. No primeiro trimestre de 2026, as vendas internas de máquinas e equipamentos agrícolas registraram queda de 19,9% na comparação com o mesmo período de 2025.

Entre os principais fatores que explicam o recuo estão:

  • Taxas de juros elevadas
  • Oscilações no câmbio
  • Queda na rentabilidade de algumas commodities
Leia mais:  Seguro rural: notificação prévia e provas técnicas são essenciais para garantir indenização ao produtor

Esse conjunto de variáveis tem reduzido o ritmo de investimentos por parte dos produtores, especialmente em bens de maior valor agregado.

Resiliência do agro sustenta investimentos

Mesmo diante do cenário desafiador, lideranças do setor destacam a continuidade dos investimentos e a confiança no potencial do agronegócio brasileiro.

A avaliação é de que o momento atual faz parte de um ciclo mais adverso, comum ao setor, mas que não compromete as perspectivas de médio e longo prazo. A agricultura brasileira segue sendo vista como um dos principais motores da economia nacional.

Tecnologia e inovação seguem como prioridade

A edição de 2026 da Agrishow reforçou a busca por soluções tecnológicas voltadas à produtividade, eficiência e sustentabilidade. Máquinas mais modernas, sistemas de irrigação e soluções de armazenagem continuaram no centro das atenções, indicando que a inovação permanece como prioridade estratégica.

Perspectiva para o setor

A expectativa do mercado é de recuperação gradual à medida que fatores macroeconômicos, como juros e câmbio, se estabilizem. O comportamento das commodities também será determinante para destravar novos investimentos.

Leia mais:  Valor Bruto da Produção de café no Brasil deve crescer 170% em dez anos

Enquanto isso, o desempenho da Agrishow evidencia um setor que, mesmo pressionado, mantém sua capacidade de adaptação e segue preparado para aproveitar os próximos ciclos de crescimento do agronegócio brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana