Política MT

Uma menina de 11 anos e o racismo que continua sangrando neste país

Publicado

Vivemos tempos que exigem coragem para encarar verdades que, por muito tempo, foram ignoradas ou disfarçadas. No último dia 11, uma menina de 11 anos foi chamada de “macaca” por um colega dentro de uma escola municipal na Zona Leste de São Paulo. Quando a irmã mais velha foi ao aluno para defendê-la, levou um soco na boca. Na Escola Municipal Forte dos Reis Magos, em São Mateus, zona leste da capital paulista, estudantes colocaram cartazes nos portões em protesto, porque palavras, às vezes, são o único escudo que crianças têm.

Esse caso não é uma exceção. É um espelho.

Ele escancara o que muitos ainda insistem em negar. O racismo segue presente, atuante e perigosamente naturalizado, inclusive entre crianças, dentro de salas de aula, em espaços que deveriam ser de acolhimento e formação. Se uma menina de 11 anos já carrega esse peso, algo profundo está errado na forma como construímos nossa sociedade.

O racismo no Brasil não se manifesta apenas em agressões explícitas. Ele se revela nos olhares desconfiados, nas oportunidades negadas, nas piadas “inofensivas” e nas estruturas que, silenciosamente, excluem. É uma violência que se infiltra no cotidiano e, por isso, muitas vezes passa despercebida e, especialmente por quem não é seu alvo.

Leia mais:  Lei proposta pelo deputado Dr. João eterniza nome de Celeste Sansão na MT-343

Não podemos esquecer que somos um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão. Foram mais de três séculos de exploração e desumanização que não desapareceram com a assinatura de uma lei. Suas consequências ainda estão vivas, refletidas nas disparidades sociais, no acesso desigual à educação, à saúde, ao mercado de trabalho e à justiça. No Brasil, 57% da população é negra, e essa maioria ainda enfrenta, diariamente, o peso de um passado que o país insiste em não assumir. Negar o racismo é negar a própria história.

O Brasil avançou na legislação. A Constituição de 1988 tornou o racismo crime inafiançável e imprescritível, e em 2023 a Lei 14.532 equiparou a injúria racial ao crime de racismo, endurecendo as punições. Aqui em Mato Grosso, temos feito nossa parte. Instituímos por lei o Dia Estadual de Tereza de Benguela e da Mulher Negra — homenagem à rainha quilombola que, no século XVIII, liderou a resistência negra e indígena no Quilombo do Quariterê, em nosso próprio Estado.

Em 2025, foi promulgada a Lei nº 12.856, que criou o Fundo Estadual da Promoção da Igualdade Racial, destinado a financiar ações concretas voltadas às populações negra, indígena e outras etnias vulneráveis. São avanços reais, conquistados com trabalho. Mas legislar não basta enquanto a mentalidade social não acompanha o texto da lei.

Leia mais:  Comissão de Segurança Pública visitará sistema prisional em quatro cidades

É preciso mais. Educação antirracista desde a infância, dentro das próprias escolas onde essa violência acontece. Políticas públicas que reparem desigualdades históricas. E coragem individual para não silenciar diante da discriminação, porque o silêncio, nesses casos, também é conivência.

O racismo não é um problema apenas de quem sofre com ele. É um problema de todos nós. Enquanto uma criança precisar de cartazes nos portões da escola para dizer que merece respeito, não poderemos falar em democracia plena.

O desafio está posto. Exige mais do que indignação: exige consciência, responsabilidade e ação.

*Max Russi é deputado (Pode), presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso.

Fonte: ALMT – MT

Comentários Facebook
publicidade

Política MT

Processos sobre limites municipais iniciados na ALMT avançam para plebiscitos

Publicado

Dois processos de alteração de limites municipais conduzidos pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT) avançaram nesta quinta-feira (13), com a aprovação, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MT), dos plebiscitos que ouvirão eleitores de Primavera do Leste, Poxoréu, Cotriguaçu e Colniza.

A consulta ocorrerá em 25 de outubro, juntamente com o segundo turno das Eleições Gerais de 2026. Poderão participar os eleitores regularmente inscritos nos quatro municípios e aptos a votar nas Eleições Gerais de 2026.

A decisão do TRE-MT dá continuidade aos trabalhos iniciados na ALMT pela Comissão de Revisão Territorial dos Municípios e das Cidades, que envolveram análise técnica, elaboração de Estudos de Viabilidade Municipal (EVM) e discussão das propostas. A convocação dos plebiscitos foi formalizada por meio de decretos legislativos publicados em 22 de julho.

Os resultados das consultas populares serão consolidados no âmbito da apuração das Eleições Gerais de 2026 e homologados pela Justiça Eleitoral. Caso as alterações territoriais sejam aprovadas, o processo retornará à Assembleia Legislativa, que deverá analisar projeto de lei para estabelecer os novos limites dos municípios envolvidos.

Leia mais:  Produtores rurais recebem informações sobre o programa Solo Vivo

Orientações – Em Primavera do Leste e Poxoréu, segundo o TRE-MT, a pergunta apresentada aos eleitores será: “Você é favorável ao desmembramento do Distrito de Nova Poxoréu do Município de Poxoréu e à sua incorporação ao Município de Primavera do Leste?”

Já em Cotriguaçu e Colniza, a pergunta será: “Você é favorável ao desmembramento das ‘Ilhas de Ocupação’ do Projeto de Assentamento Nova Cotriguaçu do Município de Colniza e à sua incorporação ao Município de Cotriguaçu?”.

Em ambos os casos, o eleitor poderá votar “sim” ou “não”, sendo os números 1 e 2 definidos por sorteio em sessão do Tribunal. Votos em branco e nulos não serão computados no resultado final.

Assim como nas eleições, a participação é obrigatória para eleitores maiores de 18 e menores de 70 anos e facultativa para analfabetos, pessoas com mais de 70 anos e jovens de 16 e 17 anos.

Estudos de Viabilidade – Como parte do processo conduzido pela ALMT, foram elaborados os Estudos de Viabilidade Municipal referentes às duas propostas de alteração territorial. Os documentos analisam aspectos econômicos e fiscais, infraestrutura e prestação de serviços públicos, além de questões urbanísticas e sociais.

Leia mais:  Comissão de Segurança Pública visitará sistema prisional em quatro cidades

Os estudos sobre o distrito de Nova Poxoréu e sobre as Ilhas de Ocupação do Projeto de Assentamento Nova Cotriguaçu estão disponíveis para consulta no site da ALMT.

A realização dos plebiscitos segue as regras previstas na Lei Complementar nº 230/2026 e em normas estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Fonte: ALMT – MT

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana