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União Europeia ameaça exportações de carne bovina e acende alerta na pecuária de Mato Grosso do Sul

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A possível suspensão das exportações de carne bovina brasileira para a União Europeia colocou a cadeia pecuária de Mato Grosso do Sul em estado de atenção. A medida, anunciada nesta semana pelo bloco europeu, pode representar perdas de aproximadamente US$ 126 milhões para o estado, segundo estimativas baseadas nos dados de Comércio Exterior de Mato Grosso do Sul em 2025.

O impasse envolve novas exigências relacionadas ao uso de antimicrobianos na produção animal. Caso o Brasil não apresente garantias formais até o próximo dia 3 de setembro, a restrição poderá entrar em vigor, afetando diretamente um dos mercados mais rentáveis para a carne bovina premium brasileira.

De acordo com dados da Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Semadesc), a carne bovina responde por cerca de 10% das exportações sul-mato-grossenses destinadas à União Europeia, atualmente o segundo principal parceiro comercial do estado, atrás apenas da Ásia.

Em 2025, Mato Grosso do Sul exportou mais de 14 mil toneladas de carne bovina para países europeus, com destaque para a Itália, terceiro maior destino das exportações estaduais. Embora produtos como celulose e soja liderem o volume financeiro das vendas externas ao continente europeu, a proteína animal é o segmento mais impactado pelas novas regras sanitárias relacionadas aos antimicrobianos.

Mercado interno fragilizado amplia preocupação do setor

A possível perda do mercado europeu ocorre em um momento delicado para a pecuária brasileira. Segundo lideranças do setor, a demanda doméstica segue pressionada pelo baixo poder de compra da população, enquanto os custos de reposição do rebanho permanecem elevados.

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O pecuarista Alessandro Coelho afirma que o acesso ao mercado europeu é estratégico justamente pelo alto valor agregado pago ao produto brasileiro.

“Estamos com demanda interna enfraquecida e custos de reposição em patamares históricos. O mercado europeu é extremamente exigente, mas remunera muito bem a carne que consegue acessar aquele destino”, destaca.

Para o produtor, a saída precisa ser baseada em critérios técnicos e não em exigências generalizadas para toda a cadeia produtiva.

“Não faz sentido impor custos inviáveis para todos os produtores indistintamente. O setor precisa avançar em uma classificação que permita individualizar quem já atende aos protocolos. Mato Grosso do Sul possui uma das pecuárias mais eficientes do país e, com remuneração adequada, o produtor se adapta rapidamente às exigências internacionais”, defende.

Acordo Mercosul-União Europeia entra em momento sensível

A decisão europeia também surge em meio às negociações finais do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, ampliando a insegurança no setor exportador.

Na avaliação da Associação Pantaneira de Pecuária Orgânica (ABPO), o tema já vinha sendo debatido, mas a proximidade da possível sanção surpreendeu os produtores.

Segundo o diretor-executivo da entidade, Guilherme Oliveira, parte dos pecuaristas do estado já trabalha dentro de protocolos sustentáveis compatíveis com as exigências internacionais.

“Os produtores ligados à associação já adotam sistemas que não utilizam esses aditivos. O grande desafio agora é incorporar oficialmente a rastreabilidade nutricional dentro dos mecanismos de certificação”, afirma.

Oliveira ressalta ainda que os impactos deverão atingir principalmente a indústria de nutrição animal, exigindo mudanças nos suplementos utilizados nas propriedades rurais.

“O produtor terá que optar por alternativas livres desses antimicrobianos, e muitas delas já existem no mercado, inclusive com custos competitivos”, explica.

Rastreabilidade nutricional ganha protagonismo na pecuária

Entre os principais pontos de discussão está o uso de aditivos nutricionais como a Monensina, amplamente utilizada na pecuária intensiva como promotora de desempenho animal.

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Segundo o médico veterinário Renan Maciel, do Grupo Aliança, esses compostos atuam diretamente no rúmen bovino, melhorando a eficiência alimentar e reduzindo a emissão de gases de efeito estufa.

“A nutrição moderna não busca apenas ganho de peso, mas eficiência biológica e ambiental. Esses aditivos otimizam a fermentação ruminal, permitindo melhor conversão alimentar e menor emissão de gases. O desafio agora será inserir toda essa ciência dentro da rastreabilidade oficial, com laudos, receituários veterinários e comprovação documental”, explica.

Maciel avalia que o novo cenário exigirá uma gestão ainda mais rigorosa dentro das propriedades rurais, especialmente porque a carne bovina continua sendo uma commodity, com preços determinados pelo mercado internacional.

“Produzir mais arrobas por hectare, manter elevados índices reprodutivos e garantir controle documental impecável será fundamental para que Mato Grosso do Sul continue acessando os mercados que melhor remuneram a carne bovina brasileira”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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“A proteína animal é a que menos impacta o meio ambiente”, afirma Edipo Araujo, ao discursar no Seminário do Plano Safra em Santa Catarina

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Ao participar nesta quinta-feira (13) do Seminário Estadual do Plano Safra, em São José (SC),  o ministro da Pesca e Aquicultura, Edipo Araujo, destacou: “O Pronaf Azul nasce com a perspectiva de dar visibilidade a esses pescadores e aquicultores. Dando também uma maior visibilidade para a proteína animal que menos impacta o meio ambiente com emissão de gases do efeito estufa”. O encontro integrou a agenda do ministro no estado, que reuniu informações sobre políticas de crédito voltadas às atividades da pesca e da aquicultura. Foi realizada a apresentação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – Pronaf Azul para aquicultores e pescadores. 

 Dados da produção pesqueira e aquícola que foram divulgados no evento:  

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Um dos destaques da programação foi a apresentação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – Pronaf Azul, iniciativa que reúne as principais linhas para os pescadores artesanais e aquicultores familiares. Por meio dele, é possível acessar essas linhas de crédito para custeio e investimento, com juros muito abaixo dos praticados pelo mercado e com prazos maiores para pagar. Valor liberado para o crédito: 85,2 bilhões.

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Acesse aqui o simulador, que foi criado em parceria do MPA com o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA).


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Espaço para que pescadores artesanais e aquicultores familiares verifiquem as  possibilidades de financiamento, a ferramenta foi desenvolvida para facilitar o acesso às informações antes da busca por uma instituição financeira. A consulta apresenta uma simulação das linhas que podem se adequar a cada situação, mas possui caráter exclusivamente informativo. Entre as opções estão o Pronaf Custeio, com limite de até R$ 250 mil, taxa de juros de 2% ao ano e prazo de até 2 anos; o Pronaf Mais Alimentos, com limite de até R$ 250 mil, juros de 2% ao ano e prazo de até 10 anos, com três anos de carência para investimento; e o Pronaf B, com limite de até R$ 12 mil, taxa de 0,5% ao ano e prazo de até três anos. 

Após a programação em São José, a agenda seguiu para Garopaba. No município, foi realizada a assinatura do Programa Rancho Legal e a entrega de portarias dos Projetos de Assentamento Agroextrativistas (PAE) Pesqueiros.  

O Programa Rancho Legal é uma ação de regularização e o uso sustentável de ranchos de pesca artesanal. O objetivo é garantir segurança jurídica e preservar a cultura das comunidades pesqueiras tradicionais. O Rancho Legal é Área de Proteção Ambiental da Baleia Franca (APA da Baleia Franca), administrada pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que é vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).  

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Os assentamentos agroextrativistas pesqueiros são áreas criadas para populações tradicionais que dependem do extrativismo, da agricultura familiar e de outras atividades de baixo impacto ambiental. Neste caso, possuem foco na pesca artesanal. São divididos em lotes, distribuídos para as famílias de acordo com a capacidade produtiva da unidade. Especificamente em Santa Catarina, já foram criados 17 PAE Pesqueiros. Benefício para 20 mil famílias. Parceria do MPA com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e com a Secretaria do Patrimônio da União (SPU), do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI). 

 


Matheus Silveira
Ana Célia Costa
Ministério da Pesca e Aquicultura

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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