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Valorização do real e custos altos colocam câmbio no centro das decisões do agronegócio em 2026

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Câmbio volta a influenciar rentabilidade no campo

O início de 2026 recoloca o câmbio como um dos principais fatores de decisão para o produtor rural brasileiro. Com o dólar em torno de R$ 5,20, o menor patamar desde 2024, a valorização do real tem impactado diretamente os preços da soja e do milho, reduzindo a rentabilidade das exportações e alterando o custo dos insumos agrícolas.

A combinação de juros elevados, inflação controlada e credibilidade na política monetária tem atraído capital estrangeiro, fortalecendo a moeda nacional.

Segundo Isabella Pliego, analista de inteligência e estratégia da Biond Agro, o real mais forte traz desafios à comercialização:

“Mesmo com Chicago em níveis razoáveis, o câmbio reduz os ganhos do produtor, especialmente na soja”, explica.

Real valorizado pressiona margens da soja

O fortalecimento do real ao longo de 2025 foi impulsionado pelo cenário macroeconômico favorável no Brasil e pela desaceleração do dólar no mercado global, após o fim do ciclo de alta de juros nos Estados Unidos.

Embora positivo para a economia nacional, esse contexto tem diminuído a margem de lucro do sojicultor, já que a paridade de exportação segue baixa — entre R$ 95 e R$ 100 por saca — resultado de Chicago próxima de US$ 11/bushel, prêmios reduzidos e câmbio menos competitivo.

“O real mais forte faz com que cada dólar exportado renda menos em reais, comprimindo a margem do produtor e aproximando muitos do ponto de equilíbrio”, complementa Isabella.

Custos de produção elevados exigem cautela

Enquanto o câmbio pressiona os preços, o custo de produção subiu entre 7% e 10% em relação à safra anterior, segundo a análise da Biond Agro. Com os preços cerca de 10% abaixo dos registrados no mesmo período do ano passado, a safra 2025/26 de soja opera com margens mais estreitas e menor capacidade de absorver riscos.

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Diante desse cenário, a orientação é adotar estratégias comerciais defensivas, com vendas parciais e escalonadas, além do uso de instrumentos de proteção de preço e câmbio.

“Não é um momento para vender toda a produção de uma vez, mas também não se pode ficar totalmente exposto. O equilíbrio entre liquidez e flexibilidade é essencial”, reforça a analista.

Milho se mantém sustentado pela demanda interna

Ao contrário da soja, o milho apresenta maior resistência às oscilações cambiais. O crescimento do consumo interno, impulsionado pela produção de proteína animal e pela indústria de etanol de milho, tem mantido os preços acima da paridade de exportação.

Mesmo com o dólar mais baixo, a demanda doméstica segue como principal fator de sustentação.

“No milho, o câmbio não é o principal determinante de preço. O consumo interno dita o ritmo do mercado, e o risco maior aparece apenas quando a safra é muito grande e supera essa demanda”, analisa Isabella.

Gestão de risco e leitura de mercado ganham importância

O relatório da Biond Agro indica que o primeiro semestre de 2026 será marcado por maior oferta e pressão nos preços, reflexo da colheita volumosa. Já o segundo semestre pode trazer melhores oportunidades de venda, com a retomada das exportações e maior sensibilidade da Chicago Board of Trade às condições climáticas nos Estados Unidos.

“A decisão comercial não deve ser tudo ou nada. Garantir parte da renda e manter flexibilidade sobre o restante é o caminho mais seguro para atravessar o ano com menos exposição e mais oportunidades”, conclui Isabella Pliego.

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fonte: Portal do Agronegócio

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Batata: safra de inverno amplia oferta e coloca preços em alerta

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A oferta de batata deve ganhar força entre agosto e setembro com o avanço da colheita de inverno em Vargem Grande do Sul, no interior de São Paulo. Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), somente em agosto deverá ser retirado do campo o equivalente a 35% da safra regional, elevando o acumulado colhido para 50% até o fim do mês.

O aumento sazonal da disponibilidade pode manter as cotações pressionadas no curto prazo, especialmente se a colheita avançar simultaneamente em outros polos produtores. Para o agricultor, o cenário reforça a necessidade de acompanhar o ritmo de entrada do produto no mercado, a qualidade dos lotes e os custos de classificação, armazenamento e transporte.

Em julho, a produtividade média das lavouras de Vargem Grande do Sul ficou próxima de 30 toneladas por hectare, abaixo do potencial da região. Colaboradores consultados pelo Cepea atribuíram o resultado ao excesso de chuva registrado em maio e junho e à elevada frequência de dias nublados, que reduziu a luminosidade e prejudicou a fotossíntese das plantas.

Para agosto, a expectativa é de recuperação do rendimento para aproximadamente 40 toneladas por hectare, patamar próximo ao observado nos últimos anos. A melhora, combinada com a concentração da colheita, deverá ampliar o volume ofertado ao mercado.

O produtor, entretanto, ainda precisa manter atenção redobrada ao manejo fitossanitário. Houve registros de canela-preta depois de cerca de 60 dias da tuberização, favorecidos pela elevação das temperaturas, embora a doença tenha sido rapidamente controlada. A requeima, presente desde junho, intensificou-se em julho e também contribuiu para limitar a produtividade. Apesar dos problemas, a qualidade dos tubérculos colhidos é considerada satisfatória.

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O avanço regional da oferta ocorre em um ano de redução da produção brasileira. O levantamento de julho do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) estima a safra nacional de batata-inglesa de 2026 em 4,2 milhões de toneladas, queda de 8,3% em relação às 4,58 milhões de toneladas produzidas em 2025.

A retração é explicada principalmente pelas perdas de área. O país deverá colher 121,8 mil hectares, 9,4% menos que no ano passado. A produtividade média nacional, por outro lado, está estimada em 34,5 toneladas por hectare, crescimento de 1,2%.

A terceira safra, correspondente ao cultivo de inverno, deverá produzir 892,2 mil toneladas, recuo de 19,3% frente a 2025. A área destinada ao ciclo diminuiu 23,9%, para 22,1 mil hectares. O rendimento médio esperado, contudo, subiu 6,1% e alcança 40,3 toneladas por hectare.

Isso significa que o mercado pode enfrentar dois movimentos diferentes. No curto prazo, a concentração da colheita entre agosto e setembro amplia a oferta e pode pressionar as cotações recebidas pelo produtor. No conjunto do ano, porém, a disponibilidade nacional deverá ser menor que a registrada em 2025.

A queda de preços já apareceu no varejo. A batata-inglesa recuou 19,59% em julho no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A continuidade desse movimento dependerá do ritmo da colheita, do rendimento das lavouras e da qualidade comercial dos lotes que chegarem aos atacados.

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Apesar de produzir mais de 4 milhões de toneladas por ano, o Brasil não exerce papel central no mercado mundial. Dados da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) mostram que o planeta produziu 390,4 milhões de toneladas de batata em 2024. O Brasil respondeu por aproximadamente 1,1% desse volume e ocupou a 18ª posição entre os países produtores. China e Índia lideram com ampla vantagem.

A produção brasileira é direcionada principalmente ao mercado interno. No comércio exterior, o maior desequilíbrio está nos produtos processados. Em 2025, considerando a pauta formada por batata-doce e batatas preparadas ou conservadas, o país exportou 36,5 mil toneladas e importou 345,7 mil toneladas — um volume importado quase 9,5 vezes superior ao exportado.

As compras externas foram lideradas por batatas preparadas e conservadas, especialmente produtos congelados destinados ao varejo e ao setor de alimentação. Argentina, Bélgica, Países Baixos e Egito estiveram entre os principais fornecedores. O déficit não significa falta de batata fresca no país, mas revela a dependência brasileira de produtos com maior grau de processamento industrial.

Para o produtor, a entrada no pico da safra exige atenção à comercialização. Mesmo com uma produção nacional menor em 2026, a concentração temporária da oferta pode reduzir preços e margens. Qualidade, produtividade, escalonamento da colheita e negociação antecipada serão determinantes para atravessar o período de maior disponibilidade.

Fonte: Pensar Agro

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