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Setembro Amarelo: Poder Judiciário trabalha saúde mental com pessoas superendividadas

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O Poder Judiciário de Mato Grosso possui uma unidade criada especialmente para lidar com pessoas superendividadas: o Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc) do Superendividamento, que funciona desde maio deste ano. Além de contar com servidores e servidoras que trabalham em planos de pagamento e renegociação de dívidas, a unidade também possui um núcleo psicossocial que ajuda as pessoas a lidarem com as questões emocionais, psicológicas e sociais que as dívidas causam.
 
O senhor Admar Artiaga tem 71 anos, é servidor público do Estado, teve covid durante a pandemia, em 2021, ficou 18 dias internado na UTI. Sua esposa também contraiu a doença, chegou a ser entubada e os dois quase morreram. Após receber alta e ter a saúde restabelecida, vieram as dívidas. Para custear as despesas médicas, ele se endividou com o plano de saúde e precisou fazer um empréstimo no banco, a juros exorbitantes. O valor do empréstimo foi ficando tão alto que passou a consumir quase todo o seu salário, chegando ao ponto dele receber apenas R$ 90,00 em um mês.
 
Em 2022, Admar procurou o Procon e a Defensoria Pública, até chegar ao Cejusc do Superendividamento, onde está recebendo auxílio para quitar suas dívidas. Nos últimos dois meses, ele conseguiu receber uma parte maior do salário, por determinação do Cejusc. Ele se emociona ao falar das dificuldades financeiras que tem enfrentado. “Foi muito difícil. Nós vivemos uma vida tranquila, só para mim e minha esposa, agora quando você fica sem uma parte do dinheiro, o negócio muda muito. Nós temos casa, luz, água, vamos desfazendo das coisas que tínhamos, não tem como manter por causa da dívida. Eu sou do tempo antigo, em que o homem é que tem que pagar as contas de casa. Ficamos vivendo só com o salário da minha esposa”, conta.
 
A psicóloga Suiane Oliveira de Almeida, que atua no Cejusc do Superendividamento, afirma que este problema causa distúrbios no sono, transtorno de ansiedade, depressão e até mesmo ideações suicidas. Apesar de o suicídio ainda ser um estigma, ela reitera a importância de falar sobre saúde mental no mês Setembro Amarelo e sempre que necessário.
 
“Há um estigma muito grande das pessoas para falarem das ideações suicidas, mas é muito importante a pessoa saber que ela tem a ajuda de profissionais capacitados e também do poder do Estado de estar ajudando essas pessoas a lidarem com essas dívidas e achar uma solução. Muitas vezes a pessoa não vê saída, mas nós estamos aqui para buscar uma saída junto com essas pessoas”, destaca a psicóloga.
 
A equipe psicossocial do Cejusc ajuda o público atendido a lidar com a saúde mental e faz os encaminhamentos para acompanhamento clínico e psiquiátrico.  
 
Falência da pessoa física – A juíza Hanae Yamamura de Oliveira, coordenadora do Cejusc do Superendividamento, explica que o superendividamento é a falência da pessoa física, do consumidor, que não consegue saldar suas dívidas sem comprometer seu mínimo existencial.
 
“Esse consumidor superendividado está doente, precisa ser tratado, não conseguiu se manter apto a saldar suas dívidas, precisa de acompanhamento psicológico. Às vezes envolve a família, os dependentes, não é apenas uma questão de ter uma dívida. Nós estamos à disposição, as pessoas podem nos procurar, temos o compromisso de tratar esse consumidor”, esclarece a magistrada.
 
Assim como o senhor Admar, a juíza diz que 90% dos casos atendidos pelo Cejusc são de pessoas aposentadas ou servidoras públicas.
 
De acordo com a Fecomércio, Cuiabá possui atualmente uma média de 179 mil famílias endividadas com cheques, cartões, boletos, empréstimos e financiamentos. São 86,8% do total de famílias na capital, sendo 46,8% afirmando estar pouco endividadas, 30,8% mais ou menos endividadas e 9,1% muito endividadas. O percentual de endividados está 0,4% menor no comparativo com o mesmo período do ano passado.
 
O Cejusc do Superendividamento atende todo o Estado de Mato Grosso e funciona dentro do Fórum de Cuiabá, de segunda a sexta-feira, das 12h às 19h. O contato pode ser feito pelo número (65) 99342-2157 ou pelo e-mail [email protected].
 
#Paratodosverem
Esta matéria possui recursos de texto alternativo para promover a inclusão das pessoas com deficiência visual. Imagem 1: arte gráfica digital com fundo amarelo e uma imagem de uma pessoa com a mão na testa, com ar de preocupada. Ao centro, o texto “setembro amarelo Poder Judiciário trabalha saúde mental com pessoas superendividadas. Assinam a peça os logos do Nupemec, Cejusc e Poder Judiciário de Mato Grosso. Imagem 2: foto horizontal colorida do senhor Admar, que chora ao conceder entrevista à equipe do TJMT. Ele segura os óculos com a mão direita e esfrega os olhos com a mão esquerda. Ele é um homem idoso, de pele negra, com cabelos grisalhos, veste camiseta preta e usa relógio. Imagem 3: foto horizontal colorida da psicóloga Suiane. Ela está em pé, é uma mulher negra, tem cabelos lisos longos pretos, veste camisa branca, está maquiada e usa óculos. Imagem 4: foto horizontal colorida da juíza Hanae. Ela está em pé, é uma mulher branca, com traços nipônicos, está maquiada, tem cabelos lisos e pretos, veste uma camisa branca com um pássaro amarelo e verde bordado do lado esquerdo.
 
Mylena Petrucelli/Fotos: Alair Ribeiro
Coordenadoria de Comunicação Social do TJMT
 
 

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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Evento rememora primeira condenação do Brasil por violação dos direitos humanos

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Magistrados (as) e servidores (as), especialmente integrantes dos Grupos de Monitoramento e Fiscalização (GMFs) e dos Comitês Estaduais Interinstitucionais de Monitoramento da Política Antimanicomial(CEIMPAS), estão convidados a participarem do evento “20 anos da sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso Ximenes Lopes vs. Brasil: memória, reparação e compromisso do Estado brasileiro com o cuidado”. O evento, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), será realizado no dia 27 de julho, às 16h, em formato virtual, com transmissão pelo canal do CNJ no Youtube, pelo link: https://yputu.be/BDGQLyuGO5k. A atividade relembra os 20 anos da sentença da primeira condenação do Estado brasileiro pela Corte Interamericana de Direitos Humanos.

Além de resgatar a memória e a relevância histórica da decisão, o evento promoverá um debate acerca dos avanços e desafios da implementação da Política Antimanicomial do Poder Judiciário, instituída pela Resolução CNJ nº 487/2023, reunindo representantes do Sistema de Justiça, da academia, de organismos internacionais, dos movimentos sociais e da gestão pública.

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Na programação consta a realização da mesa “Das Recomendações da Corte à Resolução CNJ nº 487/2023: o que mudou em 20 anos?”, destinada à reflexão sobre os impactos da sentença na construção das políticas públicas de saúde mental e nos processos de desinstitucionalização desenvolvidos no país.

Além de magistrados e servidores da Justiça Estadual, o convite, encaminhado ao supervisor do Grupo de Monitoramento e Fiscalização (GMF) do sistema penitenciário do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, desembargador Orlando Perri, é estendido aos profissionais da Rede de Atenção Psicossocial (RAPs), representantes do Ministério Público, da Defensoria Pública e demais instituições parceiras envolvidas na implementação da Política Antimanicomial do Poder Judiciário.

Resumo do caso – O “Caso Ximenes Lopes versus Brasil” foi um processo internacional julgado em agosto de 2006 pela Corte Interamericana de Direitos Humanos contra o Brasil pela violação dos direitos humanos de Damião Ximenes Lopes. O Estado brasileiro foi acusado de violar os direitos previstos nos artigos 4 (direito à vida), 5 (à integridade pessoal), 8 (garantias judiciais) e 25 (proteção judicial) da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. Damião Ximenes Lopes morreu no dia 4 de outubro de 1999, na Casa de Repouso Guararapes, vítima de tortura. Em 22 de novembro de 1999, Irene Ximenes Lopes Miranda, irmã de Damião, apresentou petição denunciando os fatos e a falta de investigação e punição dos responsáveis.

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Autor: Nadja Vasques

Fotografo:

Departamento: Coordenadoria de Comunicação do TJMT

Email: [email protected]

Fonte: Tribunal de Justiça de MT – MT

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