Agro News

Uso estratégico da vinhaça na Usina Caeté impulsiona produtividade, reduz custos e atrai projeto de bioenergia

Publicado

A Usina Caeté vem se destacando pelo uso inteligente da vinhaça, subproduto gerado durante a produção de etanol. A aplicação da vinhaça no campo, por meio da fertirrigação localizada, tem trazido ganhos expressivos tanto do ponto de vista econômico quanto ambiental.

Redução de custos com fertilizantes

Segundo Mário Sérgio Matias, superintendente agroindustrial da usina, a vinhaça é naturalmente rica em potássio, o que tem permitido uma significativa redução no uso de fertilizantes químicos, especialmente os potássicos.

“Com a aplicação direcionada, conseguimos aproveitar melhor o valor agronômico da vinhaça, diminuindo a necessidade de adubação mineral. Isso evita desperdícios, melhora a eficiência do processo e contribui diretamente para o aumento da produtividade agrícola”, explica Matias.

Benefícios ambientais e para o solo

Além da economia com insumos, a fertirrigação localizada também traz benefícios ambientais importantes. A técnica reduz os riscos de contaminação dos lençóis freáticos e evita a sobrecarga do solo.

“Observamos também melhorias na qualidade do solo, com aumento da matéria orgânica e da atividade biológica”, complementa Matias.

Sustentabilidade integrada ao planejamento agrícola

O uso da vinhaça está inserido em um planejamento agrícola estruturado, com foco em manejo nutricional eficiente e controle operacional rigoroso.

“Tudo começa com um planejamento bem feito e segue com acompanhamento constante de custos e indicadores de eficiência”, ressalta o superintendente.

Essa abordagem reforça os compromissos da Usina Caeté com a sustentabilidade, com foco na valorização de subprodutos e na adoção de práticas agrícolas responsáveis.

Leia mais:  IGP-DI sobe 0,20% em janeiro e acumula queda de 1,11% em 12 meses
Reconhecimento setorial e compartilhamento de experiências

A empresa também participa ativamente de eventos e fóruns do setor, como o Congresso Nacional da Bioenergia, onde compartilha sua experiência com o aproveitamento de resíduos e tecnologias sustentáveis.

Parceria com a GranBio para produção de bioenergia

A vinhaça utilizada pela usina também é a base de um projeto de bioenergia que está sendo negociado com a GranBio, empresa brasileira de biotecnologia industrial. O objetivo é transformar a vinhaça e parte do melaço em biogás, biometano e etanol de baixo carbono, por meio da construção de uma biorrefinaria.

Segundo Bernardo Gradin, CEO da GranBio, o projeto está em fase de tratativas, mas segue a estratégia da empresa.

“A Caeté é nossa parceira de longo prazo. Ainda não temos nada assinado, mas estamos negociando o uso da vinhaça para produção de biocombustíveis”, afirma Gradin.

Alagoas pode se tornar polo nacional de bioenergia

A proposta da biorrefinaria pode consolidar Alagoas como um polo nacional de bioenergia, impactando positivamente toda a cadeia produtiva local e a diversificação da matriz energética.

“O novo marco regulatório do biometano pode colocar o estado entre os primeiros polos de produção contínua desse biocombustível no Brasil”, destaca o CEO.

Economia circular e transição energética

O executivo também ressalta que o projeto está alinhado com os princípios da economia circular e da transição energética.

“Não se trata apenas de diversificação energética, mas de um passo concreto na redução da pegada de carbono na produção de hidrocarbonetos. É o reaproveitamento de resíduos na prática, promovendo uma agricultura e uma indústria mais sustentáveis”, conclui Gradin.

Com foco em inovação, responsabilidade ambiental e eficiência agrícola, a Usina Caeté transforma um resíduo industrial em solução estratégica, reforçando seu protagonismo na construção de um futuro mais sustentável para o setor sucroenergético e para a bioenergia no Brasil.

Leia mais:  Mercado de trigo segue lento no Sul do Brasil com boas perspectivas para a safra 2025

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Produtos bovinos brasileiros podem ganhar mais espaço no mercado japonês

Publicado

Estabelecimentos brasileiros registrados no Serviço de Inspeção Federal (SIF) que produzem produtos bovinos processados têm até as 18h desta segunda-feira (31.08) para manifestar interesse em participar da auditoria sanitária que o Japão realizará no Brasil e que poderá ampliar o acesso de produtos bovinos processados ao mercado japonês. A iniciativa ocorre em meio ao esforço brasileiro para aumentar a presença da pecuária nacional em um dos mercados de carne mais exigentes e valorizados do mundo.

A chamada foi aberta pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) para identificar estabelecimentos interessados e preparados para receber a missão japonesa. O trabalho será conduzido pelas autoridades sanitárias do Japão e deverá avaliar as condições brasileiras de produção e processamento.

A lista inclui produtos como carne bovina desidratada, conhecida internacionalmente como beef jerky, envoltórios bovinos submetidos a tratamento térmico e o chamado Prime Beef, produto elaborado a partir de colágeno bovino e extrato de carne.

O objetivo da auditoria é revisar o Programa de Verificação de Exportação (EVP, na sigla em inglês), conjunto de procedimentos que estabelece as condições que os estabelecimentos brasileiros precisam cumprir para vender determinados produtos ao Japão.

Na prática, uma avaliação favorável poderá permitir a inclusão de novos produtos e estabelecimentos brasileiros no comércio com o país asiático.

O prazo desta segunda-feira não significa, portanto, abertura automática do mercado. Ele representa uma etapa preparatória para a auditoria e para a negociação sanitária necessária antes da autorização das exportações.

Leia mais:  Mercado de trigo no Brasil mantém liquidez moderada e preços alinhados à paridade de importação

A movimentação ganha importância porque o Japão é fortemente dependente da importação de alimentos. Cerca de 60% das calorias consumidas pela população japonesa têm origem externa, ao mesmo tempo em que o país mantém padrões sanitários rigorosos para entrada de produtos agropecuários.

Na carne bovina, aproximadamente 70% do consumo japonês é abastecido por importações. Austrália e Estados Unidos estão entre os principais fornecedores, enquanto o Brasil ainda busca ampliar sua participação nesse mercado.

A abertura para a carne bovina brasileira in natura é uma negociação separada e muito mais ampla, que se arrasta há mais de duas décadas. Brasil e Japão decidiram acelerar as discussões e estabeleceram a realização de inspeções técnicas como uma das etapas necessárias para avançar na avaliação de risco.

Por isso, embora a auditoria relacionada ao prazo de segunda-feira seja destinada a produtos processados, o movimento ocorre dentro de uma aproximação sanitária e comercial mais abrangente entre os dois países.

Para a pecuária brasileira, conquistar espaço no Japão teria importância que vai além do volume vendido. O país asiático é considerado um mercado de elevado valor agregado e possui exigências sanitárias capazes de funcionar como referência para outros compradores.

A diversificação também ganhou importância neste segundo semestre. As exportações brasileiras de carne bovina chegaram a 1,97 milhão de toneladas entre janeiro e julho, crescimento de 9,9% em relação ao mesmo período do ano passado, mas o setor enfrenta mudanças nas condições de acesso a alguns de seus principais destinos.

Leia mais:  Soja de baixa emissão pode posicionar Brasil como líder em agricultura regenerativa

Nesse cenário, ampliar o número de compradores reduz a dependência de poucos mercados e aumenta as alternativas comerciais dos frigoríficos. O efeito pode chegar ao pecuarista por meio de maior disputa pela matéria-prima e da valorização de animais que atendam às exigências dos destinos mais remuneradores.

A abertura de um mercado, entretanto, não termina com a autorização sanitária. Frigoríficos precisam cumprir requisitos específicos de produção, processamento, rastreabilidade e certificação para serem habilitados a exportar.

É justamente esse processo que começa agora para os produtos incluídos na chamada. Os estabelecimentos interessados devem encaminhar a documentação por meio do Serviço de Inspeção Federal (SIF) e do respectivo Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Animal (Sipoa), para que a manifestação chegue ao Mapa dentro do prazo.

Manifestações apresentadas depois das 18h desta segunda-feira não serão consideradas.

A auditoria japonesa será o passo seguinte. Se o resultado permitir a revisão das regras atuais, o Brasil poderá acrescentar novos produtos bovinos à pauta de exportações para o Japão enquanto continua negociando o objetivo de maior peso econômico para a pecuária nacional: a abertura do mercado japonês à carne bovina brasileira in natura.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana