Política Nacional

Deputados cobram estruturação da ANM para combater sonegação de royalties da mineração

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Deputados defenderam a estruturação imediata da Agência Nacional de Mineração (ANM) para combater a sonegação da Compensação Financeira pela Exploração de Recursos Minerais (CFEM). A agência é responsável por regular e fiscalizar o setor minerador no Brasil.

A CFEM é um pagamento obrigatório que as empresas de mineração devem fazer ao governo federal, estados e municípios pela exploração de minerais como ferro e manganês. Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) de 2024 revelou que a sonegação é um problema grave: quase 70% das empresas não pagaram a CFEM voluntariamente entre 2017 e 2022.

O assunto foi discutido nesta terça-feira (12) em audiência pública promovida pela Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados, com representantes do governo federal, da sociedade e dos municípios mineradores.

Novos servidores
O deputado Joaquim Passarinho (PL-PA) afirmou que, sem o reforço da ANM, com a contratação de mais pessoal, a sonegação da CFEM não vai cair. “A solução passa pelo fortalecimento da agência, para que ela possa fazer a sua função, que é a fiscalização”, disse.

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De acordo com o superintendente de Arrecadação e Fiscalização de Receitas da ANM, Alexandre Rodrigues, a agência conta com apenas três funcionários para fiscalizar a arrecadação da CFEM em todo o país. “Nós temos um universo de oito mil empresas de mineração. No ano passado, conseguimos fiscalizar dez”, afirmou Rodrigues. Ele adiantou que, no próximo mês, tomarão posse 41 novos servidores para atuar na fiscalização.

O deputado Padre João (PT-MG), que solicitou o debate, disse que a questão da sonegação não é nova e precisa ser enfrentada. Ele lembrou que os recursos minerais são um bem público e que sua exploração deve beneficiar a sociedade. “Todos têm que usufruir desse bem. E uma das formas é a CFEM”, disse.

O presidente da Comissão de Minas e Energia, deputado Diego Andrade (PSD-MG), sugeriu que a ANM firme convênios com os municípios para que estes possam fiscalizar a arrecadação da CFEM. A ideia foi elogiada pelo consultor da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais (Amig), Waldir Salvador. Ele citou que as prefeituras mineiras já têm 100 fiscais qualificados para a tarefa.

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Transparência
Durante a audiência pública, diversos debatedores cobraram transparência dos municípios na aplicação dos recursos da CFEM. Segundo Larissa Alves, coordenadora operacional do “Projeto de Olho na CFEM”, organização que monitora o uso dos royalties da mineração, a maioria das prefeituras não discrimina a fonte de recursos da Compensação Financeira nas suas receitas. “Os que discriminam, não tornam esse dado acessível nos portais de transparência”, disse.

A situação foi criticada pelo deputado Keniston Braga (MDB-PA). “Nós temos leis no nosso país que obrigam os gestores a darem transparência à aplicação dos seus recursos. Então, se eles não estão dando transparência, vamos puni-los”, disse.

Atualmente, segundo a ANM, 3.943 municípios recebem recursos da CFEM. Os valores arrecadados (R$ 7,4 bilhões somente em 2024) são divididos da seguinte forma: 10% para a União, 15% para os estados produtores, 60% para os municípios produtores e 15% para os municípios afetados pela atividade mineradora.

Reportagem – Janary Júnior
Edição – Rachel Librelon

Fonte: Câmara dos Deputados

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Política Nacional

Relatório final do grupo de trabalho sobre combate à misoginia será apresentado na próxima quarta-feira

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A Câmara dos Deputados encerrou nesta quarta-feira (3) a fase de audiências públicas do grupo de trabalho que analisa o Projeto de Lei 896/23, que equipara a misoginia, definida como o ódio ou a aversão às mulheres, ao crime de racismo. O texto prevê penas de 2 a 5 anos de reclusão para combater discursos de ódio e a discriminação baseada na crença da supremacia masculina.

A coordenadora do colegiado, deputada Tabata Amaral (PSB-SP), anunciou que o grupo ainda pode receber sugestões técnicas para construir a versão final do texto para votação. Segundo a deputada, o relatório será apresentado na próxima quarta-feira (10), às 14 horas. “Nós encerramos as audiências públicas e entramos na fase de receber contribuições textuais”, pontuou.

A última audiência pública reuniu juristas, pesquisadores e diplomatas para avaliar a eficiência jurídica da proposta. O objetivo é assegurar que os novos mecanismos possam ser aplicados de forma prática pelo sistema de Justiça e estejam alinhados com os princípios da Constituição Federal, como a liberdade de expressão e a dignidade humana.

Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
Audiência Pública - Aspectos jurídicos da criminalização da misoginia: direito nacional constitucionalidade e experiências internacionais. Chefe de Gabinete da Embaixada da França em Brasília e Conselheira Política, Cynthia Ohayon.
Cynthia Ohayon: direito francês prefere focar em “sexismo” ou “violência sexista e sexual”

Experiências estrangeiras
Representantes estrangeiros compartilharam as experiências de seus países. Simon Fairweather explicou que o Reino Unido incluiu gênero na lista de motivações de crimes de ódio. Pela legislação britânica, se um crime for motivado por hostilidade baseada no gênero, a pena se torna mais severa. O diplomata também destacou ações voltadas para o ambiente digital, como a proibição de aplicativos de inteligência artificial que tiram a roupa de mulheres em fotos sem autorização.

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Já a representante da embaixada francesa, Cynthia Ohayon, afirmou que a lei da França evita o termo “misoginia” por considerá-lo amplo e subjetivo. O direito francês prefere focar em “sexismo” ou “violência sexista e sexual”. Ela detalhou que o país pune severamente o assédio de rua e ataques virtuais coordenados. Ela alertou, porém, que as leis sozinhas não resolvem o problema e apontou que a subnotificação e o arquivamento de casos ainda são desafios reais na França.

Decisões do STF
A presidente da Comissão das Mulheres Advogadas da OAB-SP, Maira Recchia, disse que o Brasil precisa de uma legislação específica para frear o aumento e a crueldade da violência de gênero, impulsionada por grupos organizados na internet.

Ela sugeriu que o projeto adote o termo “preconceito de gênero” ao lado da palavra misoginia, para alinhar o texto a decisões do Supremo Tribunal Federal. “A nossa liberdade de expressão encontra limite quando ela violenta o outro”, ressaltou a advogada.

Discurso de ódigo
A constitucionalista Alice Bianchini, presidente da Associação Brasileira de Mulheres de Carreiras Jurídicas, garantiu que a proposta atende aos critérios técnicos necessários para integrar o sistema penal. Ela rebateu críticas de que o texto criaria um conceito vago e explicou que a proposta segue a mesma lógica das leis que já punem o racismo e a homotransfobia. “O discurso de ódio não está acobertado pela liberdade de expressão”, afirmou Bianchini.

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O projeto, de autoria da senadora Ana Paula Lobato (PSB-MA), já foi aprovado pelo Senado. A proposta também dobra a pena prevista no Código Penal para crimes como injúria, difamação e calúnia cometidos contra mulheres em contexto de violência doméstica.

Se o texto for aprovado pela Câmara dos Deputados sem alterações, poderá seguir diretamente para a sanção presidencial.

Reportagem – Murilo Souza
Edição – Geórgia Moraes

Fonte: Câmara dos Deputados

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