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Mercado do boi mantém trajetória de alta e aquece negociações, aponta Cepea

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O mercado pecuário brasileiro segue registrando aumentos consistentes em toda a cadeia produtiva. Levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) revela que animais para abate, gado de reposição e carne bovina no atacado estão sendo comercializados por valores cada vez mais altos, com reajustes diários.

Escalas de abate curtas sustentam demanda

Segundo os pesquisadores do Cepea, as escalas de abate, que em muitos frigoríficos estão entre 7 e 8 dias, contribuem para manter a demanda aquecida. Nesse cenário, compradores têm ofertado preços ligeiramente maiores, o que incentiva os pecuaristas a fechar negócios e aumenta a liquidez no mercado.

Indicadores mostram avanços expressivos em agosto

Na parcial de agosto, até o dia 12, o Indicador CEPEA/ESALQ para o boi gordo acumulava alta de 5,3%. Já no atacado da Grande São Paulo, a carcaça casada bovina apresentou valorização de 6,4% no mesmo período, reforçando o movimento positivo nos preços.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Safra 2026/27 da cana-de-açúcar enfrenta pressão de custos, clima e mercado no Centro-Sul

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A abertura da safra 2026/27 da cana-de-açúcar, promovida pela Associação dos Plantadores de Cana do Oeste do Estado de São Paulo (Canaoeste), destacou um cenário de maior pressão econômica, climática e operacional para o setor sucroenergético no Centro-Sul.

Realizado em Sertãozinho (SP), o encontro reuniu produtores, consultores e representantes da cadeia produtiva para debater temas como custos de produção, revisão do Consecana-SP, sustentabilidade e impactos do cenário geopolítico internacional sobre o mercado de açúcar e etanol.

Setor sucroenergético inicia ciclo com maior incerteza econômica

Durante o evento, o presidente da Canaoeste, Fernando dos Reis Filho, destacou que o ambiente atual exige maior organização e suporte técnico aos produtores diante da volatilidade dos mercados.

Segundo ele, a entidade segue comprometida em oferecer informação e ferramentas de gestão para auxiliar a tomada de decisão no campo, especialmente em um cenário de custos elevados e margens mais apertadas.

O diretor executivo da associação, Almir Torcato, reforçou que o início da safra ocorre sob forte pressão financeira e operacional, com necessidade de decisões mais rápidas e eficientes dentro das propriedades.

Projeções indicam safra robusta, mas com riscos climáticos e geopolíticos

As projeções apresentadas por Luiz Carlos Corrêa Carvalho indicam moagem entre 631,4 milhões e 639,1 milhões de toneladas de cana-de-açúcar no Centro-Sul na safra 2026/27.

A produtividade média deve ficar próxima de 77 toneladas por hectare, enquanto a produção de açúcar é estimada em cerca de 40 milhões de toneladas.

Apesar dos números expressivos, o consultor alertou para um conjunto de riscos que pode influenciar o desempenho do setor, incluindo:

  • Oscilações climáticas e possíveis impactos sobre a produtividade
  • Juros elevados e custo de capital
  • Instabilidade geopolítica internacional
  • Volatilidade nos mercados de energia, petróleo e alimentos
  • Pressão sobre fertilizantes e logística global
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Também foi destacado o risco de irregularidades climáticas no Centro-Sul, com possíveis impactos como florescimento, isoporização e atraso no desenvolvimento da cultura.

Custos de produção elevam exigência por eficiência no campo

Na análise econômica, o consultor João Rosa (Botão) apontou que a rentabilidade do produtor está cada vez mais ligada à eficiência produtiva e operacional.

Segundo ele, o custo médio de produção do ATR varia entre R$ 1,00 e R$ 1,05 por quilo, enquanto o investimento para formação do canavial pode chegar a R$ 13 mil a R$ 22 mil por hectare, dependendo da tecnologia e do ambiente produtivo.

O consultor também destacou que ganhos de produtividade têm impacto direto na redução de custos. Ele estima que:

  • Aumento de 5% no TCH pode reduzir custos em cerca de 4%
  • Ganhos equivalentes no ATR podem reduzir custos em aproximadamente 4,5%

As projeções indicam ainda maior dependência do mix alcooleiro e influência direta do petróleo na formação de preços do açúcar e do etanol.

Integração entre indústria e produtores ganha importância

O diretor da Fenasucro & Agrocana e integrante do conselho da Canaoeste, Paulo Montabone, destacou a necessidade de maior integração entre produtores e indústria diante das transformações do mercado global de bioenergia.

Segundo ele, a cadeia sucroenergética brasileira precisará atuar de forma mais coordenada para manter competitividade internacional e ampliar o protagonismo na transição energética.

Montabone também ressaltou que a edição 2026 da Fenasucro & Agrocana deve contar com presença de representantes de mais de 60 países, reforçando o caráter global do evento e a busca por soluções tecnológicas para o setor.

Sustentabilidade e certificação avançam no campo

A agenda de sustentabilidade também teve destaque na abertura da safra, com apresentação de programas como o SEMEIA e os avanços da certificação Bonsucro entre produtores associados.

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O gestor operacional de sustentabilidade da Canaoeste, Fábio de Camargo Soldera, afirmou que o programa atua na adequação ambiental, social e de governança das propriedades rurais, com foco em gestão e eficiência.

Segundo ele, o trabalho inclui regularização ambiental, apoio trabalhista e implantação de ferramentas de controle de custos e indicadores produtivos.

Atualmente, a Canaoeste contabiliza 13 produtores certificados, totalizando cerca de 22 mil hectares e produção aproximada de 1,5 milhão de toneladas de cana.

O analista de sustentabilidade Gabriel Roque Perticarrari reforçou que a iniciativa busca adequar os produtores às exigências de mercado e às práticas ESG, ampliando acesso a novas oportunidades comerciais.

Já a gerente Brasil da Bonsucro, Lívia Ignácio, destacou que, além dos ganhos comerciais diretos, a certificação traz benefícios operacionais, como redução de desperdícios e melhoria da gestão.

Consecana-SP segue em debate e passa por fase de ajustes

O modelo de remuneração da cana também esteve no centro das discussões. O CEO da ORPLANA, José Guilherme Nogueira, afirmou que o Consecana-SP entra em fase final de implementação, mantendo o fator adicional de 4,5% na remuneração dos produtores.

Segundo ele, os ajustes referentes às safras 2024/25 e 2025/26 devem ser concluídos até julho, preservando o modelo de negociação entre fornecedores e usinas.

O diretor executivo da Canaoeste, Almir Torcato, destacou que, apesar dos desafios relacionados à volatilidade de preços e diferenças contratuais regionais, o setor busca avanços para garantir maior previsibilidade e equilíbrio no sistema de remuneração da cana-de-açúcar.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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