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Trigo no Brasil: preços recuam em meio à oferta elevada, importações e mercado externo

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Os preços do trigo no Brasil registraram queda nas últimas semanas, pressionados por fatores como desvalorização do dólar, retração internacional e importações aquecidas. Mesmo com estimativas de safra ligeiramente menor para 2025, os estoques internos elevados e a competitividade do trigo estrangeiro impactam as cotações domésticas.

Produção nacional deve recuar, mas produtividade avança

De acordo com dados da Conab e análises do Cepea, a área cultivada com trigo no Brasil em 2025 está estimada em 2,55 milhões de hectares, uma queda de 16,7% em relação à safra anterior. O recuo reflete o desânimo dos produtores diante de margens apertadas e incertezas climáticas, especialmente no Sul do país, principal região produtora.

Apesar da redução da área, a produtividade tende a crescer 19%, chegando a 3,07 t/ha, o que deve resultar em uma produção total de 7,81 milhões de toneladas, apenas 1% abaixo da safra de 2024. O aumento da produtividade contribui para suavizar a perda de volume, mas não é suficiente para conter a pressão sobre os preços.

Mercado sulista segue lento e negócios pontuais

No Sul do Brasil, o mercado de trigo permanece lento, com negócios esporádicos e destaque para a comercialização antecipada da nova safra.

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Rio Grande do Sul: foram negociadas cerca de 90 mil toneladas, sendo 60 mil destinadas à exportação e 30 mil para moinhos locais. Os preços variaram entre R$ 1.280 e R$ 1.350/t, dependendo de qualidade e região. A moagem reduzida e margens estreitas têm limitado novas compras.

Santa Catarina: a safra apresenta bom desenvolvimento, apesar de chuvas abaixo da média em algumas regiões. A produção estimada é de 359,7 mil toneladas, queda de 16,77% sobre o ciclo anterior. Os preços pagos aos produtores recuaram para R$ 72 a R$ 78/saca, refletindo a forte oferta gaúcha e a competitividade do trigo importado em Paranaguá.

Paraná: o mercado spot apresentou leve retração, em torno de R$ 1.400 CIF, enquanto os preços futuros giraram em R$ 1.300 CIF. Negócios isolados com trigo paraguaio foram realizados a R$ 1.440 CIF. O preço pago aos produtores caiu 0,23% para R$ 75,87/saca, ainda acima do custo médio de produção (R$ 72,89).

O mercado externo, especialmente a Argentina, também influencia os preços locais, com expectativas de maior produção e estoques reforçando a oferta e derrubando os valores internacionais.

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Pressão de importações e paridade de mercado

O trigo importado tem se mostrado mais competitivo frente ao cereal nacional, beneficiado pela desvalorização do dólar e retração de preços internacionais. Essa condição aumenta o interesse da indústria moageira por grãos estrangeiros e limita a demanda pelo produto brasileiro.

Segundo o Cepea, os estoques elevados de passagem, impulsionados pelas importações ao longo de 2024, criam um colchão de segurança no abastecimento interno, mas dificultam a valorização do trigo nacional.

Desafios e oportunidades para produtores

Para os produtores brasileiros, o cenário exige reavaliação estratégica sobre custos, momento de venda e possíveis alternativas de cultivo. Embora a produtividade crescente represente uma oportunidade de maior eficiência, o mercado integrado globalmente e sua volatilidade exigem planejamento e políticas de apoio à comercialização.

Especialistas apontam que, apesar da pressão sobre os preços, o momento pode ser usado para reorganizar a cadeia produtiva, investir em tecnologia e buscar maior competitividade frente às importações.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Luena Pataxó é exemplo de ancestralidade na pesca indígena na Bahia

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Luena Maria Ferreira dos Santos, conhecida como Luena Pataxó, nasceu em Apaga Fogo, (Arraial D’Ajuda/BA) e vive na Terra Indígena de Coroa Vermelha (Santa Cruz Cabrália/BA). Ela construiu uma trajetória marcada pela ancestralidade, pelo compromisso com a pesca artesanal, pela defesa dos direitos das mulheres e da sustentabilidade no território.   

 Filha de pescador, foi inserida desde cedo no mundo da pesca. Começou a vida no mar aos 20 anos, junto com seu primeiro marido. Ela era responsável por administrar a pesca e pela gestão do negócio. Também liderava um grupo de mulheres que limpava os camarões. Desde jovem, desenvolveu habilidades de liderança, planejamento e uso de ferramentas de gestão.  

 Em 2010, Luena entrou para a Associação dos Pescadores Indígenas Pataxós de Coroa Vermelha (APIP). Hoje, a entidade reúne 120 associados e tem na pesca artesanal sua base econômica e cultural. Desde 2019, ela preside a associação que, sob sua liderança, melhorou a organização interna, fortaleceu processos de beneficiamento do pescado, obteve investimentos por meio de editais municipais, estaduais e federais e consolidou parcerias institucionais com secretarias municipais de meio ambiente e organizações privadas.   

 Além disso, Luena foi responsável por conquistar, estruturar e equipar a cozinha comunitária da APIP, que agregou valor ao pescado e deu mais autonomia econômica para marisqueiras e pescadoras da comunidade.   

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Luena com outros pescadores e pescadoras na Cozinha Solidária da APIP.
Luena com outros pescadores e pescadoras na Cozinha Solidária da APIP.

A pescadora se destaca pela defesa da pesca tradicional, transmitida entre gerações, mas também pela participação em projetos que modernizam a atividade sem romper com o modo de vida da comunidade. Entre eles, está o projeto Pescando com Redes 3G, que introduziu tecnologias de coleta de dados para aprimorar o manejo e a comercialização do pescado. Esse protagonismo ajudou a projetar a APIP e na formação técnica de diversos pescadores e jovens da aldeia.  

Luena mantém uma relação próxima com a Marinha do Brasil/Capitania dos Portos de Porto Seguro, instituição responsável pela segurança do tráfego aquaviário e pela regularização de embarcações e pescadores. A partir dessa articulação, viabilizou ações que garantem: regularização documental de embarcações artesanais e pescadores da comunidade; formação e orientação sobre segurança da navegação; apoio técnico para inspeções, vistorias e boas práticas marítimas e facilitação no acesso a certificados, renovação de inscrições e processos obrigatórios para quem vive da pesca tradicional.  

Além da atuação local, Luena representa a pesca indígena em espaços regionais e nacionais. Em 2023, assumiu a presidência do Comitê de Relacionamento de Pescadores do Extremo Sul da Bahia (CORPESBA), representando oito municípios e doze associações. No mesmo ano, tornou-se a primeira mulher indígena Pataxó integrante do Grupo de Trabalho das Mulheres do Ministério da Pesca e Aquicultura, ampliando a participação das pescadoras indígenas em políticas públicas de alcance nacional.  

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Luena exerce liderança importante na aldeia indígena em que vive.
Luena exerce liderança importante na aldeia indígena em que vive.

Luena foi responsável por mobilizar e apoiar a inscrição da comunidade em editais que resultaram na realização de oficinas de audiovisual voltadas para a juventude Pataxó. Essas iniciativas têm permitido que jovens aprendam a registrar suas próprias histórias, documentar o cotidiano da pesca, salvaguardar o patrimônio imaterial e fortalecer a memória da comunidade. Alguns desses jovens já realizaram curtas-metragens e registros sobre o território, valorizando a pesca tradicional e criando perspectivas de futuro.   

Hoje, Luena inspira e incentiva outras mulheres Pataxó a ocuparem espaços de liderança. A atual diretoria da APIP é composta somente por mulheres, resultado direto do processo de formação e estímulo que ela promove há anos. Seu trabalho fomenta a autonomia econômica feminina, fortalece redes de solidariedade e incentiva que jovens acompanhem suas famílias na pesca, garantindo a continuidade dessa atividade tradicional.  

 

ASCOM 

Ministério da Pesca e Aquicultura  

Fonte: Ministério da Pesca e Aquicultura

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