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Mercado de algodão registra baixa movimentação e queda de preços em agosto no Brasil

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O mercado físico brasileiro de algodão apresentou fraca movimentação em agosto, com preços em queda. Produtores priorizaram o beneficiamento e a entrega de contratos já firmados, evitando novas negociações diante da retração de preços.

Segundo a Safras Consultoria, a cautela também se deu pelo acompanhamento da Bolsa de Nova York, buscando oportunidades de repique para fixação de posições. Do lado da indústria, o comportamento também foi conservador, com compras concentradas no curto prazo, focando em contratos com vencimento em até 30 dias.

Em São Paulo, o algodão posto indústria foi negociado a R$ 3,89/lb, recuo de 2,26% em relação à semana anterior e de 4,66% frente a julho, quando a pluma era cotada a R$ 4,08/lb. No Mato Grosso, em Rondonópolis, a pluma chegou a R$ 123,93/@ (R$ 3,75/lb), frente a R$ 127,48/@ na semana passada e R$ 130,58/@ há um mês, desvalorizações de R$ 3,55 e R$ 6,65, respectivamente.

Colheita avança, mas com diferenças regionais

A Abrapa divulgou o progresso da safra 2024/25 até 21 de agosto. As estimativas de colheita por estado são:

  • Paraná: 95%
  • São Paulo: 96%
  • Mato Grosso do Sul: 89%
  • Minas Gerais: 78%
  • Bahia: 64,78%
  • Piauí: 92,2%
  • Goiás: 81,64%
  • Mato Grosso: 56%
  • Maranhão: 70%
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A média nacional de colheita era de 60,06% da área plantada.

No beneficiamento, a Abrapa estimou que 20,92% da safra estava processada até a mesma data. Destaque para:

  • Mato Grosso do Sul: 38%
  • Goiás: 37,7%
  • Bahia: 40%
  • Maranhão: 14%
  • Mato Grosso: 17%
  • Minas Gerais: 40%
  • Piauí: 37,1%
  • Paraná: 90%
  • São Paulo: 93%
Exportações recuam em agosto

As exportações brasileiras de algodão em agosto somaram 58,352 mil toneladas em 16 dias úteis, com média diária de 3.647 toneladas. A receita totalizou US$ 92,881 milhões, média de US$ 5,805 milhões por dia, segundo o Ministério da Economia.

Em comparação com agosto de 2024, houve queda de 28,2% no volume diário exportado (5.080 toneladas/dia) e 35% na receita diária (US$ 8,925 milhões/dia), refletindo a menor movimentação do mercado e a retração da demanda internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Tarifa de 25% dos EUA ameaça exportações brasileiras e exige reação imediata das empresas

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A possível aplicação de uma tarifa adicional de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros acendeu um alerta entre exportadores e autoridades brasileiras. A medida, proposta pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), ainda está em fase de consulta pública e audiência, mas já exige atenção das empresas que mantêm negócios com o mercado norte-americano.

Embora a lista preliminar contemple exceções relevantes, como café, carne bovina, energia, metais, terras raras e componentes aeronáuticos, especialistas alertam que os impactos podem ultrapassar a questão tarifária e atingir diretamente a competitividade das empresas brasileiras.

Investigação envolve temas além das tarifas

Segundo Fernando Canutto, sócio do Godke Advogados e especialista em Direito Internacional Empresarial, o processo conduzido pelos Estados Unidos possui alcance mais amplo do que uma simples discussão sobre tarifas de importação.

A investigação inclui temas estratégicos como comércio digital, meios de pagamento, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, políticas anticorrupção e questões relacionadas ao desmatamento.

Na avaliação do especialista, o avanço da investigação pode criar um ambiente de maior insegurança regulatória para empresas brasileiras que atuam no comércio internacional, exigindo monitoramento constante e planejamento antecipado.

Brasil tem três caminhos para responder à medida

No campo institucional, o governo brasileiro dispõe de diferentes mecanismos para contestar ou negociar a proposta norte-americana.

A primeira frente é diplomática, conduzida por órgãos como o Itamaraty, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e a Câmara de Comércio Exterior (Camex), que podem atuar diretamente junto ao USTR para tentar modificar ou reduzir os efeitos da medida.

Como a proposta ainda está em fase de consulta pública, existe espaço para negociações e eventuais ajustes antes de uma decisão definitiva.

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A segunda alternativa envolve o sistema multilateral de comércio, por meio da Organização Mundial do Comércio (OMC). O Brasil já manifestou, em episódios anteriores, posicionamento contrário à adoção de medidas unilaterais fora das regras multilaterais estabelecidas pela entidade.

A terceira possibilidade está prevista na Lei de Reciprocidade Econômica (Lei nº 15.122/2025), que criou instrumentos para que o Brasil possa responder a ações comerciais consideradas prejudiciais à competitividade nacional.

No entanto, especialistas alertam que qualquer reação deve ser cuidadosamente calibrada para evitar prejuízos às cadeias produtivas brasileiras, importadores e consumidores.

Empresas precisam revisar contratos e operações

Mesmo sem uma definição sobre a implementação das tarifas, especialistas recomendam que empresas exportadoras iniciem imediatamente uma análise detalhada de sua exposição ao mercado norte-americano.

O primeiro passo é identificar quais produtos poderão ser atingidos pela sobretaxa e avaliar os impactos sobre contratos em andamento e negociações futuras.

Em muitos casos, uma tarifa adicional de 25% pode comprometer a viabilidade econômica de operações já contratadas, especialmente em setores que trabalham com margens reduzidas.

Além disso, torna-se fundamental revisar cláusulas contratuais, estratégias de precificação, alternativas logísticas e possibilidades de diversificação de mercados.

Setores mais vulneráveis podem sentir maior impacto

Os segmentos mais expostos aos efeitos da medida tendem a ser aqueles que exportam produtos não contemplados pelas exceções anunciadas pelos Estados Unidos.

Empresas que atuam em mercados altamente competitivos, com baixa margem de lucro e pouca capacidade de repassar custos aos compradores americanos, podem enfrentar maiores dificuldades caso a tarifa seja efetivamente implementada.

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Por outro lado, setores ligados ao café, carne bovina, energia, mineração estratégica e indústria aeronáutica devem sofrer impacto direto mais limitado devido à exclusão preliminar desses produtos da lista tarifária.

Lista de exceções revela interesses estratégicos dos EUA

Para Ricardo Inglez de Souza, sócio do IW Melcheds Advogados e especialista em Comércio Internacional, a composição da lista de exceções evidencia uma lógica geopolítica e econômica por trás da proposta norte-americana.

Segundo ele, os produtos isentos são justamente aqueles em que os Estados Unidos dependem fortemente do fornecimento brasileiro ou enfrentam dificuldades para substituí-los rapidamente por outros mercados.

Entre os itens preservados estão carne bovina, café, frutas tropicais, petróleo, fertilizantes, aeronaves e componentes aeronáuticos.

Na avaliação do especialista, a medida busca proteger cadeias estratégicas de abastecimento norte-americanas ao mesmo tempo em que aumenta a pressão sobre outros segmentos exportadores brasileiros.

Cenário exige planejamento e gestão de riscos

Enquanto o processo segue em análise nos Estados Unidos, empresas brasileiras com operações internacionais devem reforçar suas estratégias de gestão de risco e acompanhar de perto a evolução das negociações.

Além dos possíveis impactos financeiros, a discussão evidencia o crescente peso das questões geopolíticas, regulatórias e ambientais nas relações comerciais globais.

Para exportadores, a antecipação de cenários, a revisão de contratos e a diversificação de mercados podem ser decisivas para reduzir riscos e preservar a competitividade diante de um ambiente internacional cada vez mais complexo e imprevisível.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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