Tecnologia
Brasil sedia o 10º Fórum de Jovens Cientistas do BRICS, em Brasília
Publicado
16 de setembro de 2025, 11:29
O Brasil recebe, de segunda-feira (15) a quarta-feira (17), o 10º Fórum de Jovens Cientistas do Brics (Brics Young Scientists Forum – YSF). O evento reúne, em Brasília (DF), jovens pesquisadores e empreendedores dos países-membros para apresentarem soluções inovadoras em ciência, tecnologia e desenvolvimento sustentável.
Ao completar uma década de existência, o fórum consolida-se como um espaço de encontro da comunidade. Mais do que uma vitrine de ideias, o evento promove cooperação internacional e articulação entre instituições acadêmicas, órgãos públicos e setor produtivo, incentivando soluções inovadoras capazes de produzir impactos concretos para a sociedade.
Segundo a coordenadora-geral de Cooperação Multilateral, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), e chefe da delegação brasileira, Adriana Thomé, a realização do evento no País representa um marco importante. “Está sendo uma experiência muito interessante receber mais de cem pessoas dos vários países do Brics”, afirmou.
O Brics é um agrupamento formado por onze países-membros: Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irã. O bloco funciona como foro de articulação político-diplomática de países do Sul Global e de cooperação nas mais diversas áreas.
Eixos estratégicos
A Academia Brasileira de Ciências (ABC) foi convidada pelo MCTI a indicar os representantes nacionais. A edição de 2025 é organizada em torno de três temas:
- Pesquisa sobre mitigação e adaptação às mudanças climáticas: alinhado à COP30, o tema reúne pesquisas sobre gases de efeito estufa, biodiversidade, saúde, energia e segurança alimentar. O foco é desenvolver soluções de mitigação e adaptação às mudanças climáticas.
- Diplomacia científica em um mundo em transformação: o tema aborda o papel da diplomacia científica no fortalecimento do Brics e do Sul Global. Os estudos destacam políticas de ciência, assessoria e impactos em segurança alimentar, energia, saúde e biodiversidade.
- Inteligência Artificial para Soluções Sociais: explora como a IA pode melhorar serviços públicos, reduzir custos e ampliar transparência. A discussão inclui pesquisas em softwares, hardwares e big data, além de questões éticas, privacidade e vieses algorítmicos.
Para Adriana Thomé, assumir a presidência do Brics traz oportunidades estratégicas para o País. “Podemos sugerir temas que são importantes para nossa agenda de ciência e tecnologia. Mudanças climáticas em preparação à COP, inteligência artificial, que é um tema muito discutido no momento, e também diplomacia científica do ponto de vista da cooperação do Sul Global”, explicou a chefe da delegação brasileira.
Inovação e reconhecimento
Um dos pontos altos da programação é a 8ª edição do Prêmio Jovens Inovadores do Brics, que valoriza inventores e pesquisadores com soluções de impacto para desafios sociais e econômicos. O reconhecimento simboliza a confiança do bloco no potencial da juventude em produzir mudanças significativas nas áreas de saúde, meio ambiente, inclusão social e novas tecnologias.
Além do prêmio, a diversidade dos projetos mostra o alcance das pesquisas em curso: inteligência artificial aplicada à saúde, ao saneamento e agricultura; à biomedicina e biotecnologia para diagnóstico de doenças; à gestão de recursos hídricos e enfrentamento das mudanças climáticas; e às inovações espaciais com uso de satélites e dados orbitais.
O encontro também amplia a dimensão cultural e humana da cooperação, é o que diz a representante do MCTI, Adriana Thomé. “Essa é uma experiência bastante enriquecedora para nós em termos culturais, porque estamos recebendo pessoas de diversos países. Também é uma experiência muito importante e muito interessante para enriquecer a ciência, a tecnologia e a inovação dentro do nosso País e fortalecer cada vez mais a cooperação dentro dos países Brics”
*Formação de lideranças globais*
Mais do que um evento acadêmico, o fórum é uma plataforma de formação de lideranças científicas. Jovens pesquisadores têm a oportunidade de dialogar diretamente com gestores de inovação, representantes de governos e investidores, construindo redes de cooperação que ultrapassam fronteiras nacionais.
Os objetivos estratégicos do encontro incluem:
- Intensificar a interação entre jovens dos países do Brics para enfrentar problemas sociais comuns por meio da ciência e da inovação
- Promover o desenvolvimento de competências e pesquisas de jovens cientistas
- Incentivar parcerias transnacionais que possam acelerar a inovação
- Reforçar políticas de ciência, tecnologia e juventude do bloco
Para a chefe da delegação da Rússia, Albina Kutuzova, o fórum é um marco importante: “Para nós, é muito importante participar deste evento, que é reconhecido entre os jovens cientistas do Brics. Os temas escolhidos são muito relevantes e demandados em nosso país”.
O chefe da delegação da Índia, Nagaboopathy Mohan, destacou o esforço da organização brasileira: “É muito bom fazer parte do Brics, especialmente neste ano com o Brasil como sede. Vimos um grande número de atividades e a equipe organizadora fez um trabalho excelente desde o planejamento até a execução. Desde o início, é visível a celebração e o sentimento de união entre todos os delegados”.
O chefe da delegação da África do Sul, Tebogo Modiba, afirmou que o evento promove integração e fortalecimento: “É uma oportunidade de construir um ecossistema maior para o Sul Global prosperar, mesmo em tempos de desafios geopolíticos, e trabalhar em conjunto para fortalecer ainda mais o Brics”.
A chefe da delegação dos Emirados Árabes Unidos, Noora Ali Almarzooqi, falou sobre a importância da colaboração internacional. “É um evento muito significativo, onde jovens cientistas e inovadores podem se reunir, discutir suas pesquisas de ponta e colaborar. Boa sorte a todos os jovens cientistas, estou ansiosa por essas trocas”.
Projeção internacional
A edição anterior do fórum foi em novembro de 2024, na Rússia. Agora, em 2025, Brasília se torna palco do encontro que projeta os jovens cientistas no cenário internacional e fortalece o papel do Brics na construção de soluções globais.
A conexão com a COP30 dá ao fórum um peso adicional: os resultados dos debates sobre mitigação e adaptação às mudanças climáticas poderão subsidiar as negociações internacionais que o Brasil conduzirá em novembro, em Belém (PA).
O Fórum de Jovens Cientistas do Brics reafirma a ciência como vetor de integração entre países emergentes e como ferramenta essencial para enfrentar crises globais. Ao sediar a 10ª edição do evento, o Brasil reforça sua posição de liderança no bloco e destaca a importância da juventude científica para o futuro da cooperação internacional.
Sobre a última edição
A 9ª edição do Fórum de Jovens Cientistas ocorreu em novembro de 2024, na cidade de Sochi, na Rússia. A participação brasileira reforçou o compromisso do país com a inovação e a colaboração internacional.
Os candidatos ao Prêmio Jovem Inovador apresentaram projetos que evidenciaram o potencial do Brasil em áreas estratégicas como energia, mobilidade urbana, sustentabilidade e inteligência artificial. Entre os finalistas estavam Andrey Barbosa (Cnen), com pesquisa sobre oxidação eletroquímica de metano a metanol; Guilherme Fidelis Peixer (UFSC), com o protótipo de sistema magnetocalórico MagChill; Isadora Ferrão (USP), com arquitetura de táxis aéreos para cidades inteligentes; Martina Lichtenfels (Ziel BioSciences), com o projeto BIOverseAI; e Thiago Edwiges (UFPR), que trabalhou no aproveitamento de resíduos da cadeia sucroalcooleira em uma economia circular.
Atualmente, existem 13 grupos de trabalho em diversas áreas científicas, como biotecnologia, astronomia, desastres naturais, energias renováveis, computação de alto desempenho, oceanos, materiais e fotônica. Há também um forte foco em inovação, com iniciativas para redes de parques tecnológicos e centros de transferência de tecnologia.
Neste ano, o Brasil celebra 10 anos desde a assinatura do Memorando de Entendimento sobre a Cooperação em CTI. Ao longo da última década, foram lançadas seis chamadas conjuntas a projetos de pesquisa, financiando 157 projetos e mobilizando quase 6 mil pesquisadores de pelo menos três países do grupo em cada iniciativa.
Durante a presidência brasileira, foram propostas duas novas modalidades de editais: a primeira para projetos na área de inovação, visando a cooperação entre empresas para o desenvolvimento de novos produtos e serviços; e a segunda, chamada de projetos “flagship”, para grandes desafios que buscam responder a demandas urgentes dos países membros.
Outra iniciativa importante é a proposta brasileira de um estudo de viabilidade técnica e financeira de um cabo submarino para transferência de dados de pesquisa e educação. Essa conexão direta entre os países do Sul Global pode garantir maior autonomia, resiliência, velocidades e segurança nas trocas de dados, que são cada vez mais essenciais para a ciência moderna.
Tecnologia
AdaptaBrasil lança Painel Cidades para facilitar a consulta sobre risco climático
Publicado
2 de julho de 2026, 20:00
O sistema AdaptaBrasil lançou nesta quinta-feira (2) uma ferramenta com o objetivo de facilitar a consulta às informações sobre risco climático para cada um dos 5.570 municípios brasileiros. O Painel Cidades reúne informações sobre 12 setores e subsetores estratégicos. Além da visualização integrada das informações, com a visão centrada em âmbito municipal, é possível obter detalhamento sobre indicadores de ameaça climática, exposição e vulnerabilidade.
A plataforma é uma iniciativa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), em conjunto com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e a Rede Nacional de Pesquisa e Ensino (RNP), e conta com a colaboração de diversas instituições setoriais. O objetivo é consolidar, integrar e disseminar informações sobre riscos climáticos para subsidiar os tomadores de decisão com base na melhor ciência disponível. O Painel Cidades representa mais um importante avanço do AdaptaBrasil, consolidando anos de colaboração entre as instituições e no aprimoramento de plataformas que disponibilizam evidências, fortalecendo a transparência climática e apoiando a tomada de decisão.
“Essa nova funcionalidade avança na democratização de acesso ao conhecimento à medida que permite entregar aos usuários informações sobre risco climático mais acessíveis e de modo mais rápido. Esse esforço visa apoiar o planejamento de adaptação à mudança do clima em áreas estratégicas. O painel foi pensado para que os gestores e suas equipes técnicas tenham à disposição dados essenciais para a ação climática”, afirma o coordenador-geral de Ciência do Clima do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Márcio Rojas.
Os dados do Painel Cidades são os mesmos já disponíveis na plataforma, cuja consulta é feita por meio dos setores estratégicos e representação cartográfica nacional dos resultados. O novo formato de busca e visualização a partir do município é uma inovação tecnológica de apresentação mais amigável dos indicadores e índices de ameaça, exposição e vulnerabilidade, dimensões que compõem a metodologia da “flor de risco”, em conformidade com as recomendações do Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC, na sigla em inglês).
“Mais do que uma nova funcionalidade do AdaptaBrasil, o Painel Cidades inaugura uma forma inovadora de visualizar os riscos climáticos de cada município brasileiro, tornando informações complexas mais acessíveis para gestores, pesquisadores e sociedade”, explica o gerente de soluções responsável pelo projeto na RNP, Christian Miziara. “Ao apresentar os dados de maneira integrada e orientada ao território, o painel fortalece a capacidade de planejamento e adaptação às mudanças do clima. Nesse processo, a RNP contribui com sua infraestrutura e expertise em tecnologias digitais para transformar evidências geradas pela pesquisa brasileira em informações confiáveis, acessíveis e capazes de apoiar decisões estratégicas para um futuro mais resiliente e sustentável”, complementa.
O AdaptaBrasil tem se consolidado como a principal ferramenta pública para identificação, análise e priorização de riscos climáticos no País. Os dados são gratuitos e abertos. A metodologia empregada considera as melhores práticas recomendadas no âmbito científico global. A ferramenta reúne informações sobre ameaça climática, exposição e vulnerabilidade traduzidas em índices e indicadores para os setores: recursos hídricos, segurança energética e alimentar, saúde, infraestrutura portuária, ferroviária e rodoviária, biodiversidade e desastres geohidrológicos. Além de informações sobre a atualidade, a plataforma projeta ameaças climáticas nos horizontes temporais de 2030 e 2050, considerando os cenários aquecimento global.
“As medidas de adaptação estão se mostrando cada vez mais urgentes, a exemplo das ondas de calor que estão ocorrendo na Europa neste momento”, alerta o pesquisador sênior do Inpe e coordenador científico do AdaptaBrasil, Jean Ometto. Ele explica que as medidas de adaptação precisam de planejamento, no qual as questões climáticas são centrais. E para fazer planejamento são necessários estudos e informações sobre o quanto as cidades e a sociedade estão vulneráveis aos eventos climáticos extremos. “Com isso, Poder Público, iniciativa privada e terceiro setor podem trabalhar para minimizar os impactos. Incorporar na gestão pública as métricas e o fato de que a mudança do clima veio para ficar são muito importantes para o planejamento”, afirma.
Informação qualificada para a tomada de decisão
Além de ter apoiado a construção do Plano Clima Adaptação, os dados do AdaptaBrasil têm sido utilizados para apoiar as atividades de planejamento e capacitação do AdaptaCidades, iniciativa no âmbito do Programa Cidades Verdes Resilientes que apoia diretamente 581 municípios selecionados para subsidiar políticas de adaptação. As ações devem aumentar a resiliência diante da mudança do clima.
“Estamos trabalhando para atingir a meta número um do Plano Clima Adaptação, que é ter todos os estados e ao menos 35% dos municípios com estratégias locais de adaptação”, afirmou diretora de Políticas para a Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), Inamara Mélo. “Já tínhamos o AdaptaBrasil como orientador do trabalho. Agora, com o painel, damos mais um passo relevante, tornando as informações mais acessíveis junto aos governos subnacionais”, complementou.
Para o diretor do Departamento de Adaptação das Cidades à Transição Climática e Transformação Digital do Ministério das Cidades, Yuri Giusti, o Painel Cidades do AdaptaBrasil é um instrumento qualificador da política de desenvolvimento urbano do País. “Esse painel traz o elemento científico para introjetar nas políticas”, explicou.
A diretora do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e do Trabalhador do Ministério da Saúde, Agnes Silva, destacou o esforço interministerial nas iniciativas de enfrentamento da mudança do clima. “É mais um instrumento poderoso que vai consolidando o conhecimento coletivo e ajuda quem está na ponta a resolver o problema nos territórios”, disse.
Passo a passo para consulta do Painel Cidades
A consulta às informações sobre risco climático por município é feita de modo simples e rápido. No menu principal, basta acessara aba Painel Cidades. Na sequência, selecione o estado e o município. Automaticamente, o sistema localiza o município no mapa, apresenta dados sobre bioma, área territorial e população. Abaixo do mapa, a plataforma apresenta tabela completa de classificação de risco para os 12 setores e subsetores estratégicos com o grau de risco. Na mesma página, ainda é possível visualizar os índices de riscos setoriais e os indicadores influenciadores.
Próximos desenvolvimentos do AdaptaBrasil
O plano de melhorias da plataforma contempla a incorporação de novos cenários com projeções climáticas atualizadas para o Brasil, de acordo com as trajetórias de aquecimento global, e de novos setores estratégicos, como zonas costeiras e calor.
PF deflagra segunda fase de operação para apurar suposto desvio de recursos públicos na UFF
PF deflagra operação contra grupo investigado por tráfico interestadual de drogas
MEC amplia prazo de participação no Diagnóstico de Equidade Racial
MEC publica relatório sobre permanência materna nas universidades
MEC entrega 40 novos ônibus para municípios cearenses
Mais Lidas da Semana
-
Esportes26 de junho de 2026, 07:01Turquia surpreende e vence Estados Unidos em jogo de cinco gols
-
Esportes26 de junho de 2026, 09:30Copa do Mundo 2026: 18 seleções garantem vaga e primeiros duelos do mata-mata são definidos
-
Saúde26 de junho de 2026, 15:30Ministério da Saúde inicia projeto-piloto com semaglutida em hospital federal de Porto Alegre
-
Tecnologia27 de junho de 2026, 12:01Ciência leva soluções para a saúde, a produção de alimentos e a educação no Vale do São Francisco

