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Brasil discute cooperação em ciência e tecnologia durante evento na China

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Com o objetivo de discutir cooperação em torno da ciência e tecnologia, o secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Setec), Daniel Almeida Filho, participou do 18º Fórum de Inovação de Pujiang 2025, em Xangai. O encontro ocorreu de sábado (20) a segunda-feira (22) e teve como tema Compartilhando Inovação e Moldando o Futuro: Construindo uma Comunidade Científica e Tecnológica Global Aberta e Cooperativa. Almeida falou sobre parceria entre os dois países e desenvolvimento real e se reuniu com o vice-ministro da Ciência e Tecnologia da China, Chen Jianchang 

Essa é a terceira participação brasileira consecutiva no evento, que une formuladores de políticas públicas, cientistas premiados, líderes industriais e jovens pesquisadores. A permanência nacional na iniciativa marca uma forte posição de colaboração com o país asiático.  

No evento, o secretário foi convidado para ser palestrante principal do InnoMatch 2025, atividade paralela do fórum que reuniu startups e investidores em busca de novas parcerias. Na abertura, Almeida afirmou que China e Brasil têm notável parceria, que conta, inclusive, com empresas brasileiras investindo em terras chinesas. Agora, seria o momento de atrair startups chinesas ao Brasil e também startups brasileiras à China.  

Dessa forma, seriam estabelecidos parques científicos e tecnológicos de larga escala. A edição do seminário deste ano reuniu 550 especialistas e acadêmicos de mais de 300 instituições, abrangendo 45 países e regiões, de acordo com a organização no fórum. Em sua fala, o secretário apresentou o tema Inovação Colaborativa, Vínculo Mútuo e Ganho-Ganho — Caminhos Práticos para a Cooperação Científica e Tecnológica China-Brasil para Impulsionar o Desenvolvimento Industrial.  

Almeida também discutiu, durante o Shanghai tto Sharing Club (atividade on-line complementar ao fórum principal), inovação científica e tecnológica como maneira mais viável de enfrentar desafios globais, como saúde pública e desastres climáticos.  O representante do MCTI debateu essas práticas e perspectivas na cooperação entre China e Paquistão.  

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MCTI Day e pavilhão do Brasil 

O Brasil participou com uma estrutura no pavilhão no local para dar destaque às conquistas científicas e à produção frutos de colaboração com a China. O MCTI levou para Xangai o MCTI Day, que ocorreu no Brazil Center. A atividade integra a Tech Talk: Cooperação Brasil-China no Setor Espacial e foi organizada em parceria com o Consulado-Geral do Brasil em Xangai. 

Os participantes debateram sobre nanossatélites e o Bingo, radiotelescópio que está em construção e sendo instalado na Paraíba (PB). O equipamento será usado para detectar ondas de hidrogênio cósmico para estudos sobre a energia escura e a expansão do universo.  

Já o pavilhão brasileiro contou com diversas exposições, como projetos de luz síncroton. Essa área de colaboração consiste na radiação gerada quando elétrons, acelerados a velocidades próximas à da luz, são forçados a mudar de direção em grandes anéis magnéticos. O fenômeno resulta em feixes extremamente brilhantes e organizados, que se estendem do infravermelho aos raios X, permitindo observações em escala microscópica com alta precisão. 

Em junho deste ano, um fruto dessa parceria foi inaugurado. O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) deu início ao Laboratório Conjunto China-Brasil de Ciência e Tecnologia Síncrotron (CBJSync, sigla em inglês). Assim, cientistas chineses trabalham presencialmente no campus do CNPEM, em Campinas (SP), e cientistas brasileiros vão ao campus do IHEP, em Pequim. O centro nacional é uma organização social vinculada ao MCTI, que coopera com o Institute of High Energy Physics (IHEP), da Academia Chinesa de Ciências (CAS). 

Projetos relacionados às mudanças climáticas, à energia e ao desenvolvimento espacial também estavam expostos aos visitantes e participantes do fórum.  

Um exemplo é o programa Satélite Sino-Brasileiro de Recursos Terrestres (CBERS), que terá sua sexta missão, o CBERS-6, voltada para monitoramento ambiental com capacidade inédita de observação mesmo sob nuvens, ampliando o uso em áreas como agricultura e desmatamento. A participação nacional do Brasil no Fórum de Inovação e Conferência de Transferência de Tecnologia de Pujiang deu continuidade à força da cooperação científica entre China e Brasil e preparou um espaço para colaborações ainda mais contundentes.  

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Para Almeida, dois bons exemplos de relacionamento a longo prazo entre o Brasil e a China são o Bingo e o CBERS. O secretário de Estado de Ciência, Tecnologia, Inovação da Paraíba, Claudio Furtado, complementou: “São 200 cientistas do Brasil e da China envolvidos neste projeto muito importante para a ciência do mundo”. 

Automotive Business Experience 

Além da participação no fórum e eventos paralelos, Almeida esteve na #ABX25 – Automotive Business Experience, em São Paulo (SP), em 17 de setembro. O evento representa uma imersão no futuro do setor automotivo e da mobilidade. Lá, o secretário falou sobre como os instrumentos de fomento alavancam a inovação no Brasil. 

Ele citou projetos do MCTI e das unidades vinculadas, como o Programa Mover — com foco principal na promoção da mobilidade verde e na inovação no setor automotivo — e as linhas da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que ajudam o País a atrair investimentos em Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e ampliar a competitividade global brasileira. 

Além disso, Almeida detalhou a atuação do Governo do Brasil, por meio do MCTI, no aprimoramento de instrumentos ligados ao setor automotivo, como a Lei do Bem (Lei nº 11.196/2005), que representa o principal instrumento público de incentivo à inovação tecnológica no Brasil. Ela oferece benefícios fiscais a empresas tributadas pelo regime do Lucro Real que investem em pesquisa, desenvolvimento e inovação (PD&I).

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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Com apoio da Lei do Bem, Agrosystem desenvolve soluções de agricultura de precisão

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A Agrosystem foi a vencedora do 9º Prêmio Nacional de Inovação na categoria Lei do Bem – Média Empresa. Promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pelo Sebrae, com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o evento agraciou, pela primeira vez, projetos inovadores que utilizaram a Lei 11.196/2005, a principal política de incentivo ao investimento privado em pesquisa e desenvolvimento (PD&I) no Brasil.

Com sede em Ribeirão Preto (SP), a Agrosystem atua no desenvolvimento de soluções tecnológicas para o agronegócio com foco na agricultura de precisão, automação, sensoriamento e conectividade para o plantio de grãos. 

O projeto premiado foi o Bolt, dosador de sementes 100% elétrico criado para elevar a precisão, autonomia e eficiência no plantio. A empresa começou a utilizar a Lei do Bem a partir de 2023, como parte de sua estratégia de PD&I para impulsionar o desenvolvimento de soluções de tecnologia para o campo.
“A Agrosystem nasceu como uma distribuidora de tecnologias para agricultura de precisão e foi pioneira na comercialização desse tipo de solução no Brasil. Ao longo de sua trajetória, a empresa foi ampliando sua atuação e consolidando sua presença no agronegócio, sempre conectada à evolução tecnológica do setor”, afirma Thiago Carvalho, CEO da Agrosystem.

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A empresa estima ter destinado mais de R$ 4 milhões à inovação usando a legislação. O instrumento também ajuda a mitigar riscos dos investimentos em pesquisa e compartilha esse esforço com o setor público.

Em março, o diretor de Engenharia e operações da Agrosystem, Arthur de Paula Ferreira, recebeu o prêmio de Inovação das mãos do secretário de Desenvolvimento Tecnológico e Inovação do MCTI, Daniel Almeida.

“A Lei do Bem é um instrumento estratégico e fundamental para a Agrosystem. Entendemos que o instrumento gera um impacto sistêmico relevante, fortalecendo todo o ecossistema de inovação nacional, ao estimular o desenvolvimento tecnológico no setor privado, contribui para o aumento de produtividade, geração de valor e evolução tecnológica de segmentos estratégicos, como o agronegócio”, afirma Arthur Ferreira.

A empresa foi fundada em 1989 por Carlos Henrique Jacintho Andrade, filho de agricultores e engenheiro mecânico de formação. Atualmente, a companhia mantém 150 profissionais de diferentes áreas de formação, como engenharias, agronomia, administração e tecnologia da informação.

Lei do Bem

A criação da categoria Lei do Bem no Prêmio Nacional de Inovação é uma das iniciativas do MCTI para reforçar a visibilidade e o alcance da legislação. A Lei concede incentivos fiscais a empresas que investem em PD&I no Brasil. Em 2025 (dados do ano-base 2024), o instrumento alavancou R$ 51,6 bilhões em investimentos para PD&I por meio de 14 mil projetos. O MCTI é o responsável por reconhecer os projetos de inovação inscritos.

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Em celebração às duas décadas de Lei do Bem, o ministério promoveu um conjunto de iniciativas para acelerar a análise de projetos e facilitar a participação das empresas. Um dos exemplos é a parceria com a Embrapii para garantir tramitação simplificada para empresas que já tiveram projetos avaliados e aprovados por uma das instituições. Outra é a atualização da  página da Lei do Bem, que traz todas as informações para as empresas interessadas em usá-la. 

Fonte: Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação

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