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Açúcar avança nas bolsas internacionais, mas projeções apontam superávit e pressão nos preços

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Os contratos futuros de açúcar registraram alta nas bolsas internacionais nesta terça (23) e quarta-feira (24), acompanhando o avanço do petróleo e as perspectivas de mercado. Apesar das valorizações recentes, projeções da consultoria StoneX indicam um cenário de superávit global em 2025/26, o que pode pressionar os preços no médio prazo.

Petróleo impulsiona açúcar e etanol

Na terça-feira (23), o petróleo bruto avançou cerca de 2% após a Otan anunciar que responderia a incursões russas em seu espaço aéreo, segundo o Barchart. A alta do petróleo aumentou a atratividade do etanol, o que pode reduzir a oferta de açúcar no mercado internacional, sustentando os preços da commodity.

Projeções da StoneX: superávit global em 2025/26

A StoneX revisou suas estimativas e prevê superávit de 2,8 milhões de toneladas na safra 2025/26, revertendo o déficit registrado em 2024/25. Para o analista Marcelo Di Bonifácio Filho, os fluxos comerciais têm sido o fator determinante no mercado atual. Estoques elevados, importações moderadas e a safra recorde de 2023/24, aliada às exportações brasileiras de 2024, reforçam a tendência de preços mais baixos no médio prazo.

Safra brasileira segue robusta

Entre abril e agosto, o mix açucareiro do Centro-Sul do Brasil superou 52%, refletindo a prioridade da produção de açúcar sobre o etanol. Para a safra 2026/27, a StoneX projeta moagem de 620,5 milhões de toneladas, alta de 3,6% em relação ao ciclo atual. A produção de açúcar deve alcançar 42,1 milhões de toneladas, avanço de 5,7%, enquanto as exportações podem chegar a 34 milhões de toneladas, se aproximando do recorde de 2024.

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No Norte-Nordeste, a moagem deve permanecer estável em 57,3 milhões de toneladas em 2025/26. A produção de açúcar tende a cair 1,9%, para 3,65 milhões de toneladas, mas o destaque está no etanol de milho, que deve se aproximar de 1 bilhão de litros já nesta temporada, com novas unidades entrando em operação em estados como Bahia, Tocantins, Piauí e Rondônia.

Expansão do etanol de milho

O etanol de milho ganha cada vez mais importância no Brasil. Para 2026/27, a produção deve atingir 11,4 bilhões de litros, alta de 17,5% sobre o ciclo anterior, representando quase um terço do volume total de etanol no país. Segundo Di Bonifácio, esse movimento diversifica a matriz produtiva, fortalece a competitividade regional e amplia a segurança no abastecimento de biocombustíveis.

Bolsas internacionais: Nova York e Londres

Na ICE Futures, em Nova York, o açúcar bruto encerrou terça-feira (23) em alta:

  • Outubro/25: 15,66 centavos de dólar por libra-peso (+41 pontos)
  • Março/26: 16,15 centavos de dólar por libra-peso (+24 pontos)

Na abertura desta quarta (24), os preços mantiveram leve valorização, com outubro/25 estável em 15,66 centavos, março/26 em alta de 0,25% (16,19 centavos) e maio/26 também subindo 0,25% (15,76 centavos).

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Em Londres, na ICE Europe, o açúcar branco encerrou terça em valorização:

  • Dezembro/25: US$ 462,80 por tonelada (+US$ 11,80)
  • Março/26: US$ 454,00 por tonelada (-US$ 9,40)

Na quarta-feira (24), o dezembro/25 recuava 0,13%, cotado a US$ 462,20 por tonelada.

Mercado interno: açúcar e etanol

No Brasil, o açúcar cristal registrou alta de 0,08%, segundo o Indicador Cepea/Esalq, com a saca de 50 kg negociada a R$ 119,79. Já o etanol hidratado recuou 0,25%, sendo comercializado a R$ 2.831,00 o metro cúbico nas usinas de Paulínia.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Compra de sementes de soja desacelera no Brasil diante de custos elevados, crédito restrito e incertezas para a safra 2026/27

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O mercado brasileiro de sementes de soja atravessa um momento de cautela e menor ritmo de comercialização para a safra 2026/27. Em meio ao aumento dos custos de produção, restrições no crédito rural e incertezas geopolíticas, produtores têm adiado as decisões de compra, pressionando a indústria sementeira e ampliando a preocupação do setor.

Responsável por movimentar mais de R$ 30 bilhões por ano no Brasil, o segmento de sementes de soja vive um cenário marcado por prudência nas negociações e dificuldade para projetar o próximo ciclo agrícola.

Durante o Encontro Nacional dos Produtores de Sementes de Soja (Enssoja), realizado nesta semana em Foz do Iguaçu (PR), representantes da cadeia produtiva destacaram que a combinação entre margens mais apertadas e alta dos custos de insumos tem provocado atraso na comercialização.

Guerra no Oriente Médio eleva preocupação com custos

Segundo o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Sementes de Soja (Abrass), André Schwening, o cenário internacional tem aumentado a insegurança do produtor rural, especialmente diante dos impactos da guerra no Oriente Médio sobre os fertilizantes e outros insumos agrícolas.

De acordo com o dirigente, o ambiente de incerteza geopolítica acaba reduzindo o ritmo das negociações e levando o agricultor a postergar investimentos para a próxima safra.

Apesar disso, Schwening avalia que ainda é cedo para projetar o desempenho definitivo da temporada 2026/27.

O executivo lembra que a safra passada foi marcada por condições climáticas extremamente favoráveis, tanto para a produção de grãos quanto para sementes, o que resultou em ampla oferta no mercado e pressionou o equilíbrio entre oferta e demanda.

A expectativa agora é de um cenário mais ajustado para o próximo ciclo.

Área de soja deve se manter estável no Brasil

Estimativas apresentadas pela Agroconsult durante o Enssoja indicam que a área cultivada com soja no Brasil deverá permanecer em aproximadamente 49 milhões de hectares na safra 2026/27.

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Embora o avanço territorial da cultura tenha desacelerado nos últimos anos, representantes do setor acreditam que ainda existe potencial de expansão, principalmente em áreas de pastagens.

No entanto, esse crescimento dependerá diretamente de fatores como rentabilidade do produtor, demanda internacional e estabilidade econômica global.

Clima reduz oferta de sementes e pressiona mercado

Além das dificuldades econômicas, o clima também tem impactado a disponibilidade de sementes para a próxima temporada.

Segundo a Abrass, o excesso de chuvas durante o período de colheita, especialmente no Cerrado brasileiro, afetou a qualidade das sementes produzidas e reduziu parte da oferta disponível no mercado.

O problema atinge tanto a indústria de sementes certificadas quanto a produção de sementes salvas, prática legal utilizada por muitos produtores rurais.

A avaliação do setor é de que a infraestrutura mais limitada para produção de sementes próprias torna esse segmento ainda mais vulnerável aos problemas climáticos registrados na última safra.

Crédito restrito desacelera comercialização

A restrição ao crédito rural aparece entre os principais fatores que explicam a lentidão nas negociações.

Na sementeira Ouro Verde, tradicional produtora de sementes em Minas Gerais, o ritmo de vendas está abaixo do observado em anos anteriores para o mesmo período.

Segundo o diretor-executivo da empresa, Guilherme Piva, o aumento expressivo nos preços dos fertilizantes e defensivos agrícolas ampliou a cautela do produtor quanto ao tamanho do investimento na próxima safra.

A empresa, que possui capacidade para processar cerca de 500 mil sacas de sementes de soja por ano, registrou redução de 30% no volume disponível para comercialização em comparação com a safra passada.

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Inadimplência e recuperações judiciais mudam estratégia das empresas

O avanço da inadimplência no agronegócio e o aumento dos pedidos de recuperação judicial também têm levado as empresas do setor a reverem suas estratégias comerciais.

Na Triunfo Sementes, sediada em Formosa (GO) e responsável pela produção de cerca de 800 mil sacas anuais, a prioridade passou a ser preservação de caixa e vendas com menor risco financeiro.

Segundo o sócio-diretor da companhia, Rodrigo Felgar Aprá, a empresa decidiu reduzir sua exposição comercial após os impactos enfrentados na temporada anterior.

O empresário afirmou que os investimentos em expansão, que anteriormente representavam cerca de 5% do faturamento anual, foram totalmente suspensos em 2026.

Por outro lado, a companhia projeta crescimento entre 10% e 15% na adoção do tratamento industrial de sementes, tecnologia que vem ganhando espaço no campo por aumentar a proteção inicial das lavouras.

Apesar do ambiente mais cauteloso, a Triunfo avalia que aproximadamente 60% da produção já foi negociada para a próxima safra, percentual considerado dentro da normalidade para o período.

Mercado segue atento à rentabilidade da safra 2026/27

O setor de sementes de soja continuará monitorando fatores como preços internacionais, custos dos fertilizantes, disponibilidade de crédito e comportamento climático nos próximos meses.

A definição do tamanho dos investimentos dos produtores na safra 2026/27 deverá depender principalmente da evolução das margens de rentabilidade e da estabilidade econômica global, em um cenário ainda marcado por elevada volatilidade no agronegócio.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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