Nacional

MTE promove debate sobre trabalho e segurança na cadeia do sisal na Bahia

Publicado

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) realizou, nos dias 25 e 26 de setembro, audiências públicas em Várzea Nova e Valente, na região conhecida como Território do Sisal. Os encontros discutiram os principais desafios enfrentados por trabalhadores e empregadores da cadeia produtiva, com foco em temas como informalidade, saúde e segurança no trabalho, além da prevenção e do combate ao trabalho em condições análogas à escravidão.

A cadeia produtiva do sisal é uma das mais tradicionais do semiárido nordestino, gerando emprego e renda para milhares de famílias. Durante as audiências, auditores-fiscais do Trabalho do MTE apresentaram um panorama da realidade do trabalho no campo, destacando a importância de prevenir acidentes e doenças ocupacionais, além da necessidade de fortalecer políticas de proteção social voltadas aos trabalhadores rurais.

O público presente contou com produtores rurais e agricultores familiares, que desempenham papel fundamental na manutenção dessa atividade econômica, colocando o Brasil entre os maiores produtores e exportadores de sisal do mundo. Durante os debates, os participantes compartilharam experiências, esclareceram dúvidas e receberam orientações práticas sobre como alinhar a produção a padrões de trabalho decente, segurança e sustentabilidade.

Leia mais:  Complexo Solar Bom Jardim inicia fase de testes no Ceará

De acordo com Jackson Brandão, coordenador nacional de Fiscalização do Trabalho Rural, a iniciativa teve como objetivo “aproximar as autoridades do setor produtivo e dos trabalhadores, criando um espaço de diálogo transparente e construindo soluções conjuntas para superar problemas históricos da cadeia do sisal”. O encontro em Valente contou com o apoio da Associação de Desenvolvimento Sustentável e Solidário da Região Sisaleira (APAEB).

Segundo Wagner Rebouças, chefe de fiscalização da Gerência Regional do Trabalho de Feira de Santana, encontros como esse “reforçam o compromisso com a formalização do trabalho e a valorização da dignidade dos trabalhadores rurais, pilares fundamentais para o desenvolvimento econômico e social da região”.

As audiências destacam a relevância da parceria entre poder público, sociedade civil organizada e produtores rurais, promovendo um ambiente favorável a avanços em saúde, segurança e valorização do trabalho no campo, em uma das atividades mais tradicionais e emblemáticas da economia do Nordeste brasileiro.

 

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego

Comentários Facebook
publicidade

Nacional

Proteção digital ganha reforço com novas regras, fiscalização de plataformas e ações de inteligência artificial

Publicado

Brasília, 13/5/26 – O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) consolidou, no primeiro quadrimestre de 2026, uma série de ações estratégicas no campo dos direitos digitais e da proteção de crianças, adolescentes e mulheres no ambiente on-line.

As ações integram o eixo 3 do Relatório de Gestão Quadrimestral e abrangem desde a regulamentação do Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital) até ações de fiscalização contra plataformas que descumprem a legislação vigente.

Regulamentação

Em 18 de março de 2026, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou um pacote de três decretos que operacionalizam a Lei nº 15.211/2025, conhecida como ECA Digital. As medidas criam uma estrutura integrada de proteção no ambiente virtual.

O Decreto nº 12.880/2026 regulamenta a lei de forma substantiva, estruturando três frentes de operacionalização: verificação de idade com preservação de privacidade, regras para coibir a adoção de design manipulativo em aplicativos digitais e criação da Política Nacional de Promoção e Proteção dos Direitos da Criança e do Adolescente na Polícia Federal. O instrumento reforça que verificação de idade não se confunde com verificação de identidade e combate práticas de design manipulativo em plataformas digitais.

O Decreto nº 12.881/2026 reestrutura a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD), consolidando sua autonomia funcional, técnica, decisória, administrativa e financeira. A medida amplia a capacidade da agência de regulamentar, fiscalizar e aplicar sanções previstas no ECA Digital.

Já o Decreto nº 12.882/2026 institui, na estrutura da Polícia Federal (PF), o Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, responsável por receber e triar denúncias, coordenar respostas operacionais com órgãos competentes e produzir inteligência sobre padrões de violação de direitos digitais.

É a primeira vez que plataformas serão obrigadas a reportar crimes diretamente às autoridades policiais brasileiras, o que reforça a soberania nacional sobre o tema da proteção da infância.

Leia mais:  MME participa de webinar da Finep sobre transformação mineral

Influenciadores mirins

Em paralelo à regulamentação, o MJSP constituiu, em 1º de abril de 2026, o Comitê Interinstitucional sobre Trabalho Artístico de Crianças e Adolescentes em Plataformas Digitais, por meio da Portaria Sedigi/MJSP nº 1/2026. O órgão reúne entidades do sistema de Justiça, do Poder Executivo e da sociedade civil para tratar da proteção de criadores mirins — tema que ganhou relevância após acordo firmado entre o Ministério Público do Trabalho (MPT), Ministério Público Estadual (MPE) e a Meta, em março deste ano.

O Comitê trabalha na elaboração de diretrizes para alvarás judiciais de atividade artística de crianças e adolescentes em ambiente digital e de mecanismos de monitoramento do trabalho infantil digital.

Também foi concluído, em 29 de abril de 2026, um ciclo de reuniões bilaterais com YouTube, TikTok, Instagram, Twitch e Kwai.

Classificação Indicativa

O primeiro ciclo completo da política de Classificação Indicativa sob o novo eixo de interatividade, introduzido pela Portaria MJSP nº 1.048/2025 e pelo Decreto nº 12.880/2026, registrou 2.204 atos de classificação entre 17 de março e 28 de abril de 2026, com média de 22 atos por dia.

A análise técnica para classificação das redes sociais, de jogos e de aplicativos passa a levar em conta, além do conteúdo, fatores de risco associados à interatividade, o que resultou em alguns casos na reclassificação para faixas etárias mais elevadas.

Jogos digitais com mecanismos de recompensa aleatória (loot boxes) passam a ser não recomendados para menores de 18 anos por conta dessa funcionalidade. Conteúdos televisivos com publicidade de apostas também tiveram restrição de horário.

Leia mais:  MPor anuncia a realização da 1ª Jornada Navegue Simples

Guia do Usuário Brasileiro de Inteligência Artificial

O MJSP elaborou o Guia do Usuário Brasileiro de Inteligência Artificial — Definições, Direitos e Governança de IA no Brasil, documento elaborado em linguagem acessível. O instrumento foi submetido à consulta pública na plataforma Brasil Participativo entre 20 de março e 4 de maio de 2026, com lançamento oficial previsto para junho deste ano.

Estruturado em três eixos — fundamentos conceituais, explicação de sistemas algorítmicos e direitos e governança —, o guia representa a primeira iniciativa voltada diretamente ao cidadão no eixo regulatório do Plano Brasileiro de Inteligência Artificial (PBIA 2024–2028).

Fiscalização ativa

O Ministério promoveu atuação direta de fiscalização sobre plataformas digitais em três frentes. Em março de 2026, o MJSP notificou o TikTok Brasil diante da disseminação de conteúdos misóginos associados à trend “caso ela diga não”, que simulavam agressões físicas contra mulheres, resultando na instauração de inquérito pela Polícia Federal.

Em abril, ofícios foram encaminhados ao Google Brasil e à Apple requisitando esclarecimentos sobre a disponibilização de aplicativos de apostas sem a verificação de idade exigida no ECA Digital, de modo a coibir o acesso por crianças e adolescentes a esses aplicativos.

Impacto estruturante

As ações do eixo 3 representam mudança estrutural na atuação do Estado brasileiro no ambiente digital, com regulação baseada em evidências, proteção estruturada de crianças e adolescentes, fiscalização ativa de grandes plataformas e fortalecimento dos direitos dos cidadãos diante de sistemas algorítmicos.

O MJSP reforça que a construção de um ambiente virtual mais seguro passa por garantir que a legislação brasileira também seja corretamente aplicada na Internet.

Fonte: Ministério da Justiça e Segurança Pública

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana