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Trigo mantém estabilidade no Brasil enquanto cotações recuam em Chicago e exportações russas diminuem

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Mercado brasileiro segue pressionado por oferta e custos logísticos

O mercado de trigo no Brasil permanece estável, influenciado pela ampla oferta e por desafios climáticos e logísticos que impactam a formação de preços. De acordo com a TF Agroeconômica, no Paraná, os valores não devem registrar alta expressiva enquanto houver disponibilidade do cereal, com expectativa de recuperação mais consistente apenas a partir de fevereiro, quando a entressafra mundial tende a afetar o mercado global.

Entre os principais pontos de atenção estão chuvas excessivas, ocorrência de granizo, giberela, acamamento e custos elevados de frete, além da influência do dólar sobre a competitividade do trigo brasileiro.

Rio Grande do Sul deve enfrentar queda nos preços até avanço das exportações

No Rio Grande do Sul, a expectativa é de retração nos preços até que as exportações consigam absorver o excedente da safra. O piso provável do trigo gaúcho é estimado em R$ 1.000 por tonelada FOB interior — patamar abaixo do qual o produtor tende a reter a produção.

Historicamente, cerca de 60% da safra é comercializada até o final de dezembro, mas o ritmo de vendas dependerá da disponibilidade de crédito para o próximo ciclo produtivo.

Dependência da Argentina reforça necessidade de cautela

A Argentina segue como peça estratégica para o abastecimento brasileiro, já que grande parte do trigo importado vem do país vizinho. Questões econômicas, políticas e cambiais podem levar o governo argentino a adotar novas isenções de tarifas de exportação, o que exigirá atenção redobrada dos produtores brasileiros na definição de estratégias de venda ou proteção da safra.

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Segundo analistas da TF Agroeconômica, o momento atual é visto como uma fase de suporte, já que fatores baixistas recentes não conseguiram pressionar os preços além de certos limites. A corretora Zaner projeta uma recuperação gradual das cotações à medida que o mercado internacional entre na entressafra.

Cotações internacionais do trigo recuam em Chicago

No mercado externo, as cotações do trigo em Chicago registraram leve queda na semana encerrada em 2 de outubro, conforme análise da Central Internacional de Análises Econômicas e de Estudos de Mercado Agropecuário (Ceema).

O bushel foi negociado a US$ 5,14, ante US$ 5,19 da semana anterior. Mesmo com o recuo semanal, a média de setembro fechou em US$ 5,13, alta de 0,98% em relação a agosto. No mesmo mês de 2024, o preço médio era de US$ 5,70 por bushel.

O relatório trimestral de estoques norte-americano, com dados de 1º de setembro, indicou aumento de 6% em relação ao ano anterior. Já o plantio do trigo de inverno nos Estados Unidos atingiu 34% da área prevista, ligeiramente abaixo da média histórica de 36%. A colheita do trigo de primavera já foi concluída.

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Ucrânia amplia área de plantio e Rússia reduz exportações

Na Ucrânia, o Ministério da Economia anunciou que a área semeada com trigo de inverno será 9% maior que a estimativa inicial, alcançando 5,2 milhões de hectares. O crescimento deve ocorrer com a redução das áreas de milho e girassol, mantendo ainda 200 mil hectares destinados ao trigo de primavera.

A produção total de trigo ucraniano em 2025 deve atingir 22,5 milhões de toneladas, com exportações estimadas em 15,7 milhões de toneladas no período de junho de 2024 a julho de 2025.

Já na Rússia, a consultoria SovEcon revisou para baixo as exportações de trigo do ciclo 2025/26, agora projetadas em 43,4 milhões de toneladas, uma queda de 300 mil toneladas em relação à estimativa anterior. Entre julho e setembro, o país exportou 11 milhões de toneladas, o volume mais baixo para o início de ano comercial desde 2022/23, período marcado pelos impactos da guerra com a Ucrânia.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mapa apresenta Rgen+Sustentável na Feira Brasil na Mesa

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Neste sábado (25), na Feira Brasil na Mesa, realizada pela Embrapa em comemoração aos seus 53 anos, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) realizou uma palestra detalhando a Política Nacional de Conservação e Uso Sustentável dos Recursos Genéticos para a Alimentação, a Agricultura e a Pecuária (Rgen+Sustentável).

Com o objetivo de conservar, valorizar e promover o uso sustentável dos recursos genéticos para a alimentação e a agricultura (RGAA), a política foi lançada em abril de 2025 e busca ampliar a base genética dos programas de melhoramento das instituições de pesquisa, além de fortalecer o conhecimento sobre esses recursos e contribuir para a segurança alimentar e nutricional. A iniciativa também atua como catalisadora do desenvolvimento científico e tecnológico no setor agrícola.

A política é estruturada para garantir a segurança alimentar nacional por meio da conservação e do uso sustentável da diversidade genética. São considerados recursos genéticos os materiais com valor atual ou potencial para uso direto ou indireto na alimentação e na agropecuária, incluindo espécies de plantas, animais, microrganismos e organismos intermediários.

Durante a apresentação, o representante da coordenação de Recursos Genéticos para a Alimentação e Agricultura do Departamento de Inovação do Mapa, Paulo Mocelin, destacou a importância estratégica do tema.

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Segundo Mocelin, embora o tema ainda não seja amplamente conhecido pelo público, ele é fundamental para o futuro da agropecuária. “O tema de recursos genéticos não é tão popular, mas traz elementos novos e essenciais para o desenvolvimento do setor. A Política Nacional é uma política de Estado, instituída pelo Decreto nº 12.097, de 2024, e tem como objetivo definir prioridades e estratégias para consolidar uma agenda de longo prazo voltada à conservação, valorização e uso sustentável da biodiversidade agrícola”, explicou.

Também ressaltou que a política está alinhada a compromissos internacionais, como a Convenção sobre Diversidade Biológica e o Tratado Internacional sobre Recursos Fitogenéticos para Alimentação e Agricultura.

“O Brasil é um país megadiverso, com grande variedade de espécies, biomas e ecossistemas. Temos um clima favorável à agropecuária, um sistema nacional de pesquisa robusto, com destaque para a Embrapa e instituições estaduais, além de uma legislação estruturada e parcerias internacionais consolidadas”, pontuou.

No âmbito das diretrizes de pesquisa e inovação, a política busca promover a conservação e o uso sustentável dos recursos genéticos, incentivar a adoção de novas tecnologias, sistematizar e disponibilizar informações científicas e fortalecer a articulação entre atores públicos e privados.

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Já em relação aos Povos e Comunidades Tradicionais (PCTs) e ao Conhecimento Tradicional Associado (CTA), a iniciativa incentiva o intercâmbio de variedades tradicionais e raças localmente adaptadas, além de valorizar os saberes tradicionais e promover a participação social.

No eixo de informação e capacitação, estão previstas ações de divulgação da importância estratégica dos RGAA, articulação de redes nacionais e internacionais, formação de recursos humanos e ampliação do acesso a dados qualificados.

A política também se articula com iniciativas como a Rede Nacional de Pesquisa e Inovação em Genética Agrícola para Adaptação às Mudanças Climáticas (Readapta), que desenvolve projetos de melhoramento genético voltados a culturas como arroz, feijão, milho, soja, trigo e mandioca.

O Mapa é responsável pela definição e implementação dos planos de ação, pela estruturação da rede, pelo fomento à conservação e capacitação, além de incentivar pesquisas e inovações baseadas no uso sustentável dos recursos genéticos.

Informações à imprensa

[email protected]

Fonte: Ministério da Agricultura e Pecuária

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