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Preços do boi gordo sobem em várias regiões do Brasil com redução das escalas de abate

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O mercado brasileiro de boi gordo apresentou valorização em diversas regiões ao longo da semana, impulsionado principalmente pelo encurtamento das escalas de abate, especialmente entre frigoríficos de menor porte.

Escalas de abate e oferta de animais

Segundo o analista de Safras & Mercado, Fernando Iglesias, os frigoríficos de maior porte continuam com maior disponibilidade de animais em parceria, mantendo escalas mais confortáveis. Já os frigoríficos menores enfrentam restrições, o que pressiona os preços da arroba para cima.

O mercado interno também mostrou maior fluidez, com aumento nos preços da carne bovina no atacado, enquanto as exportações seguem em níveis elevados, contribuindo para o fortalecimento do setor.

Preços da arroba nas principais praças

Em 9 de outubro, a arroba do boi gordo a prazo era negociada da seguinte forma:

  • São Paulo (Capital) – R$ 310,00, alta de 3,33%
  • Goiás (Goiânia) – R$ 295,00, avanço de 1,72%
  • Minas Gerais (Uberaba) – R$ 295,00, alta de 1,72%
  • Mato Grosso do Sul (Dourados) – R$ 320,00, estável
  • Mato Grosso (Cuiabá) – R$ 295,00, estável
  • Rondônia (Vilhena) – R$ 280,00, valorização de 2,56%
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Mercado atacadista mantém firmeza

O mercado atacadista trabalhou com preços estáveis e firmes durante a semana. Iglesias ressalta que a entrada de salários na economia favorece reposições entre atacado e varejo, o que pode gerar novos ajustes nos preços no curto prazo.

  • Quarto traseiro do boi: R$ 25,00/kg, alta de 8,70%
  • Quarto dianteiro do boi: R$ 17,70/kg, avanço de 4,12%

O analista observa que a chegada do último trimestre do ano aumenta o otimismo, devido ao consumo aquecido característico do período.

Exportações de carne bovina seguem aquecidas

Em setembro de 2025 (22 dias úteis), as exportações brasileiras de carne bovina somaram US$ 1,767 bilhão, com média diária de US$ 80,351 milhões. O volume total exportado foi de 314,690 mil toneladas, média diária de 14,304 mil toneladas, e preço médio da tonelada em US$ 5.617,40.

Em comparação com setembro de 2024, houve:

  • 55,6% de alta no valor médio diário
  • 25,1% de crescimento na quantidade média diária exportada
  • 24,4% de aumento no preço médio por tonelada
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Os dados foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior, refletindo a forte demanda internacional pela carne brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Mercado de cacau entra em alerta com risco de El Niño e ameaça de seca na África Ocidental

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O mercado internacional de cacau segue convivendo com um cenário de contrastes. De um lado, a expectativa de recuperação da oferta global e a perspectiva de superávit nos próximos meses pressionam os preços. De outro, os riscos climáticos nas principais regiões produtoras do mundo continuam alimentando a volatilidade e impedindo movimentos mais acentuados de queda.

De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, a combinação entre previsões de chuvas abaixo da média na África Ocidental e o aumento das chances de formação do fenômeno El Niño mantém o mercado em estado de alerta, especialmente em um momento decisivo para o desenvolvimento da próxima safra.

Preços acumulam forte valorização no mês

Apesar do viés baixista predominante nos fundamentos do mercado, os contratos futuros registraram ganhos expressivos ao longo de maio.

Na semana encerrada em 29 de maio, o cacau foi negociado a US$ 3.923 por tonelada em Nova York e a 2.975 libras esterlinas por tonelada em Londres. No acumulado mensal, as cotações avançaram 12,3% e 13,5%, respectivamente.

Segundo a analista de Inteligência de Mercado da Hedgepoint Global Markets, Carolina França, os movimentos recentes foram impulsionados principalmente por fatores técnicos e ajustes de posicionamento dos investidores.

O mercado também acompanhou informações sobre uma possível safra mais robusta na Costa do Marfim, maior produtor mundial da commodity, além de preocupações relacionadas à qualidade das amêndoas produzidas na África Ocidental. Ainda assim, não houve alterações significativas nos fundamentos globais de oferta e demanda.

Clima continua sendo o principal fator de risco

As condições meteorológicas permanecem no centro das atenções do setor cacaueiro.

Na Costa do Marfim, os volumes de chuva seguem acima dos registrados no ciclo anterior e próximos da média histórica, favorecendo o desenvolvimento das lavouras. Em Gana, segundo maior produtor da região, as precipitações também apresentam desempenho positivo, contribuindo para o potencial produtivo da safra.

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Entretanto, especialistas alertam que o excesso de umidade também pode aumentar a incidência de doenças e dificultar parte das operações de campo.

O principal ponto de atenção está nas previsões climáticas para junho. Modelos meteorológicos indicam redução das chuvas em algumas áreas da África Ocidental durante as próximas semanas, justamente em um período considerado estratégico para a formação da safra 2026/27.

Essa fase corresponde ao florescimento das plantas que irão originar a principal colheita da próxima temporada, prevista para começar em outubro.

Caso o déficit hídrico se confirme e se prolongue ao longo do mês, o potencial produtivo poderá ser impactado, oferecendo sustentação adicional aos preços internacionais.

El Niño aumenta incertezas para a produção mundial

Outro fator que vem preocupando o mercado é o fortalecimento das expectativas para o retorno do fenômeno El Niño.

A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 82% a probabilidade de formação do fenômeno entre maio e julho. As projeções indicam ainda que o evento poderá permanecer ativo durante o inverno 2026/27 do Hemisfério Norte.

Os modelos climáticos apontam que a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 pode ultrapassar 1,5°C e atingir até 2°C a partir de setembro, caracterizando um episódio de forte intensidade.

Historicamente, o El Niño provoca alterações significativas nos regimes de chuva em diversas regiões produtoras de commodities agrícolas.

No caso do cacau, o fenômeno costuma favorecer condições mais secas em áreas da África Ocidental e Central, além de partes da América Central e do norte do Brasil. Em contrapartida, pode aumentar os volumes de precipitação em países como Peru e Equador.

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Além das mudanças no regime de chuvas, especialistas também monitoram a possibilidade de ondas de calor mais frequentes tanto na África quanto na América do Sul.

Mercado deve continuar reagindo rapidamente às notícias climáticas

Mesmo com a perspectiva de superávit global e estoques certificados elevados nas bolsas internacionais, o mercado de cacau continua extremamente sensível a qualquer mudança nas condições meteorológicas.

A avaliação dos analistas é que a formação do El Niño adiciona um importante componente de incerteza para os próximos meses, especialmente porque seus impactos variam de acordo com a intensidade do fenômeno e sua interação com fatores regionais, como os ventos Harmattan e o sistema de monções da África Ocidental.

Dessa forma, a tendência é que os preços continuem reagindo rapidamente a novas informações sobre o clima, a evolução das lavouras e a oferta global.

Perspectiva para o setor

Para produtores, exportadores, indústrias e investidores, o monitoramento climático deverá permanecer como um dos principais indicadores de mercado ao longo de 2026.

Embora o cenário atual ainda aponte para uma recuperação parcial da oferta mundial, os riscos associados ao clima continuam elevados. A evolução das chuvas na África Ocidental, o desenvolvimento do El Niño e o comportamento da demanda global serão determinantes para definir a trajetória dos preços do cacau nos próximos meses.

Em um mercado historicamente sensível às condições climáticas, qualquer alteração relevante na produção das principais regiões exportadoras pode desencadear novos movimentos de valorização e ampliar a volatilidade das negociações internacionais.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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