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Governo federal e ONU anunciam mutirão contra o calor extremo na COP30

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O Brasil deu mais um passo importante para avançar com a implementação de estratégias de enfrentamento às altas temperaturas provocadas pela emergência climática. A iniciativa ocorrerá no âmbito do Mutirão contra o Calor Extremo, lançado pela ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, na abertura da sessão de alto nível da COP30 sobre o tema, nesta terça-feira (11/11), na capital paraense. 

Liderada pela Presidência da COP30 e pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a ação busca acelerar a adoção de soluções sustentáveis de refrigeração e fortalecer a resiliência das cidades ao calor em todo o mundo.  

Cerca de 185 cidades, além de 80 instituições privadas, bancos multilaterais, organizações da sociedade civil e doadores internacionais, já aderiram à estratégia. A proposta concretiza o Compromisso Global de Resfriamento (Global Cooling Pledge), copresidido pelo Brasil e pelos Emirados Árabes Unidos. 

Na oportunidade, Marina Silva, afirmou que, para enfrentar as ondas de calor, será necessário impulsionar uma série de ações em três frentes. “Encontraremos respostas, seja na adaptação, na mitigação ou na transformação do modelo insustentável de desenvolvimento que nos trouxe a essa situação”, ressaltou.  

A ministra chamou atenção para os impactos da crescente elevação da temperatura biodiversidade, nos sistemas produtivos e, sobretudo, na saúde da população, que é responsável pela morte de mais de 500 mil vidas todos os anos, sendo a maioria crianças e pessoas idosas, destacou. “Esse dado é subnotificado. A maioria das pessoas que perdem a vida em função do calor extremo não tem o óbito computado como consequência das ondas de calor”, completou. 

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O enfrentamento ao cenário, destacou a ministra, só será possível com a implementação da agenda, aprovada na COP28, que prioriza triplicar a capacidade global de energia renovável, dobrar a eficiência energética e fazer a transição para o fim do uso dos combustíveis fósseis.  

Mapa do caminho 
O plano, explicou o secretário nacional de Meio Ambiente Urbano, Recursos Hídricos e Qualidade Ambiental do MMA, Adalberto Maluf, propõe metas para reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 68% até 2050. A ação prevê ainda aumentar a eficiência global de novos condicionadores de ar em 50%, para garantir acesso a aquecimento sustentável para todos, com foco nas comunidades mais vulneráveis.  

“O plano oferece o mapa de caminho para garantir que a solução baseada na natureza e o aquecimento sustentável se integrem no clima e na política urbana, que não só poderiam reduzir a demanda de energia, aumentar a eficiência no setor de aquecimento, mas preparar as cidades para o futuro”, ressaltou Maluf.  

Integração 

A medida defende uma resposta coordenada entre o setor público, privado, academia e sociedade civil para proteger cidades e populações vulneráveis dos impactos das altas temperaturas.   

No Brasil, o mutirão será implementado no contexto do Programa Cidades Verdes Resilientes (PCVR), coordenado pelos ministérios do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA); das Cidades e da Ciência; e Tecnologia e Inovação. A estratégia tem como foco a redução de desigualdades e riscos climáticos por meio de ações de adaptação urbana. 

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Mais de 60 cidades já aderiram à iniciativa, assumindo o compromisso de adotar medidas para enfrentar o aumento das temperaturas. Entre as ações previstas estão o mapeamento de riscos e vulnerabilidades ao calor, a ampliação da infraestrutura verde e azul, a incorporação de soluções de resfriamento passivo em edificações e o fortalecimento da eficiência energética em equipamentos. 

A subsecretária-geral das Nações Unidas e diretora executiva do PNUMA, Inger Anderson, pontuou que a medida é essencial para combater o aquecimento global e proteger a vida humana, especialmente os mais vulnerabilizados. “Alcançar os objetivos é crucial, porque o calor extremo é um sinal claro de crises climáticas” 

Relatório global  

Também nesta terça-feira, na COP30, foi lançado o segundo relatório Global Cooling Watch. O documento apresenta uma análise sobre o aumento das temperaturas, a crescente demanda por resfriamento e as desigualdades no acesso a soluções sustentáveis. A análise foi publicada pela Cool Coalition, liderada pelo PNUMA. 

Acesse o relatório aqui

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Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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El Niño volta ao radar do mercado de café e pode influenciar oferta global nas próximas safras

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A confirmação de um novo episódio do fenômeno El Niño para o segundo semestre de 2026 reacendeu a atenção do mercado internacional de café. Embora a produção brasileira da safra 2026/27 não deva sofrer impactos relevantes, especialistas avaliam que as alterações climáticas poderão afetar importantes regiões produtoras ao redor do mundo e influenciar as perspectivas de oferta nos próximos ciclos.

De acordo com análise da Hedgepoint Global Markets, os efeitos do El Niño sobre a cafeicultura dependem da intensidade e da duração do fenômeno, além do momento em que ocorre dentro do calendário agrícola de cada país. Por isso, os impactos tendem a variar entre as diferentes origens produtoras.

Safra brasileira 2026/27 segue com perspectiva positiva

No Brasil, maior produtor e exportador mundial de café, a expectativa é de que a safra 2026/27 não registre perdas significativas em decorrência do fenômeno climático.

Segundo a Hedgepoint, o estágio atual das lavouras reduz os riscos imediatos para a produção nacional. Ainda assim, um outono e inverno com maior volume de chuvas podem provocar atrasos na colheita e aumentar a volatilidade do mercado ao longo dos próximos meses.

Mesmo sem expectativa de impactos relevantes sobre a produtividade da safra atual, o comportamento do clima continuará sendo acompanhado de perto pelos agentes do setor, especialmente diante da possibilidade de fortalecimento do El Niño durante o segundo semestre.

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Florada da safra 2027/28 entra no foco do mercado

Se a produção da temporada atual inspira maior tranquilidade, a mesma situação não se aplica ao próximo ciclo produtivo.

A Hedgepoint alerta que alterações no regime de chuvas e nas temperaturas durante o período de florada poderão influenciar o potencial produtivo da safra brasileira de 2027/28.

A fase de floração é considerada uma das mais importantes para a definição da produtividade dos cafezais. Qualquer irregularidade climática nesse período pode comprometer a formação dos frutos e alterar as estimativas futuras de produção.

América Central e Sudeste Asiático concentram maiores riscos

Enquanto o Brasil tende a enfrentar impactos limitados no curto prazo, outras importantes regiões produtoras apresentam maior vulnerabilidade aos efeitos do El Niño.

Segundo a análise da Hedgepoint Global Markets, países da América Central e do Sudeste Asiático podem sofrer alterações climáticas capazes de prejudicar tanto a safra 2026/27 quanto a temporada 2027/28.

Essas regiões desempenham papel estratégico no abastecimento global de café, especialmente na produção de grãos arábica e robusta, o que faz com que qualquer redução na oferta seja acompanhada com atenção pelos mercados internacionais.

Clima seguirá como principal variável para os preços

Com a possibilidade de um episódio mais intenso de El Niño entre o fim de 2026 e o início de 2027, operadores, exportadores e produtores deverão manter atenção redobrada à evolução das condições climáticas nas principais origens produtoras.

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Embora o cenário atual não indique prejuízos relevantes para a produção brasileira desta temporada, o mercado continua precificando riscos relacionados às próximas safras, uma vez que o equilíbrio entre oferta e demanda mundial depende diretamente das condições meteorológicas.

Segundo Laleska Moda, analista de inteligência de mercado da Hedgepoint Global Markets, o comportamento do fenômeno varia conforme a região e o período do ano em que atua.

A especialista explica que, no Brasil, a safra 2026/27 deve ser preservada, mas o andamento da colheita e, principalmente, a florada da safra 2027/28 exigirão acompanhamento constante. Já em países da América Central e do Sudeste Asiático, os efeitos do El Niño poderão ser mais intensos, afetando a produção nas duas próximas temporadas.

Diante desse cenário, o clima permanece como um dos principais fatores de formação das expectativas para o mercado global de café, influenciando decisões de comercialização, investimentos e projeções para a oferta mundial nos próximos anos.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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