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Turismo comunitário valoriza sabedoria ancestral e promove bem-estar na Amazônia

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No coração da COP30, em Belém, o painel “Turismo Comunitário: a sabedoria ancestral da Amazônia para produtos de wellness e bem-estar” mostrou como o turismo de base comunitária tem se tornado um agente de transformação social e ambiental. Promovido pelo Ministério do Turismo, o encontro reuniu a coordenadora de Sustentabilidade da Natura, Izabella Gomes, e o pesquisador Luiz Felipe Moura, do Museu de Ciência da Amazônia (MuCA), sob mediação da professora Kássia Suelen da Silva, da EEETEPA.

Izabella abriu a conversa lembrando que o bem-estar das comunidades é o centro de toda a iniciativa. Ela contou que uma das primeiras decisões do grupo foi eliminar o consumo de bebidas alcoólicas nas operações turísticas, já que o álcool ainda é um fator de vulnerabilidade em muitos territórios e poderia gerar distorções nas referências culturais. Para ela, o turismo precisa promover saúde, não vícios, e o cuidado com as comunidades começa pela consciência dos visitantes sobre seus próprios hábitos.

Ao longo dos anos, a equipe aprendeu que a Amazônia tem seu próprio tempo e que esse tempo precisa ser respeitado. O amazônida não vive pelo tempo comercial, explicou Izabella, e é comum que atividades turísticas se ajustem ao ritmo das comunidades. “Às vezes dizemos ‘vamos fazer turismo domingo’, e eles respondem ‘domingo não, é o dia do futebol da comunidade’”, relatou, lembrando que compreender e respeitar essa dinâmica é um dos maiores aprendizados do projeto.

A coordenadora também falou sobre o impacto da chegada dos alimentos industrializados, que vêm mudando os hábitos alimentares locais. Com a entrada de produtos processados e enlatados, as famílias têm deixado de consumir alimentos naturais e cultivados em seus quintais. “Uma alimentação desequilibrada gera doenças, e a doença traz estresse e desequilíbrio”, observou. Por isso, os projetos da Natura buscam fortalecer a alimentação de base vegetal e local, por meio da criação de quintais agroflorestais e de práticas que garantam segurança alimentar e saúde integral. A proposta é que o que os turistas comem durante as imersões seja o mesmo que as comunidades produzem e consomem — uma experiência que une bem-estar integral e respeito ao território.

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A mediadora, professora Kássia Suelen, aproveitou o gancho para refletir sobre as dimensões emocionais do bem-estar. Para ela, o conceito vai além da saúde física e envolve também o equilíbrio emocional e espiritual. Ao entrar em contato com novas pessoas e dinâmicas, as comunidades passam a vivenciar situações de ansiedade e pressão que antes não faziam parte de suas rotinas. Esse processo, explicou, também exige cuidado e acompanhamento.

Izabella contou que a conexão entre alimentação, mente e emoção é essencial nesse trabalho. Quando uma comunidade planta o próprio alimento e vê que aquilo sustenta sua família, ela se sente mais segura e fortalecida. A alimentação saudável, destacou, é também um cuidado com o emocional, um processo de cura que vem da floresta e se manifesta no cotidiano.

A coordenadora da Natura compartilhou ainda os resultados do projeto-piloto nas comunidades Cantaly e Procam, que receberam cerca de 45 visitantes cada. Foi a primeira vez que esses territórios vivenciaram uma experiência turística dessa escala. O roteiro foi preparado com todo cuidado: uma manhã de visita guiada, um almoço comunitário e momentos de imersão com banho de igarapé e o tradicional banho de cheiro — expressão viva da cultura amazônica. Essas comunidades trabalham com essências e perfumes, e uma delas abriga a primeira microindústria de essências da Amazônia. O vídeo exibido na COP30 mostra exatamente essa força da identidade local e o protagonismo das comunidades no processo de desenvolvimento sustentável.

Mais de 60% das pessoas envolvidas nas ações têm entre 18 e 30 anos, e a maioria são mulheres. Izabella explicou que essas comunidades estão próximas às zonas urbanas, o que aumenta o desafio de manter os jovens no território. O turismo, nesse contexto, surge como uma alternativa concreta de renda e pertencimento. Além de gerar oportunidades, o projeto reforça o princípio da autonomia econômica, um dos pilares do turismo de base comunitária. Cada comunidade precificou seus próprios services e recebe integralmente o valor das visitas, fortalecendo a economia local e valorizando as pessoas da floresta.

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Luiz Felipe Moura, do MuCA, ressaltou que o foco do museu sempre foi o bem-estar das comunidades. No início, a preocupação era garantir que as pessoas se sentissem preparadas e confortáveis com a presença dos visitantes. Ele lembrou o papel da organização parceira Viva Lá, responsável por oficinas de precificação, hospitalidade e identidade cultural, que ajudaram os moradores a se reconhecerem como parte essencial da experiência turística. Para ele, o turismo de base comunitária é sobre pertencimento e um caminho de fortalecimento e reconhecimento da identidade amazônica.

No encerramento, a professora Kássia Suelen sintetizou o sentimento comum entre os participantes: o verdadeiro bem-estar da Amazônia não está apenas nos produtos ou nos destinos, mas na forma de se relacionar com a floresta. A sabedoria ancestral, afirmou, é ao mesmo tempo conhecimento, identidade e futuro. O painel foi concluído com a exibição de um vídeo sobre as experiências nas comunidades, seguido de um convite para que o público conheça mais sobre os projetos nas redes do MuCA Amazônia, Mad 4X AMZ e Natura Sustentabilidade.

PROGRAMAÇÃO – O estande do Ministério do Turismo terá uma programação robusta e estratégica ao longo das duas semanas da COP30. No Auditório Carimbó, especialistas nacionais e internacionais participarão de debates de alto nível sobre turismo regenerativo, financiamento climático, justiça ambiental e a valorização de comunidades tradicionais, promovendo reflexões essenciais para o futuro do setor. Além da agenda de painéis, o MTur aproveitará o espaço para lançar produtos fundamentais voltados à adaptação climática do turismo, entre eles a Trilha Amazônia Atlântica, o Mapeamento do Turismo em Comunidades Indígenas, a série “Pelos Rios da Amazônia” e o Plano de Adaptação Climática do Turismo Brasileiro, reforçando o compromisso do Brasil com inovação e sustentabilidade.

Por Cíntia Luna

Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

Fonte: Ministério do Turismo

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Chegadas de turistas internacionais no Ceará aumentam 24%

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A posição geográfica privilegiada e o fortalecimento da conectividade aérea vêm impulsionando o turismo internacional no Ceará. Entre janeiro e agosto de 2026, o estado registrou 86.021 chegadas de turistas estrangeiros, crescimento de 23,6% em relação aos 69.623 visitantes que vieram de outros países no mesmo período do ano passado.

Para o ministro do Turismo, Gustavo Feliciano, o desempenho representa mais recursos circulando na economia e novas oportunidades para os trabalhadores e empreendedores do estado. “Esse crescimento mostra que o Ceará está transformando sua força turística em resultado. São mais estrangeiros ocupando hotéis, consumindo nos restaurantes, contratando passeios e comprando do pequeno empreendedor”, afirma o ministro.

Ele também ressaltou que os números podem ser ainda melhores até o final do ano por conta do início da temporada dos ventos – um dos maiores ativos do estado, que transforma o litoral cearense na capital mundial dos esportes náuticos nesse período.

Com ‘ventos perfeitos’, destinos como Cumbuco, Jericoacoara e Preá atraem velejadores do mundo inteiro para a prática de kitesurf e windsurf.

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“Esse fenômeno natural impulsiona a economia local, lotando a rede hoteleira, movimentando a gastronomia e gerando emprego e renda para as comunidades costeiras”, complementou Feliciano.

A conectividade aérea é um dos fatores decisivos para esse desempenho. Fortaleza vem se consolidando como uma das principais portas de entrada do Nordeste, impulsionada por ligações diretas como a rota Fortaleza-Lisboa. Na alta temporada, a partir de novembro, a operação passará de três para cinco voos semanais, acrescentando milhares de assentos à oferta entre o Ceará e a Europa.

Atualmente, Portugal e França lideram a emissão de turistas estrangeiros para o Ceará, seguidos por Argentina, Itália, Alemanha e Estados Unidos.

Os dados são do Ministério do Turismo, com base em informações da Polícia Federal, e divulgados em parceria com a Embratur.

O crescimento no Ceará acompanha o bom momento do turismo no país. De janeiro a agosto de 2026, o Brasil recebeu 6.451.257 turistas estrangeiros – mesmo patamar do ano passado, que foi recorde.

Apenas em agosto, entraram no país 576.276 visitantes internacionais, o maior número registrado para o mês desde o início da série histórica, em 2009, e mantendo o patamar de 576 mil visitantes registrados no mesmo período do ano passado.

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O país bateu recentemente recorde na movimentação aérea doméstica. De janeiro a julho (último mês divulgado) a Anac contabilizou 59 milhões de passageiros. 

Os gastos de turistas internacionais também atingiram o maior valor da história, segundo o Banco Central. Foram R$ 33,6 bilhões de janeiro a julho (último mês divulgado).

Já o turismo corporativo registrou o maior faturamento da história nos sete primeiros meses de 2026: R$ 8,4 bilhões.

Por Natália Moraes
Assessoria de Comunicação do Ministério do Turismo

 

Fonte: Ministério do Turismo

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