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Pedido de vista adia decisão sobre moratória da soja no STF; especialistas destacam reconhecimento da validade do acordo

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O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu o julgamento que analisava a liminar concedida pelo ministro Flávio Dino, responsável por determinar a suspensão nacional de todos os processos que questionam a validade da Moratória da Soja — tanto na Justiça comum quanto no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

Até o momento, quatro ministros já haviam votado a favor de manter a decisão de Dino, o que paralisa temporariamente as ações relacionadas ao tema. O julgamento, realizado no plenário virtual desde o dia 14, estava previsto para encerrar na próxima terça-feira (25), mas foi interrompido após pedido de vista do ministro Dias Toffoli. Até que o processo volte à pauta, a liminar segue em vigor.

Entenda o que é a Moratória da Soja

A Moratória da Soja é um acordo voluntário firmado entre tradings e empresas do setor de grãos que se comprometem a não comprar soja oriunda de áreas desmatadas na Amazônia após julho de 2008. O pacto é uma das principais iniciativas ambientais do agronegócio brasileiro e tem como objetivo conter o avanço do desmatamento na região.

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O STF analisa uma ação movida pelos partidos PCdoB, PSOL, PV e Rede Sustentabilidade, que pedem a suspensão de uma lei estadual de Mato Grosso. Essa lei proíbe a concessão de benefícios fiscais a empresas que aderiram à Moratória, sob o argumento de que o acordo traria desvantagens competitivas às companhias locais.

Decisões anteriores e contexto jurídico

Em dezembro de 2023, Flávio Dino havia concedido uma liminar suspendendo a lei mato-grossense. Meses depois, em abril de 2024, o ministro reconsiderou parcialmente a decisão, determinando que a norma voltasse a valer apenas a partir de 1º de janeiro de 2026.

Já em 5 de novembro de 2025, Dino ampliou o alcance da medida, determinando a suspensão nacional de todos os processos sobre o tema, inclusive aqueles que apuram possíveis práticas de cartel no Cade. Segundo ele, permitir que as ações prosseguissem em diferentes instâncias poderia gerar decisões conflitantes e comprometer o princípio da segurança jurídica.

Especialista vê reconhecimento da legalidade do acordo

Para o advogado Frederico Favacho, sócio do escritório Santos Neto Advogados — que representa tradings impactadas pelos processos —, a decisão de Flávio Dino é positiva, pois reforça o entendimento de que a Moratória da Soja é legal e válida.

“Esse é o ponto mais importante de toda a controvérsia”, afirma Favacho.

O especialista observa que, embora o ministro tenha reconhecido o direito dos entes federativos de definirem regras sobre benefícios fiscais, ainda existem questões em debate, como a razoabilidade e a forma de aplicação dessas medidas.

“De toda forma, isso vem num momento importante, quando o mundo todo está de olhos voltados para as boas práticas ambientais do agronegócio brasileiro”, conclui o advogado.

Impactos para o agronegócio e o meio ambiente

O impasse jurídico reforça o papel estratégico da Moratória da Soja nas discussões sobre sustentabilidade e imagem internacional do agro brasileiro. Enquanto o STF define um posicionamento definitivo, empresas e entidades do setor acompanham com atenção o desfecho, que pode influenciar políticas ambientais e comerciais no país.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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MMA avança na regulamentação das Áreas de Proteção Ambiental com apoio do GEF Áreas Privadas

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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) avançou no debate sobre a regulamentação das Áreas de Proteção Ambiental (APAs), com o apoio do projeto GEF Áreas Privadas. A iniciativa contribui, de forma participativa, para a construção de diretrizes voltadas à gestão dessa categoria de unidade de conservação.

Como parte desse processo, foi realizada, em março, uma oficina em Brasília (DF), que debateu a consolidação técnica do documento que irá orientar a gestão das APAs em todo o país.

Para o coordenador-geral do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) no Departamento de Áreas Protegidas do MMA, Bernardo Issa, a regulamentação representa um passo fundamental para qualificar a gestão dessas unidades. “As APAs têm uma característica singular: abrangem áreas públicas e privadas, exigindo equilíbrio entre o direito de propriedade e as regras de uso sustentável. Esse é um desafio central, e o apoio do GEF Áreas Privadas tem sido importante para avançar na qualificação da gestão dessas áreas, que cumprem um papel essencial na relação entre sociedade e natureza”, afirmou.

O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires, destacou a importância de uma regulamentação que considere as diferentes realidades territoriais. “Temos grandes APAs distribuídas pelo território nacional, cada uma com suas especificidades. É fundamental contar com uma regulamentação que oriente a gestão no dia a dia, considerando temas como ordenamento territorial, recursos hídricos e controle do desmatamento. Estamos avançando com um documento-base que permitirá ampliar o diálogo com outros entes e com a sociedade, fortalecendo essa categoria de unidade de conservação”, destacou.

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O presidente do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), Mauro Pires, ressaltou a importância de uma regulamentação que considere as diferentes realidades territoriais. “Temos grandes APAs espalhadas no território, cada uma com sua realidade. É fundamental contar com uma regulamentação que ajude a orientar sua gestão no dia a dia, considerando temas como ordenamento territorial, recursos hídricos e controle do desmatamento. Estamos avançando com um documento base que permitirá ampliar o diálogo com outros entes e com a sociedade, fortalecendo essa categoria de unidade de conservação.”

Coordenado pelo Departamento de Áreas Protegidas da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais (SBio/MMA), o processo encontra-se em estágio avançado de consolidação técnica. Ao longo de mais de um ano, foram realizadas entrevistas com gestores e oficinas temáticas, envolvendo ampla articulação com especialistas, sociedade civil e diferentes esferas de governo.

As APAs ocupam cerca de 131,5 milhões de hectares no território nacional, segundo o Cadastro Nacional de Unidades de Conservação (CNUC). A regulamentação é considerada essencial para consolidar diretrizes e orientar a gestão dessas áreas de forma mais efetiva, fortalecendo a governança territorial e promovendo a conciliação entre atividades produtivas, conservação da biodiversidade e ocupação humana.

GEF Áreas Privadas e apoio às políticas públicas

No Cerrado e na Mata Atlântica, as APAs de Pouso Alto e da Bacia do Rio São João exemplificam como o projeto incorpora o valor da conservação em áreas privadas. Nessas unidades, são promovidas ações que conciliam proteção da biodiversidade, desenvolvimento local e geração de renda, além de contribuir para a conectividade de habitats e a proteção de espécies ameaçadas.

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O projeto também atua no fortalecimento de instrumentos de política pública voltados à conservação em áreas privadas, apoiando a qualificação da gestão territorial e o aprimoramento de marcos regulatórios. Nesse contexto, contribui não apenas para a regulamentação das APAs, mas também para a criação e consolidação de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), como estratégias complementares de proteção.

Além disso, o projeto promove a integração de informações estratégicas sobre biodiversidade e uso do solo em ferramentas governamentais, fortalecendo a tomada de decisão e a incorporação do valor da conservação no planejamento territorial. As ações contribuem para ampliar a efetividade das políticas ambientais e impulsionar modelos de desenvolvimento que conciliem produção, conservação e uso sustentável dos recursos naturais.

O Projeto GEF Áreas Privadas – Conservando Biodiversidade em Paisagens Rurais é coordenado tecnicamente pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), financiado pelo Global Environment Facility (GEF) e implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), com gestão financeira do Instituto Internacional para Sustentabilidade (IIS). Na Mata Atlântica, é coexecutado pela Associação Mico-Leão-Dourado (AMLD) e, no Cerrado, pela Fundação Pró-Natureza (Funatura), com o objetivo de fortalecer a conservação da biodiversidade, ampliar o manejo sustentável da paisagem e promover a provisão de serviços ecossistêmicos em áreas privadas no Brasil.

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
[email protected]
(61) 2028-1227/1051
Acesse o Flickr do MMA   

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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