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Com estoques recordes e preços em queda, Federarroz cobra ações urgentes para salvar produtores de arroz no RS

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Federarroz alerta para crise no setor arrozeiro e pede medidas imediatas

A Federação das Associações de Arrozeiros do Rio Grande do Sul (Federarroz) participou, nesta quinta-feira (27), de uma audiência pública híbrida que discutiu a proposta de desoneração da exportação de arroz do pagamento da CDO (Contribuição de Desenvolvimento da Orizicultura), apresentada pelo deputado Felipe Camozzato.

O encontro reuniu entidades representativas, produtores e lideranças do setor, que analisaram o cenário atual da cadeia orizícola, marcado por estoques elevados, preços abaixo do mínimo e dificuldades crescentes de competitividade.

Estoques nacionais podem ultrapassar 2 milhões de toneladas em 2026

Durante a audiência, foram apresentados dados que expõem a gravidade da situação. O Brasil iniciou a colheita de 2025 com cerca de 500 mil toneladas de arroz em casca em estoque, e a projeção é de que, em 2026, esse volume ultrapasse 2 milhões de toneladas. No âmbito do Mercosul, o total pode chegar a 3 milhões de toneladas.

A combinação de estoques recordes, crédito restrito e forte desvalorização do produto tem reduzido drasticamente a renda dos produtores, especialmente na metade sul do Rio Grande do Sul, principal região produtora do país.

Federarroz propõe uso da CDO como subvenção emergencial ao setor

O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, avaliou a audiência como fundamental para preparar o debate e as votações previstas para a próxima semana sobre um novo Projeto de Lei encaminhado pelo governo estadual. O texto prevê a utilização dos recursos da CDO para subvenção ou apoio direto a programas de fortalecimento do setor orizícola.

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“Foi uma audiência muito importante, que serviu como preliminar para a votação da próxima semana. Foi a oportunidade de ouvir as entidades e discutir o melhor uso da taxa CDO. O objetivo é criar mecanismos que permitam algum tipo de subvenção ao setor, algo extremamente necessário neste momento de crise”, afirmou Nunes.

O dirigente destacou ainda a necessidade de ajustes no estatuto do Instituto Rio Grandense do Arroz (Irga), com o objetivo de ampliar sua capacidade técnica e financeira para apoiar produtores e promover pesquisa e extensão rural.

Preço do arroz cai pela metade e pressiona produtores do Sul

A crise de rentabilidade é agravada pela forte desvalorização do arroz no mercado interno. Segundo dados do Cepea, a cotação média atual está em torno de R$ 53,75 por saca, valor muito abaixo do preço mínimo estipulado pela Conab e quase 50% inferior ao registrado há um ano, quando o produto chegou a R$ 108,00 por saca.

Nos últimos anos, o país também registrou uma redução de mais de 30% na área destinada ao cultivo de arroz, o que acentua as preocupações com o futuro da atividade. O Rio Grande do Sul continua sendo o principal polo produtor, responsável por cerca de 70% da produção nacional, mas enfrenta queda na arrecadação estadual, endividamento crescente e retração de empregos.

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Audiência destaca desafios sociais e urgência de políticas estruturais

Além dos aspectos econômicos, os participantes da audiência alertaram para os impactos sociais da crise, como o aumento da inadimplência entre produtores, a perda de competitividade frente ao arroz importado e a redução de postos de trabalho na região sul do Estado.

A fortalecimento das ações do Irga, especialmente nas áreas de pesquisa e assistência técnica, foi apontado como medida essencial para reverter o quadro de insegurança e promover a sustentabilidade da cadeia produtiva.

Próximos passos: votação sobre o Irga e o uso da CDO deve ocorrer na próxima semana

As definições sobre o estatuto do Irga e o uso dos recursos da CDO devem ser debatidas novamente na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul (ALRS) na próxima semana.

A Federarroz reforçou a necessidade de ações urgentes e estruturais para restabelecer o equilíbrio econômico da produção, assegurar renda aos arrozeiros e preservar o protagonismo do Estado na produção nacional de arroz.

“É hora de agir com rapidez e responsabilidade. O arroz é estratégico para a segurança alimentar do país e para a economia do Rio Grande do Sul. Precisamos de políticas efetivas que garantam sua sustentabilidade”, concluiu Nunes.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Santa Catarina conquista 12ª Indicação Geográfica com o alho roxo do Planalto Catarinense

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Santa Catarina ampliou sua lista de produtos com reconhecimento nacional de origem e qualidade. O Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu a 12ª Indicação Geográfica (IG) do estado ao Alho Roxo do Planalto Catarinense, que passa a contar com o selo de Denominação de Origem (DO). A certificação reconhece produtos cujas características estão diretamente ligadas às condições naturais e ao conhecimento tradicional da região onde são produzidos.

A concessão foi publicada na Revista da Propriedade Industrial (RPI) nº 2894, de 23 de junho de 2026, consolidando mais um importante avanço para o agronegócio catarinense e para a valorização dos produtos de identidade regional.

Municípios contemplados pela Denominação de Origem

O reconhecimento abrange os municípios de Caçador, Lebon Régis, Fraiburgo, Monte Carlo, Brunópolis, Curitibanos e Frei Rogério, tradicionais produtores de alho no estado.

Com a nova certificação, o alho roxo produzido na região passa a integrar o grupo de alimentos catarinenses reconhecidos oficialmente por sua qualidade diferenciada e forte vínculo com o território de origem.

Trabalho conjunto garantiu a certificação

A conquista é resultado de uma ampla articulação entre instituições públicas, entidades de pesquisa e produtores rurais.

Participaram do processo a Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape), a Epagri, a Cidasc, o Sebrae, a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a Cooperativa Regional Agropecuária do Meio-Oeste Catarinense (Copar).

A Sape foi responsável pela emissão do documento oficial de delimitação da área geográfica encaminhado ao INPI para análise.

Segundo o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, o reconhecimento fortalece toda a cadeia produtiva do alho catarinense.

A certificação, segundo ele, valoriza um produto que representa a identidade regional, reconhece o trabalho desenvolvido pelas famílias produtororas ao longo das gerações e amplia a competitividade dos produtos catarinenses nos mercados nacional e internacional.

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Clima, solo e tradição garantem características únicas

Os estudos apresentados ao INPI demonstraram que as qualidades do alho roxo produzido no Planalto Catarinense são resultado da combinação entre fatores naturais e o conhecimento acumulado pelos agricultores da região.

Entre os principais diferenciais estão:

  • clima subtropical frio de altitude;
  • elevada amplitude térmica;
  • ocorrência frequente de geadas;
  • fotoperíodo característico das latitudes meridionais;
  • solos originados do basalto.

Essas condições favorecem um desenvolvimento mais lento da cultura e estimulam o acúmulo de compostos responsáveis pela coloração intensa, aroma marcante, pungência e propriedades funcionais do alho.

As pesquisas também comprovaram que os bulbos produzidos na região apresentam coloração roxa mais intensa e maior concentração de compostos voláteis quando comparados aos cultivados em outras regiões brasileiras.

Conhecimento dos produtores reforça identidade do produto

Além das condições naturais, o processo de certificação reconhece o papel fundamental das práticas agrícolas desenvolvidas pelas famílias produtoras.

Ao longo de décadas, os agricultores aperfeiçoaram técnicas de seleção clonal, definição das áreas de cultivo, manejo das lavouras, processos de cura e armazenamento.

O método tradicional de cura utilizado no Planalto Catarinense, por exemplo, contribui para intensificar o aroma característico do alho, reforçando sua identidade e diferenciação no mercado.

Os estudos técnicos também demonstraram que materiais genéticos semelhantes, quando cultivados fora da área delimitada, não reproduzem plenamente as mesmas características de coloração, intensidade aromática, pungência e composição fitoquímica observadas na região.

Estudos científicos sustentaram o pedido ao INPI

A construção do processo teve início em 2021, sob coordenação de pesquisadores e extensionistas da Epagri.

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Durante esse período foram realizados levantamentos ambientais, caracterização da área produtora, estudos científicos e mobilização dos agricultores e instituições parceiras.

O pesquisador Hamilton Justino Vieira, do Centro de Informações de Recursos Ambientais e de Hidrometeorologia (Ciram/Epagri), destaca que o trabalho demonstra como a pesquisa e a extensão rural podem impulsionar o desenvolvimento territorial.

Segundo ele, além de agregar valor ao produto, a Indicação Geográfica fortalece a identidade regional, amplia oportunidades comerciais, aumenta a renda dos agricultores, preserva práticas tradicionais de cultivo e incentiva a permanência das famílias no campo.

Santa Catarina amplia liderança em produtos certificados

Com o reconhecimento do alho roxo do Planalto Catarinense, o Brasil passa a contar com 176 Indicações Geográficas registradas pelo INPI, sendo 44 Denominações de Origem e 132 Indicações de Procedência.

Santa Catarina soma agora 12 produtos certificados:

  • Uva Goethe;
  • Banana de Corupá;
  • Queijo Artesanal Serrano;
  • Vinhos de Altitude;
  • Mel de Melato da Bracatinga;
  • Maçã Fuji de São Joaquim;
  • Erva-Mate do Planalto Norte Catarinense;
  • Linguiça Blumenau;
  • Cachaça e Aguardente de Luiz Alves;
  • Banana de Luiz Alves;
  • Frescal de São Joaquim;
  • Alho Roxo do Planalto Catarinense.

O estado também conta com o Fórum Catarinense de Indicações Geográficas, iniciativa que reúne instituições públicas, universidades, entidades de apoio e associações de produtores para fortalecer, promover e ampliar o reconhecimento das IGs e marcas coletivas catarinenses.

A conquista do alho roxo representa mais um passo na valorização dos produtos de origem, reforçando o papel da inovação, da pesquisa e da tradição como diferenciais competitivos para o agronegócio de Santa Catarina.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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