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Suinocultura debate futuro da cadeia em ano de recordes e margens em recuperação no Brasil

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A suinocultura brasileira encerra 2025 com números inéditos e um ambiente de mercado bem mais favorável do que o observado nos últimos anos — e Mato Grosso entra nessa discussão em momento estratégico. Depois de atravessar um ciclo de margens apertadas, o país deve fechar o ano com 5,42 milhões de toneladas produzidas, avanço de 2,2% sobre 2024, puxado por custos mais baixos, consumo doméstico firme e exportações em expansão.

No Estado, onde o setor ganha força impulsionado pela oferta de milho e soja, a Associação dos Criadores de Suínos de Mato Grosso (Acrismat) realiza nesta terça-feira (02.12), em Cuiabá, o 2º Seminário da Suinocultura de Mato Grosso. O evento que reúne produtores, profissionais, lideranças, instituições e especialistas para debater com uma abordagem ampla e atualizada sobre os desafios e oportunidades do agronegócio, sobretudo na suinocultura, abordando temas como mercado, produção, sustentabilidade, gestão, inovação e também desenvolvimento pessoal.

Apenas no primeiro trimestre de 2025, o Brasil registrou 14,27 milhões de cabeças abatidas, crescimento de 2,5% frente ao mesmo período do ano passado. A renda do produtor também encontrou alívio: a combinação de preços firmes no mercado interno, consumo per capita chegando a 19 kg por habitante e custos mais baixos — principalmente milho e farelo — abriu espaço para recomposição das margens.

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No mercado externo, o desempenho foi decisivo. As vendas brasileiras cresceram em volume e receita, alimentadas pela demanda de destinos como Filipinas, México, Singapura e países da América do Sul. Como contraponto, o cenário global avançou pouco: a produção mundial deve atingir 116,7 milhões de toneladas em 2025, alta tímida de 0,2%, enquanto o comércio internacional recua ligeiramente, de 10,3 para 10,2 milhões de toneladas exportadas.

Em Mato Grosso, o setor passa por fase de consolidação. Com custos de produção em queda no terceiro trimestre, segundo o Imea, e liquidez mais confortável nas granjas, produtores relatam melhora da capacidade de pagamento e retomada de investimentos. A expansão de sistemas integrados e o crescimento de polos como Tapurah reforçam o papel do Centro-Oeste na oferta nacional — ainda longe dos volumes do Sul, mas em trajetória firme de expansão e competitividade.

É esse cenário que orienta o seminário da Acrismat. A programação traz nomes de peso do agronegócio para debater desde o posicionamento estratégico do Brasil no mercado global até pautas de gestão, inovação tecnológica e sucessão rural. A abertura será às 8h15 com a palestra “Condições indispensáveis para a consolidação do Brasil como produtor mundial de carne suína”, conduzida por Everton Luis Krabbe (Embrapa). Às 9h30, Marcos Jank discute “O Agro brasileiro em tempos de tensões geopolíticas”, tema central para uma cadeia que depende cada vez mais de previsibilidade comercial.

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Após painel de debates às 10h45, o seminário retoma às 13h15 com a palestra de Eduardo Shinyashiki, que aborda aspectos de desenvolvimento pessoal. Às 14h30, Leandro Guissoni trata de disrupção e transformação digital no agronegócio, área que tem mudado a rotina das granjas com automação, análise de dados e novas ferramentas de gestão. O encerramento, às 15h45, discute sucessão e transição entre gerações, com participação de jovens produtores e mediação de Roberta Leite, diretora da 333 no Brasil.

O evento reforça a expectativa de que 2026 comece sob bases mais sólidas para o setor. Com custos ainda acomodados, demanda firme e investimentos crescentes em tecnificação, a suinocultura de Mato Grosso tenta consolidar seu espaço dentro de um mercado nacional que vive seu melhor momento histórico.

Serviço
2º Seminário da Suinocultura de Mato Grosso
Data: 2 de dezembro de 2025 (terça-feira)
Local: Cuiabá (MT)
Realização: Acrismat
Público: produtores, técnicos, lideranças e agentes da cadeia produtiva

Fonte: Pensar Agro

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Brasil tem até 28 milhões de hectares prontos para conversão produtiva sem desmatamento

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O Brasil reúne cerca de 28 milhões de hectares de pastagens degradadas com potencial imediato para conversão em áreas agrícolas, volume que pode elevar em até 52% a produção nacional de grãos sem necessidade de abertura de novas áreas. A estimativa consta em análise do Itaú BBA e reforça o país como uma das principais fronteiras globais de expansão sustentável.

Para dimensionar o tamanho dessa área, os 28 milhões de hectares equivalem a aproximadamente 3% do território brasileiro — que soma cerca de 851 milhões de hectares — e a quase um terço de toda a área hoje cultivada com grãos no país, que gira em torno de 80 a 90 milhões de hectares.

Esse potencial está distribuído principalmente nas regiões Centro-Oeste, Norte e partes do Sudeste e Nordeste, onde a pecuária extensiva ocupa grandes áreas. Estados como Mato Grosso, Pará, Goiás, Minas Gerais e Tocantins concentram parte relevante dessas pastagens com algum nível de degradação.

Dados da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária indicam que cerca de 57% das pastagens brasileiras apresentam algum grau de degradação, sendo uma parcela significativa passível de recuperação com tecnologias já disponíveis, como correção de solo, manejo intensivo e integração lavoura-pecuária.

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Do ponto de vista econômico, o aproveitamento dessas áreas pode gerar até R$ 904 bilhões em valorização fundiária, além de ampliar a produção sem pressionar novas fronteiras ambientais — um ponto cada vez mais relevante diante das exigências de mercado.

O principal entrave, no entanto, é financeiro. Segundo a Climate Policy Initiative Brasil, organização que estuda o fluxo de recursos para agricultura e uso da terra, menos de 2% dos recursos de financiamento climático no país são direcionados ao uso da terra, o que limita a escala de recuperação dessas áreas.

A transformação dessas pastagens exigiria investimentos entre R$ 188 bilhões e R$ 482 bilhões, dependendo do nível de degradação e da infraestrutura necessária. Ainda assim, o volume de crédito disponível segue distante da demanda. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária indicam que, dentro do Plano ABC+, apenas R$ 3,5 bilhões foram destinados à recuperação de áreas em 2022.

Para o produtor rural, o movimento representa uma oportunidade concreta de expansão produtiva sem aquisição de novas terras. A recuperação de áreas degradadas permite aumento de produtividade, diversificação da atividade e valorização do patrimônio, além de alinhar a produção às exigências ambientais do mercado.

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Na prática, a conversão dessas áreas tende a ganhar força à medida que surgem novos instrumentos financeiros, como CRA verde, CPR verde e modelos de investimento voltados à agricultura regenerativa. O avanço dessa agenda pode redefinir a expansão do agro brasileiro, com crescimento baseado em eficiência e recuperação, e não em abertura de novas áreas.

Fonte: Pensar Agro

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