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Tensões Geopolíticas e Cenário Fiscal Elevam Incertezas, mas Brasil Mantém Sinais de Resiliência Econômica

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Mercado Global: Geopolítica e Tarifas em Foco

O cenário internacional segue marcado por incertezas. O relatório do Rabobank aponta que o presidente Donald Trump descartou o uso da força na questão da Groenlândia e suspendeu a imposição de tarifas sobre produtos europeus, após sinalizar avanços em um possível acordo comercial.

O banco projeta que o Federal Reserve (Fed) deve manter a taxa de juros americana entre 3,50% e 3,75%, reforçando uma postura cautelosa diante das pressões geopolíticas.

A volatilidade externa tem levado investidores a diversificar seus ativos fora dos Estados Unidos, fortalecendo moedas emergentes e pressionando o dólar globalmente.

Brasil: Arrecadação Federal Tem o Melhor Desempenho Desde 2000

No ambiente doméstico, os dados fiscais seguem positivos. Em dezembro de 2025, a arrecadação federal atingiu R$ 292,8 bilhões, alta real de 7,5% em relação ao ano anterior, segundo a Receita Federal e o Rabobank.

No acumulado de 2025, o total arrecadado chegou a R$ 2,89 trilhões, o melhor resultado desde o ano 2000.

Entre os destaques, o IOF registrou forte crescimento (+20,5%), impulsionado por mudanças na legislação, seguido por IR (+22,7%) e Cofins (+6,1%).

Setor Externo: Déficit em Conta Corrente e Investimentos Diretos em Alta

O relatório mostra que o déficit em transações correntes chegou a US$ 3,4 bilhões em dezembro, resultado melhor que o esperado pelo mercado. No ano, o déficit acumulado foi de US$ 68,8 bilhões (3,0% do PIB).

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O desempenho negativo foi parcialmente compensado pela melhora na balança de serviços e pela elevação do Investimento Direto no País (IDP), que somou US$ 77,7 bilhões em 2025, equivalente a 3,4% do PIB.

Para 2026, o Rabobank projeta déficit menor, de cerca de US$ 64,2 bilhões (2,6% do PIB), impulsionado pela expectativa de melhora nas exportações e fluxo consistente de capital estrangeiro.

Câmbio e Ativos: Real Entre as Moedas Mais Fortes do Mundo Emergente

Mesmo com o ambiente global incerto, o real apresentou um dos melhores desempenhos entre as moedas emergentes, com valorização de 1,6% na semana anterior, encerrando a R$ 5,28 por dólar.

Segundo o Rabobank, a combinação de juros elevados e diversificação de portfólios tem sustentado o interesse internacional por ativos brasileiros.

O banco, no entanto, mantém previsão de R$ 5,60 por dólar no fim de 2026, ponderando que riscos fiscais e políticos ainda podem limitar ganhos adicionais da moeda.

Mercado Financeiro: B3 Rompe Recorde e Juros Mantêm Inclinação

O otimismo dos investidores estrangeiros levou o Ibovespa a superar 179 mil pontos, novo recorde histórico. O movimento reflete a entrada de R$ 12,35 bilhões em capital externo apenas em janeiro, quase metade do total de 2023.

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Enquanto isso, o mercado de juros apresentou movimento de alta nos rendimentos longos, com a curva de DIs refletindo a expectativa de manutenção da Selic em 15% pelo Copom.

Perspectivas para 2026: Inflação, Juros e Crescimento

O Rabobank mantém projeção de inflação (IPCA) em 4,2% para 2026 e crescimento do PIB em torno de 1,6%.

A instituição prevê início de cortes graduais na Selic a partir de abril, com a taxa recuando para 12,5% até o fim do ano, em linha com o processo de desaceleração da atividade e da inflação.

Resumo: Incertezas Globais Não Impedem Avanços Locais

Apesar das tensões geopolíticas e dos desafios fiscais, o Brasil encerra o primeiro mês de 2026 com fundamentos macroeconômicos sólidos.

O equilíbrio entre crescimento moderado, juros altos e câmbio estável cria um ambiente de relativa resiliência para o país frente à instabilidade internacional.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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