Política Nacional

PEC que amplia uso econômico de terras indígenas divide debatedores na CCJ

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A proposta de emenda à Constituição que permite aos indígenas firmar contratos e comercializar livremente sua produção dividiu os debatedores em audiência pública da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) nesta quarta-feira (3). No entanto, a permissão para que os indígenas possam arrendar terras para a produção de terceiros foi refutada por todos os participantes.

A PEC 10/2024 foi apresentada pelo senador Zequinha Marinho (Podemos-PA), com apoio de 26 outros senadores, e tem voto favorável do relator na CCJ, o senador Plínio Valério (PSDB-AM). A proposta também determina que a União ofereça apoio técnico e de fomento às atividades comerciais dessas comunidades. 

O senador Rogério Carvalho (PT-SE), que comandou o debate, lembrou que qualquer atividade econômica em terras indígenas precisa considerar os riscos potenciais.

— Acho que a gente precisa ter muito cuidado, muita cautela, ao estabelecer uma normatização para garantir que as riquezas das terras indígenas estejam à disposição dos povos indígenas. E fazer isso de uma maneira que garanta, desde que seja a vontade desses povos, aquilo que precisa ser preservado dessas culturas, dessas nações. Nós estamos falando de nações que estão aqui há 10 mil, 15 mil anos — afirmou o senador.

O secretário nacional de Direitos Territoriais Indígenas, Marcos Kaingang, afirmou que a PEC viola convenções e tratados internacionais e “traz uma afronta direta à integridade territorial” dos indígenas. Acrescentou que o Poder Executivo busca dar o suporte para os povos indígenas produzirem de maneira autônoma, gerando alimentos e renda, mas sem que terceiros explorem essas terras. Marcos Kaingang disse, ainda, que muitos povos indígenas já produzem de maneira autônoma, mas com limitações, como a dificuldade em acessar financiamentos. Para ele, a PEC 10/2024 “viola integralmente” o art. 231 da Constituição

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O secretário-executivo do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), Luis Ventura Fernández, explicou que esse artigo garante aos indígenas o reconhecimento de sua organização social, costumes, línguas, crenças e tradições, e “os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam”. O mesmo artigo determina que as terras tradicionalmente ocupadas pelos povos indígenas destinam-se à sua posse permanente, “cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes”.

De acordo com Kaingang, os povos indígenas já produzem em seus territórios. Ele defendeu a demarcação definitiva de mais terras indígenas e criticou a previsão de haver arrendamentos e contratos entre povos indígenas e a iniciativa privada.

— Não há outro caminho, no nosso entendimento, senão a rejeição dessa proposta — afirmou Marcos Kaingang.

A ex-deputada Silvia Waiãpi, por sua vez, defendeu a aprovação da PEC e disse que a ideia da proposta partiu de indígenas que querem produzir.

— Hoje nós já temos técnicas modernas, que podem ser garantidas para que indígenas alcancem a sua autonomia e a sua independência financeira, sem com isso precisar, todas as vezes, ter repasse, repasses e mais repasses do governo federal (…). Não tem porque criar obstáculos para que haja a emenda na Constituição garantindo o direito e a autonomia de que indígenas possam se desenvolver economicamente — disse.

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O cacique Felisberto Cupudunepá Filho, de Mato Grosso, também apoiou a aprovação da PEC, mas sem a parte que prevê arrendamento de terras. Para ele, o arrendamento “mantém o indígena no assistencialismo”.

— O que a gente quer realmente é autonomia pra gente definir os rumos dos nossos territórios, os rumos das nossas comunidades, melhorar as nossas condições de vida — disse Cupudunepá.

Na mesma linha, o cacique tukano José Lucas Duarte pediu a aprovação da PEC, mas destacou que os indígenas não querem arrendar suas terras para outros produzirem.

— Nós queremos trabalhar (…). Não queremos arrendar terra nenhuma, queremos celebrar contratos e parcerias e produzir da forma que a gente quer — afirmou.

Também participaram da audiência pública o presidente do Instituto Socioambiental (ISA), Márcio Santilli; e o cacique da Aldeia Amarante (MA), Ubirajara Guajajara. O presidente da CCJ é o senador Otto Alencar (PSD-BA).

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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Política Nacional

Plenário avalia criação de política nacional para alunos com superdotação na quarta

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A criação de uma política nacional para estudantes com superdotação e novas regras para integrantes dos conselhos dos direitos da criança e do adolescente estão na pauta do Plenário desta quarta-feira (13). Os senadores deverão apreciar ainda o plano de carreira para servidores da área de ciência e tecnologia, além da ampliação dos canais de atendimento às mulheres vítimas de violência. O início da sessão está marcado para as 14h.

O PL 1.049/2026 cria a Política Nacional para Estudantes com Altas Habilidades ou Superdotação. Incluindo um cadastro nacional, a ideia é promover a identificação precoce, o atendimento educacional especializado e o desenvolvimento integral desses alunos. O texto, de autoria da deputada Soraya Santos (PL-RJ), também prevê a criação de centros de referência e a formação de profissionais para atuar com esse público. Foram apresentados requerimentos de urgência para votação da proposta, e para tramitação conjunta com o PL 1.487/2026, que trata do mesmo tema.

Criança e adolescente

O PL 385/2024 prevê novas regras para integrantes dos conselhos dos direitos da criança e do adolescente em âmbitos nacional (Conanda), estaduais, distrital e municipais. 

O texto adiciona ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) o rol de deveres fundamentais dos membros dos conselhos, como promover a defesa dos direitos das crianças e adolescentes e prestar contas do exercício da função para reforçar a transparência das ações. Quem descumprir as normas perderá a função por meio de processo administrativo ou por decisão judicial, assegurados a ampla defesa e o contraditório.

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O texto estabelece que cada ente da Federação deverá elaborar lei sobre a perda da função de membro do conselho. O trabalho será considerado de interesse público relevante e não será remunerado. O projeto também determina a divulgação em relatório semestral com informações sobre projetos aprovados, o total de recursos recebidos por projeto e a avaliação dos resultados.

O projeto, de autoria da deputada Laura Carneiro (PSD-RJ), recebeu parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) em março e seguiu para apreciação do Plenário em caráter de urgência.

Ciência e Tecnologia

O PL 3.102/2022, por sua vez, trata do plano de carreiras para a área de ciência e tecnologia da administração federal direta, das autarquias e das fundações federais.

De autoria do Poder Executivo, o texto inclui instituições na lista de órgãos da administração pública federal integrantes da área de C&T. A proposta altera a Lei 8.691, de 1993, que trata do plano de carreiras de C&T na administração federal.

Assim, serão parte da carreira os servidores do Ministério da Saúde, do Instituto Nacional de Cardiologia (INC), do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into) e de seis hospitais federais no Rio de Janeiro (Servidores do Estado, Bonsucesso, Cardoso Fontes, Ipanema, Andaraí e Lagoa).

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Violência contra a mulher

Por fim, o PL 754/2023 obriga a divulgação de serviços de enfrentamento à violência contra a mulher no programa A Voz do Brasil. Pela proposta, o programa deverá reservar um minuto para divulgar serviços destinados à prevenção e ao enfrentamento desse tipo de violência. 

A Voz do Brasil é o programa oficial de informações dos três Poderes e é transmitido de segunda a sexta-feira pelas emissoras de rádio, entre 19h e 22h. O projeto altera o Código Brasileiro de Telecomunicações (Lei 4.117, de 1962), que obriga a retransmissão do programa. Se o projeto for aprovado pelo Plenário e sancionado pelo presidente da República, o minuto destinado à divulgação será incluído no tempo reservado à Câmara dos Deputados. 

De autoria da Deputada Lídice da Mata (PSB-BA), o texto foi aprovado na Comissão de Ciência e Tecnologia (CCT) em abril e seguiu para apreciação do Plenário.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)

Fonte: Agência Senado

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