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FPA reage a veto presidencial e alerta para riscos ao agro com corte na proteção orçamentária de políticas essenciais

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Decisão do governo Lula de retirar salvaguardas do orçamento de 2026 preocupa o setor rural; Frente Parlamentar do Agro articula derrubada do veto para garantir previsibilidade em áreas estratégicas como Seguro Rural, Defesa Agropecuária e Embrapa.

Governo veta proteção orçamentária para políticas agropecuárias estratégicas

Em meio a um cenário de instabilidade no campo, marcado por eventos climáticos extremos, custos elevados e crédito rural mais caro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integralmente a Seção III do Anexo III da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) de 2026, que garantia proteção orçamentária a áreas essenciais como o Seguro Rural, a Defesa Agropecuária e a Embrapa.

A decisão, publicada na Lei nº 15.321, anula dispositivo aprovado pelo Congresso após intensa articulação da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que buscava impedir o contingenciamento de recursos considerados fundamentais para a segurança e a competitividade do agronegócio brasileiro.

Segundo o governo, a manutenção das salvaguardas limitaria a flexibilidade da gestão fiscal, podendo comprometer o cumprimento das metas de resultado primário. Já o setor agropecuário avalia que o veto fragiliza políticas públicas essenciais e aumenta os riscos de produtores rurais diante da crescente imprevisibilidade climática.

FPA critica decisão e promete reação no Congresso

A Frente Parlamentar da Agropecuária reagiu de forma imediata à decisão presidencial. O presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (Republicanos-PR), classificou o veto como “preocupante” e alertou para seus efeitos sobre o planejamento da próxima safra.

“O governo volta a vetar um ponto considerado essencial para a produção agropecuária brasileira. Isso abre margem para novos cortes em recursos do seguro agrícola”, afirmou Lupion.

O parlamentar destacou que, em 2025, o orçamento para o Seguro Rural já havia sido insuficiente, o que ampliou o risco financeiro dos produtores. O setor havia solicitado R$ 4 bilhões, mas apenas R$ 1,06 bilhão foi aprovado, reduzido para R$ 615 milhões após o contingenciamento — pouco mais da metade do necessário.

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Seguro Rural perde espaço e expõe produtores ao risco climático

A preocupação com a queda na cobertura do Seguro Rural é um dos principais pontos levantados pela bancada. O vice-presidente da FPA, deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), lembrou que apenas 8% da área plantada no país foi segurada em 2025, ante 17% em 2021.

“Nós já temos um seguro muito limitado no Brasil. Essa redução traz consequências graves ao setor. Vamos trabalhar pela derrubada do veto e pela criação de uma legislação mais ampla para o seguro rural”, afirmou.

A FPA argumenta que o enfraquecimento da política de subvenção ao prêmio do seguro agrava os impactos de perdas climáticas, afetando diretamente o crédito, a renda e a estabilidade do produtor rural.

Deputados afirmam que veto transfere ônus fiscal ao setor produtivo

Outros parlamentares da FPA também criticaram duramente a decisão. Para Tião Medeiros (PP-PR), o veto “fragiliza o setor produtivo e compromete políticas essenciais para o país”.

“É lamentável a falta de compromisso do governo federal com o agro, um setor que é referência mundial na produção de alimentos”, afirmou.

Já o deputado Sérgio Souza (MDB-PR) destacou que o veto transfere o ajuste fiscal diretamente para o campo:

“O agro não pode ser tratado como variável de ajuste. O governo retira a proteção de despesas essenciais para a segurança alimentar e a competitividade do Brasil. O ajuste fiscal é necessário, mas não pode ser feito às custas do produtor rural.”

Embrapa, Defesa Agropecuária e fiscalização também são afetadas

Além do Seguro Rural, o veto atinge ações da Embrapa, investimentos em pesquisa agropecuária e recursos para Defesa e Vigilância Sanitária Animal e Vegetal.

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Essas áreas são consideradas estratégicas para manter o acesso do Brasil a mercados internacionais e preservar a imagem sanitária da produção nacional.

A FPA alerta que o contingenciamento desses programas pode comprometer o monitoramento de pragas e doenças, além de atrasar o desenvolvimento tecnológico no campo — pilares que sustentam a competitividade do agronegócio brasileiro.

Próximos passos: FPA prepara articulação pela derrubada do veto

Com a sanção da LDO e a publicação do veto presidencial, a decisão final sobre o orçamento do agro em 2026 dependerá agora do Congresso Nacional.

A Frente Parlamentar da Agropecuária já anunciou que irá se mobilizar para derrubar o veto assim que o Legislativo retomar os trabalhos em fevereiro, reforçando que a previsibilidade orçamentária é condição indispensável para a sustentabilidade e a segurança do campo.

“O agro é parte da solução para o equilíbrio fiscal e o crescimento do país — não o problema”, concluiu Sérgio Souza.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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MRS Logística e DP World ampliam solução multimodal e conectam agronegócio do Centro-Oeste ao Porto de Santos

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Logística multimodal ganha força no escoamento do agronegócio brasileiro

A logística ferroviária para transporte de cargas conteinerizadas vem ampliando sua participação no escoamento da produção agrícola no Brasil. A MRS Logística identificou, nos últimos meses, aumento da demanda de produtores do Centro-Oeste por soluções integradas voltadas à exportação via portos.

Nesse cenário, ganha destaque uma parceria estratégica com a DP World, empresa global de soluções logísticas e supply chain, voltada ao transporte de commodities como algodão, feijão, gergelim e açúcar.

Parceria busca reduzir gargalos no Porto de Santos

O principal objetivo da iniciativa é enfrentar os desafios logísticos relacionados ao Porto de Santos, o maior do país. O terminal enfrenta congestionamentos frequentes, o que impacta prazos de embarque e eleva custos para exportadores.

A solução multimodal busca justamente mitigar esses gargalos, integrando diferentes modais e ampliando a eficiência do fluxo logístico.

Integração entre rodovia, ferrovia e porto

O modelo operacional funciona em etapas integradas:

  • Transporte rodoviário das fazendas do Centro-Oeste até terminais parceiros
  • Conteinerização das cargas em unidades localizadas em Suzano, Jundiaí e Paulínia
  • Transporte ferroviário até o Porto de Santos
  • Embarque para exportação internacional
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Esse fluxo garante maior previsibilidade e redução de interferências no processo logístico.

Solução amplia competitividade e reduz custos

Segundo a MRS Logística, a estrutura integrada proporciona ganhos importantes para o agronegócio, incluindo:

  • Redução de custos logísticos
  • Maior escala operacional (até 84 TEUs por viagem)
  • Melhor aproveitamento de infraestrutura portuária
  • Possibilidade de armazenamento nos terminais parceiros
  • Garantia de recebimento no porto

A combinação entre ferrovia e infraestrutura portuária busca aumentar a competitividade das exportações brasileiras no mercado global.

Sustentabilidade e eficiência ganham destaque

Além dos ganhos econômicos, a solução também contribui para a redução da pegada ambiental do transporte de cargas, ao ampliar o uso do modal ferroviário, considerado mais eficiente em termos de emissões por tonelada transportada.

MRS destaca integração como solução do campo ao porto

O gerente comercial da MRS Logística, Marco Dornelas, destaca que a integração entre os modais é um diferencial estratégico para o agronegócio brasileiro.

“Nossa expertise ferroviária, combinada com a infraestrutura portuária de ponta da DP World, permite que os produtores brasileiros alcancem mercados globais de forma mais rápida, econômica e ambientalmente responsável”, afirma.

Solução reforça papel da ferrovia no agronegócio

De acordo com Dornelas, o modelo oferece uma solução completa de transporte, desde a origem no campo até o embarque no navio.

“A solução reforça o papel estratégico da ferrovia no desenvolvimento do agronegócio nacional e atende à necessidade urgente de escoamento de commodities aos portos”, complementa.

Tendência é expansão de soluções integradas no Brasil

A crescente demanda por eficiência logística no agronegócio deve impulsionar novas iniciativas de integração entre modais no país. A combinação entre rodovias, ferrovias e portos tende a se consolidar como alternativa para reduzir gargalos estruturais e ampliar a competitividade das exportações brasileiras no mercado internacional.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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