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Farelo e óleo de soja recuam após altas em novembro; mercado segue pressionado por correção internacional

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Após fortes ganhos, soja e derivados passam por correção global

O mercado de farelo e óleo de soja registrou queda nas cotações nas últimas semanas, acompanhando o movimento de correção observado no cenário internacional.

De acordo com o relatório Agro Mensal, divulgado pela Consultoria Agro do Itaú BBA, os preços desses subprodutos refletiram o mesmo comportamento nas bolsas externas e no mercado interno, após o forte avanço ocorrido em novembro.

Mesmo com oferta limitada durante a entressafra, a pressão vinda da Bolsa de Chicago (CBOT) reduziu o espaço para novas altas no mercado brasileiro.

O Itaú BBA destaca que o movimento é técnico e ajustado à paridade de exportação, em um ambiente de demanda mais moderada e melhor expectativa de oferta global com o avanço da safra sul-americana.

Farelo de soja: preços caem 7,4% em dois meses

Após a expressiva valorização em novembro, o farelo de soja passou por um período de ajuste nas cotações internacionais.

Entre dezembro e a primeira quinzena de janeiro, as quedas acumuladas foram de 5,4% e 2%, respectivamente, levando o preço do produto de US$ 319 por tonelada em novembro para US$ 296/t em janeiro.

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No mercado interno, o comportamento foi distinto: alta em dezembro e recuo de 2,4% em janeiro. Em Rondonópolis (MT), o preço foi negociado a US$ 1.527/t, seguindo a tendência internacional de correção.

Óleo de soja segue a mesma trajetória de queda

O óleo de soja acompanhou o mesmo movimento de correção observado no farelo.

Em Chicago, o produto registrou desvalorização de 1,2% na parcial de janeiro, sendo cotado a US$ 0,49 por libra-peso.

No mercado brasileiro, a tendência também foi de queda: no Mato Grosso, o valor do óleo recuou 1,3%, para R$ 6.150/t.

Mesmo com estoques mais ajustados e exportações expressivas nos meses anteriores, o mercado interno passou a sentir os efeitos das baixas nas bolsas internacionais, que reduziram o potencial de valorização no curto prazo.

Esmagamento maior pressiona o mercado e mantém estoques estáveis

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revisou para cima as projeções de esmagamento de soja nos EUA e no Brasil para a safra 2025/26, o que deve ampliar a oferta global de farelo e óleo.

Com o aumento da produção, a oferta mundial de farelo de soja deve crescer 2%, alcançando 288 milhões de toneladas, enquanto o consumo global avança 4%, para 284 milhões de toneladas. Assim, os estoques finais devem permanecer estáveis, em torno de 19 milhões de toneladas.

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Para o óleo de soja, a previsão é de aumento de 2% na produção mundial, atingindo 71,1 milhões de toneladas, com destaque para as altas nas produções da China (+4%), Brasil (+3%) e Estados Unidos (+2%).

O consumo global deve crescer 3%, chegando a 70,3 milhões de toneladas, impulsionado pela maior demanda de biocombustíveis, enquanto os estoques finais devem cair 5%, para 6 milhões de toneladas.

Acordo Mercosul–UE deve favorecer o farelo brasileiro

O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia tende a ampliar o acesso do farelo de soja brasileiro ao mercado europeu, fortalecendo a competitividade do Brasil frente aos produtores locais.

A expectativa é que a redução de tarifas e barreiras comerciais estimule a industrialização interna, tornando os produtos brasileiros mais atrativos e melhorando o preço médio do farelo no médio prazo.

Contudo, o Itaú BBA ressalta que requisitos ambientais e possíveis cotas de importação podem limitar os ganhos, exigindo adequação regulatória e planejamento estratégico por parte do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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