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Acordo entre União Europeia e Mercosul cria a maior área de livre comércio do mundo e abre novas oportunidades ao agronegócio brasileiro

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Após 25 anos de negociações, o Acordo de Livre Comércio entre o Mercosul e a União Europeia foi finalmente assinado em 17 de janeiro de 2026, criando a maior área comercial do planeta. O pacto, que elimina tarifas em mais de 90% dos produtos, envolve um mercado conjunto de 718 milhões de consumidores e representa quase 20% do PIB global, estimado em US$ 22,4 trilhões.

A União Europeia (UE), segundo principal destino das exportações do agronegócio brasileiro, busca reduzir a dependência da China, responsável por 34% das vendas externas do setor. Em 2025, o bloco europeu respondeu por 15% da receita das exportações agropecuárias do Brasil.

Tarifas serão eliminadas em até 15 anos e ampliam integração entre blocos

O acordo prevê a eliminação gradual das tarifas em um processo de até 15 anos para o Mercosul e 12 anos para a UE. O Mercosul reduzirá tarifas sobre 91% dos produtos europeus, enquanto o bloco europeu zerará tarifas sobre 95% dos bens sul-americanos.

Setores industriais como máquinas, automóveis, químicos e aeronaves terão acesso imediato ao comércio livre de tarifas, o que deve estimular investimentos e aumentar a competitividade bilateral.

Agronegócio ganha espaço, mas produtos sensíveis terão cotas específicas

Para o setor agropecuário, produtos considerados sensíveis na UE — como carne bovina, frango, açúcar, arroz e etanol — terão cotas limitadas com tarifas reduzidas dentro dos volumes acordados. Essas cotas serão ampliadas gradualmente, equilibrando o acesso do Mercosul com a proteção aos produtores europeus.

Em 2025, o Brasil exportou US$ 25 bilhões em produtos agro para a União Europeia, principalmente café, soja, farelo, celulose e suco de laranja, que representaram 69% da receita. Com o novo acordo, 91% das exportações brasileiras ao bloco europeu terão tarifas eliminadas, frente aos 24% anteriores.

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Carnes, café e frutas entre os produtos mais beneficiados

No caso das carnes, o acordo amplia cotas e reduz tarifas:

  • Carne bovina: 99 mil toneladas poderão entrar na UE com tarifa de 7,5%, abaixo dos 12,8% atuais; as carnes da Cota Hilton terão tarifa zerada.
  • Carne de frango: será adicionado um novo contingente de 180 mil toneladas anuais com tarifa zero, compartilhado entre os países do Mercosul.

O setor cafeeiro também será beneficiado, com eliminação total das tarifas em até quatro anos. Atualmente, o café solúvel paga 9% e o torrado e moído 7,5%. A medida deve aumentar a competitividade do Brasil frente ao Vietnã e estimular o consumo europeu.

As frutas terão liberalização mais ampla. Produtos como uvas terão tarifa zerada de imediato, enquanto abacates, limões, melões, maçãs e melancias terão prazos de redução tarifária entre 4 e 10 anos.

UE também ganha com acesso ampliado ao mercado brasileiro

Do lado das importações, a União Europeia respondeu por 20% dos produtos agropecuários importados pelo Brasil em 2025, totalizando US$ 3,9 bilhões. O bloco é o principal fornecedor de azeite de oliva, vinhos e chocolates, que hoje pagam tarifas de até 35%.

Com o novo acordo, essas tarifas serão zeradas, favorecendo o comércio de produtos premium e ampliando o consumo no Mercosul.

Salvaguardas limitam ganhos e protegem produtores europeus

O acordo inclui uma cláusula de salvaguarda agrícola que permite à União Europeia reintroduzir tarifas temporárias caso as importações do Mercosul ultrapassem 5% dos volumes estabelecidos ou causem queda de 5% nos preços internos.

Essa medida busca proteger setores agrícolas vulneráveis, especialmente em países como França e Irlanda, que exerceram forte pressão política para incluir o mecanismo. Para o Mercosul, isso representa um risco de incerteza nas exportações, reforçando a necessidade de diversificação de mercados e agregação de valor.

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Ratificação ainda depende de parlamentos europeus e nacionais

Apesar da assinatura, o acordo ainda precisa ser ratificado pelo Parlamento Europeu e pelos congressos nacionais. No caso brasileiro, o texto será analisado pelo Congresso Nacional. Há possibilidade de o acordo entrar em vigor bilateralmente entre o Brasil e a UE, caso ambos finalizem seus trâmites antes dos demais países do Mercosul.

A aprovação pode enfrentar resistência de setores agrícolas e ambientalistas europeus, preocupados com os impactos ambientais e a competitividade.

Acordo é estratégico, mas exige adaptação ambiental e tecnológica

Especialistas avaliam que o acordo não trará impacto imediato no volume exportado, mas representa um marco estratégico de longo prazo. Ele deve aumentar a previsibilidade, atrair investimentos e fortalecer a posição do Mercosul como fornecedor confiável e sustentável.

Por outro lado, o cumprimento das exigências ambientais da União Europeia, como rastreabilidade, combate ao desmatamento e padrões socioambientais, deve elevar os custos de produção e demandar adaptações tecnológicas no agronegócio regional.

Conclusão: plataforma para o futuro do comércio agropecuário

O Acordo Mercosul–União Europeia marca um novo ciclo de integração econômica. Mais do que um impulso imediato às exportações, ele cria uma base sólida para o reposicionamento competitivo do Mercosul e a diversificação de seus mercados.

O sucesso do pacto dependerá da coordenação entre políticas públicas, investimentos privados e compromissos ambientais, garantindo que o agronegócio regional aproveite plenamente as oportunidades abertas pela nova era comercial.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Meliponicultura ganha força no Rio Grande do Sul e destaca papel das abelhas sem ferrão na produção de alimentos

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A meliponicultura, atividade voltada à criação racional de abelhas sem ferrão, voltou a ganhar destaque em São Paulo das Missões, no Rio Grande do Sul. A iniciativa tem mobilizado estudantes, idosos e técnicos em ações de educação ambiental e conscientização sobre a importância desses insetos para a polinização, a biodiversidade e a sustentabilidade da produção agropecuária.

Nos últimos dias, encontros promovidos no município reuniram diferentes gerações em atividades de capacitação e troca de conhecimentos sobre as espécies nativas de abelhas sem ferrão e sua contribuição para os ecossistemas e para a agricultura.

As ações ocorreram em escolas e comunidades rurais da região. No dia 17 de junho, participaram integrantes do Grupo da Terceira Idade e alunos do 5º ano da Escola Municipal de Ensino Fundamental Cristo, localizada na Linha Lavina. Já no dia 10 de junho, a temática foi debatida com grupos da terceira idade e estudantes da Escola Estadual de Educação Básica Professor Francisco José Damke, na comunidade de Linha Dona Helena Sul.

Abelhas sem ferrão são fundamentais para a polinização

Durante os encontros, o engenheiro agrônomo e supervisor microrregional da Emater/RS-Ascar, Joney Braun, apresentou informações sobre as principais espécies de abelhas sem ferrão encontradas na região, os diferentes tipos de mel produzidos e a relevância desses polinizadores para a manutenção da agrobiodiversidade.

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Segundo o especialista, as abelhas desempenham papel essencial na reprodução de inúmeras espécies vegetais e contribuem diretamente para a produtividade agrícola, favorecendo culturas alimentares e a conservação dos recursos naturais.

Braun também destacou uma importante novidade para os meliponicultores gaúchos. A partir deste ano, a Declaração Anual de Rebanho, coordenada pela Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), passou a incluir o registro das abelhas sem ferrão. O cadastramento é obrigatório para produtores que mantêm criações animais no Estado e deve ser realizado até o dia 30 de junho.

Rio Grande do Sul possui 24 espécies nativas utilizadas na meliponicultura

O Rio Grande do Sul abriga uma rica diversidade de abelhas sem ferrão, com 24 espécies nativas utilizadas na meliponicultura. Entre as mais conhecidas estão:

  • Jataí;
  • Uruçu;
  • Mandaçaia;
  • Guaraipo;
  • Iraí;
  • Borá;
  • Canudo;
  • Manduri;
  • Boca-de-sapo;
  • Irapuã;
  • Mirim-preguiça;
  • Mirim-emerina.

Além da produção de mel diferenciado e de alto valor agregado, essas espécies exercem função estratégica na polinização de plantas nativas e culturas agrícolas, contribuindo para o equilíbrio ambiental e a segurança alimentar.

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Projeto ambiental une gerações em defesa das abelhas

As atividades desenvolvidas em São Paulo das Missões fazem parte de uma parceria entre a Emater/RS-Ascar, grupos da terceira idade e a Federação Estadual dos Clubes da Terceira Idade do Rio Grande do Sul (Fectirgs).

O trabalho integra o projeto ambiental “Um Planeta Melhor para Nossos Netos e Bisnetos”, desenvolvido anualmente pela entidade em diversos municípios gaúchos. Em 2026, o foco das ações está voltado à preservação das abelhas e à conscientização sobre a importância da polinização para a produção de alimentos, a manutenção dos ecossistemas e a qualidade de vida das futuras gerações.

A iniciativa reforça que a proteção das abelhas sem ferrão vai além da conservação ambiental, representando também um investimento estratégico para a agricultura sustentável e para o fortalecimento da biodiversidade no campo.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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