Agro News

Falta de previsibilidade reduz receita de empresas do agronegócio; gestão comercial baseada em dados se torna diferencial competitivo

Publicado

Agronegócio sofre com falta de previsibilidade e integração de dados

O agronegócio brasileiro, responsável por cerca de 29,4% do PIB nacional em 2025, segundo estimativas oficiais, enfrenta um desafio cada vez mais relevante: a baixa previsibilidade de receita em suas operações.

Apesar da adoção crescente de tecnologias e sistemas de gestão, muitas empresas ainda não conseguem transformar dados em decisões estratégicas confiáveis, o que compromete o planejamento financeiro, a eficiência comercial e a sustentabilidade do crescimento.

Essa dificuldade tem origem principalmente na falta de integração entre áreas e informações, o que leva à tomada de decisões com base em estimativas frágeis. O resultado é perda de receita, risco operacional e dificuldade de expansão, mesmo em empresas com bom desempenho técnico e de mercado.

Tecnologia sozinha não resolve: o problema é de governança e processos

De acordo com o relatório, o uso de ferramentas digitais como ERPs e CRMs não é suficiente se a governança de dados e a disciplina operacional não forem bem estruturadas.

Pesquisas de mercado mostram que parte significativa das empresas do agro ainda trabalha com dados conflitantes ou inconsistentes, o que impede a criação de previsões de receita e metas comerciais confiáveis.

Esse cenário exige mudança cultural e organizacional, indo além da simples adoção tecnológica — um ponto que tem se tornado central para a competitividade do agronegócio B2B.

RayQuímica reestrutura área comercial e aumenta faturamento em mais de R$ 1 milhão

Um exemplo prático desse desafio vem da RayQuímica, empresa brasileira dos segmentos de nutrição animal e fertilizantes, que passou por uma profunda reestruturação comercial.

Leia mais:  Exportações de madeira movimentaram R$ 860 milhões com retomada dos EUA

Em apenas 10 meses, a companhia reativou mais de 100 clientes inativos, gerando impacto superior a R$ 1 milhão em faturamento adicional, além de criar sua primeira área comercial estruturada.

Antes da mudança, a RayQuímica enfrentava baixa previsibilidade de receita, alta dependência de representantes externos (que respondiam por cerca de 65% do faturamento) e ausência de especialização nas funções de vendas.

“Nosso time fazia tudo: prospecção, fechamento e pós-venda. Muitos clientes se perdiam no processo, não por falta de esforço, mas pela ausência de uma estratégia estruturada de atendimento”, explicou Thiago Damasceno, fundador e CEO da RayQuímica.

Estratégia de pré-vendas e Matriz RFV geram resultados rápidos

A transformação foi impulsionada pela criação de uma área de pré-vendas especializada e pela aplicação da Matriz RFV (Recência, Frequência e Valor) para análise e priorização da base de clientes.

A metodologia permitiu reativar clientes antigos antes de focar em novas prospecções, gerando resultados mensuráveis em curto prazo:

  • +100 clientes reativados;
  • R$ 1 milhão em faturamento adicional;
  • 104 novas oportunidades comerciais, resultando em 33 vendas efetivas — taxa de conversão de 31,7%;
  • R$ 579 mil em faturamento direto pela nova área de pré-vendas;
  • Crescimento de 32,4% para 38,5% no grupo de clientes estratégicos da carteira.
Previsibilidade comercial é o novo diferencial competitivo no agro

Para Thiago Muniz, CEO da Receita Previsível e professor da FGV, o caso da RayQuímica reflete um padrão comum entre empresas B2B do agronegócio: o desafio de alinhar processos, pessoas e tecnologia para construir previsibilidade.

“Muitas empresas do agro crescem sem estrutura comercial clara e sem indicadores que conectem dados à realidade do caixa. A partir do momento em que a gestão se baseia em dados e governança, o potencial de crescimento muda completamente”, afirma Muniz.

O projeto da RayQuímica se pagou em menos de um ano, com o faturamento adicional cobrindo o custo da consultoria, e a empresa projeta crescimento bruto de R$ 7 a R$ 8 milhões nos próximos dois anos, impulsionado pela consolidação da nova estrutura comercial.

Leia mais:  Síntesis del día - COP15 - 26 de marzo
Tecnologia e inteligência artificial como aliadas da gestão comercial

A RayQuímica também vê a tecnologia como uma ferramenta de apoio aos processos, não como uma solução isolada.

Segundo Damasceno, a empresa planeja implementar inteligência artificial em sua operação comercial e administrativa para otimizar decisões e automatizar tarefas estratégicas.

“A tecnologia deve apoiar processos já bem definidos. O objetivo é usar os dados para decidir, não apenas para coletar informações”, reforça o executivo.

Eficiência e previsibilidade: pilares do crescimento no agronegócio

Em um contexto de margens mais estreitas, custos crescentes e competição acirrada, especialmente no agronegócio B2B, a previsibilidade de receita e a eficiência comercial se tornaram vantagens competitivas essenciais.

Casos como o da RayQuímica demonstram que estrutura, governança e uso inteligente de dados podem gerar resultados expressivos e sustentáveis, fortalecendo a resiliência e a rentabilidade das empresas do setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Reforma Tributária no Agro: por que 2026 marca a virada fiscal no agronegócio brasileiro

Publicado

A reforma tributária deixa de ser uma expectativa futura e passa a redesenhar, na prática, o ambiente de negócios do agronegócio brasileiro. Com a Emenda Constitucional nº 132/2023 e a regulamentação posterior, o setor entra em uma nova fase de maior controle fiscal, digitalização e exigência de formalização, com impactos diretos na operação de produtores, cooperativas e cadeias integradas.

Segundo análise do advogado Renato Ewerton de Melo, sócio da RDS Advogados Associados, 2026 será um ano de adaptação decisivo antes da plena implementação do novo modelo em 2027.

Novo sistema tributário avança e muda rotina das operações no campo

O novo modelo baseado na CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e no IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) já inicia sua fase de transição, exigindo mudanças estruturais na forma como o agronegócio registra e comprova suas operações.

A partir de 1º de janeiro de 2026, os contribuintes passam a ser obrigados a emitir documentos fiscais eletrônicos com destaque individualizado dos novos tributos, além de avançar na eliminação da cumulatividade e no fortalecimento da rastreabilidade das operações.

Na prática, o modelo amplia a fiscalização digital e reduz espaços para informalidade, exigindo maior organização contábil e fiscal em toda a cadeia produtiva.

CNPJ passa a ser peça central na formalização do produtor rural

Um dos pontos mais sensíveis da nova fase é a exigência de inscrição no cadastro com identificação única via CNPJ antes do início das atividades, conforme o artigo 105 do Decreto nº 12.955/2026.

A medida acelera a transição de produtores que ainda operam como pessoa física para estruturas mais formalizadas, impactando diretamente o acesso a crédito, comercialização e integração com grandes compradores.

Leia mais:  Itaú BBA projeta trimestre fraco para Brasilagro, São Martinho e Jalles Machado no setor de açúcar e etanol

Na prática, produtores que não se adequarem podem enfrentar dificuldades para permanecer em cadeias estruturadas, especialmente em relações com cooperativas, tradings e agroindústrias.

Nota fiscal eletrônica ganha protagonismo no controle e na rastreabilidade

O documento fiscal eletrônico passa a ter papel central no novo sistema, conforme o artigo 112 do Decreto nº 12.955/2026.

A nota eletrônica se torna instrumento essencial de controle, auditoria e rastreabilidade das operações, reforçando a integração entre produção, logística e comercialização.

Esse avanço aproxima o agronegócio de padrões já consolidados em setores industriais mais digitalizados, elevando o nível de exigência sobre pequenos e médios produtores.

CNA alerta para barreiras de mercado na cadeia de suprimentos

Em análises recentes, a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil aponta que produtores que não avançarem na formalização podem enfrentar barreiras crescentes de acesso às cadeias de suprimento.

Segundo a entidade, mesmo quando não há imposição legal direta, exigências de conformidade e rastreabilidade tendem a se tornar critérios decisivos para compra e contratação no agronegócio.

2026 será ano de adaptação e testes do novo modelo fiscal

O ano de 2026 funciona como uma fase de transição, com caráter predominantemente informativo na apuração para contribuintes que estiverem em conformidade com as obrigações acessórias.

Nesse período, o foco recai sobre testes de sistemas, revisão de contratos e integração dos processos fiscais às rotinas operacionais do setor.

A partir de janeiro de 2027, o sistema entra em operação plena, com convivência entre modelos durante a fase final de transição.

Leia mais:  Síntesis del día - COP15 - 26 de marzo
Bancos e tradings devem endurecer critérios de conformidade

A tendência é de aumento da exigência de regularidade fiscal por parte de tradings, agroindústrias e instituições financeiras, que devem incorporar a conformidade como critério central de relacionamento comercial.

A regularidade passa a ser determinante para acesso a crédito rural, emissão de CRA e participação em estruturas como Fiagro.

A Receita Federal do Brasil também reforça, em orientações recentes, o avanço para um modelo de fiscalização digital em tempo real, reduzindo tolerância a inconsistências cadastrais e operacionais.

Estrutura produtiva será redefinida pela formalização

Com o novo sistema, a validade dos documentos fiscais passa a depender diretamente da regularidade cadastral do emissor. Inscrições inapta ou suspensas podem comprometer a emissão de notas e impactar toda a cadeia de créditos tributários.

Na avaliação da RDS Advogados Associados, o movimento representa uma mudança estrutural no ambiente de negócios do agro, elevando o nível de profissionalização exigido para permanência no mercado.

Virada fiscal redefine competitividade no agronegócio

A reforma tributária não se limita à reestruturação de tributos, mas estabelece um novo padrão de funcionamento para o agronegócio brasileiro.

Produtores que se adequarem rapidamente ao modelo de formalização e gestão fiscal tendem a ganhar competitividade. Já aqueles que mantiverem estruturas informais podem enfrentar restrições crescentes de mercado a partir de 2027, quando o sistema entra em sua fase plena de operação.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana