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Etanol ganha espaço em terra, ar e mar e se consolida como alternativa global na transição energética

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Etanol avança como combustível estratégico na descarbonização global

O etanol vem se consolidando como uma das principais alternativas na redução das emissões de carbono em diversos setores do transporte mundial. Com o avanço das políticas de descarbonização e o aumento das regulamentações ambientais, governos e grandes empresas têm intensificado investimentos no biocombustível, tanto para uso terrestre quanto para novas aplicações aéreas e marítimas.

A necessidade urgente de mitigar o aquecimento global torna o etanol — produzido a partir de matérias-primas como milho e cana-de-açúcar — uma solução viável e escalável no curto prazo. Além de reduzir as emissões, o produto oferece flexibilidade de uso, seja em misturas com gasolina, seja na geração de combustíveis sustentáveis para aviação e navegação.

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O Brasil e os Estados Unidos continuam sendo os maiores produtores e consumidores de etanol do planeta. No Brasil, o combustível ocupa posição de destaque com políticas que ampliam sua participação na matriz energética. Desde agosto de 2025, o país passou a exigir 30% de etanol anidro na gasolina comum — um dos maiores índices de mistura do mundo, substituindo o percentual anterior de 27,5%.

A mudança visa reduzir a dependência de combustíveis fósseis e ampliar o uso de biocombustíveis sustentáveis. Já nos Estados Unidos, a mistura padrão ainda é o E10, com disponibilidade restrita de E15 e E85 em alguns estados. O Congresso norte-americano analisa uma proposta que permitiria a venda de E15 durante todo o ano, ampliando o acesso ao combustível renovável.

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De acordo com dados da Platts, a nova exigência brasileira poderá redirecionar até 1,2 bilhão de litros de etanol hidratado para o etanol anidro em 2026, o que pode reduzir a oferta do hidratado — usado em veículos flex — e elevar seus preços nas bombas.

Enquanto isso, países europeus ainda limitam a mistura a E5 ou E10, e a Índia adotou o E20 no fim de 2025. O Brasil se destaca por oferecer também o E100, etanol puro, como combustível independente para veículos flex.

Aviação sustentável: tecnologias com etanol ganham força

O setor aéreo desponta como um dos principais campos de inovação para o uso do etanol. O combustível sustentável de aviação (SAF) é considerado uma das poucas alternativas de curto prazo para reduzir as emissões da aviação comercial. Entretanto, o alto custo e a baixa escala de produção ainda são desafios.

Segundo dados da Platts, o SAF custava, em 2023, cerca de US$ 2.286 por tonelada na Europa — mais que o triplo do preço do querosene de aviação convencional (US$ 741 por tonelada).

Empresas como Honeywell, LanzaJet e Praj Industries estão desenvolvendo tecnologias que convertem etanol em combustível sintético de aviação (ETJ). A LanzaJet já opera com sua tecnologia ATJ (álcool para querosene), que transforma etanol sustentável em combustível de aviação de baixo carbono. Essa inovação pode reduzir emissões de gases de efeito estufa em até 95%, além de diminuir a formação de material particulado e enxofre.

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A Honeywell também aposta em uma tecnologia própria de conversão ETJ, voltada para produtores de etanol que buscam diversificação e novas fontes de receita no mercado de aviação sustentável.

No Japão, o governo planeja taxar passagens aéreas para financiar a compra de SAF e estuda uma mistura obrigatória de 10% até 2030, como parte da meta de reduzir pela metade as emissões do setor até 2030.

Transporte marítimo: etanol começa a navegar como combustível verde

No setor naval, o etanol também começa a ganhar espaço como alternativa sustentável. No Brasil, o Porto de Suape (PE) está preparado para fornecer misturas de etanol em combustíveis marítimos, seguindo as normas internacionais da Organização Marítima Internacional (IMO).

Nos Estados Unidos, projetos como o Galveston LNG Bunker Port e a TOTE Services planejam construir uma nova frota de navios de abastecimento movidos a gás natural liquefeito e misturas limpas, com operações previstas para 2029.

Na Europa, a gigante dinamarquesa Maersk, líder mundial no transporte marítimo, estuda ampliar o uso do etanol em substituição ao metanol verde como estratégia de descarbonização da frota global. A companhia acredita que a adoção do biocombustível pode beneficiar diretamente produtores agrícolas do Brasil e dos Estados Unidos, fortalecendo o mercado de exportação e incentivando a produção sustentável.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Corrida global por terras raras leva Senado a discutir estratégia para minerais críticos

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O avanço da disputa internacional por minerais críticos e terras raras mobilizou a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que participou nesta semana de um debate no Senado sobre os caminhos para ampliar a presença do Brasil nas etapas de maior valor agregado da cadeia mineral.

A discussão ocorre em um cenário de crescente competição global por recursos considerados estratégicos para a produção de baterias, veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, inteligência artificial, sistemas de defesa e geração de energia renovável. Nos últimos anos, Estados Unidos, China e União Europeia intensificaram políticas voltadas à segurança das cadeias de suprimentos e à redução da dependência externa desses insumos.

O Brasil aparece nesse cenário como um dos países com maior potencial geológico do mundo. Além de reservas de nióbio, grafita e lítio, o país possui importantes ocorrências de terras raras, grupo de minerais utilizados em equipamentos de alta tecnologia e considerados estratégicos pelas principais economias globais.

Durante audiência pública realizada pela Comissão de Relações Exteriores do Senado, integrantes da FPA defenderam a construção de uma política nacional voltada não apenas à extração mineral, mas também ao processamento industrial e à agregação de valor dentro do país. A avaliação apresentada durante o debate é que o Brasil corre o risco de repetir o modelo histórico de exportação de matéria-prima caso não avance em tecnologia, industrialização e segurança jurídica.

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INTERESSE MUNDIAL – Para o presidente do Instituto do Agronegócio, engenheiro agrônomo Isan Rezende, os minerais críticos e as terras raras deixaram de ser apenas uma questão mineral para se tornarem um tema de soberania econômica.

“O mundo vive uma corrida por recursos essenciais para a produção de baterias, semicondutores, inteligência artificial, sistemas de defesa e transição energética. O Brasil possui algumas das maiores reservas do planeta e precisa decidir se continuará exportando matéria-prima ou se avançará para ocupar posições mais estratégicas nessa cadeia.”

“O que preocupa é que as principais economias do mundo estão adotando políticas cada vez mais agressivas para garantir acesso a esses minerais. Os Estados Unidos ampliam sua pressão por acordos de fornecimento, a China mantém forte controle sobre etapas de processamento e diversos países passaram a restringir exportações para proteger suas próprias indústrias. O Brasil não pode assistir a esse movimento apenas como fornecedor de recursos naturais. É necessário construir uma política nacional que estimule pesquisa, industrialização, inovação e geração de valor dentro do país.”

“A discussão conduzida pela Frente Parlamentar da Agropecuária vai além da mineração. Estamos falando de desenvolvimento regional, atração de investimentos, geração de empregos qualificados e fortalecimento da competitividade brasileira. O país reúne reservas minerais, conhecimento técnico e capacidade produtiva para se tornar um protagonista global nesse mercado. Mas isso exige segurança jurídica, previsibilidade regulatória e uma estratégia de longo prazo que transforme riqueza geológica em riqueza econômica para os brasileiros.”

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Os Estados Unidos ampliaram programas de incentivo à produção doméstica e à diversificação de fornecedores, enquanto a China mantém posição dominante em etapas estratégicas do processamento de terras raras. Outros países produtores também passaram a restringir exportações de matérias-primas para estimular investimentos industriais locais.

No Senado, a discussão abordou ainda o Projeto de Lei 4.443/2025, que cria a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. A proposta busca estabelecer diretrizes para pesquisa, exploração, industrialização e atração de investimentos para o setor.

Entre os pontos destacados pelos participantes estão a necessidade de ampliar o conhecimento geológico do território brasileiro, fortalecer a pesquisa científica, estimular o desenvolvimento tecnológico e criar um ambiente regulatório capaz de atrair investimentos de longo prazo.

Para a FPA, o debate ultrapassa a questão mineral e passa a integrar uma agenda estratégica relacionada à competitividade da economia brasileira, à segurança das cadeias produtivas e ao posicionamento do país em um mercado que deve ganhar relevância crescente nas próximas décadas.

Fonte: Pensar Agro

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