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Orçamento de 2026 manteve o seguro rural, mas agro teme novos cortes

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A sanção do Orçamento de 2026 reacendeu a preocupação da bancada do agro com a previsibilidade das políticas de gestão de risco no campo. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado federal Pedro Lupion, avaliou em nota, que, embora o valor destinado ao seguro rural tenha sido mantido no papel, o programa continua exposto a cortes ao longo do ano.

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, sancionou a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026 com despesas totais estimadas em R$ 6,54 trilhões. Dentro desse montante, R$ 1,017 bilhão foi reservado ao Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural (PSR), principal instrumento de apoio à contratação de apólices pelos produtores.

O ponto de tensão está fora da própria LOA. No fim do ano passado, foi retirado da Lei de Diretrizes Orçamentárias o dispositivo que proibia o bloqueio desses recursos. Na prática, o governo passa a ter margem para contingenciar o seguro rural durante a execução orçamentária — justamente o que o setor tenta evitar há anos.

A avaliação dentro da bancada é de que o valor aprovado pelo Congresso seria suficiente se executado integralmente, mas o histórico recente alimenta desconfiança. Em 2025, estavam previstos R$ 1,06 bilhão para o programa — incluindo cerca de R$ 70 milhões destinados a passivos anteriores —, porém apenas aproximadamente R$ 565 milhões chegaram efetivamente aos produtores após bloqueios ao longo do ano.

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O seguro rural é considerado peça central para a política agrícola porque sustenta o crédito. Sem cobertura, bancos elevam exigências, restringem financiamento ou encarecem juros, especialmente em regiões mais sujeitas a risco climático.

Já o Programa de Garantia da Atividade Agropecuária (Proagro), voltado sobretudo à agricultura familiar, terá R$ 6,61 bilhões em 2026, aumento de 14,4% em relação ao orçamento anterior. Por ser despesa obrigatória, não pode ser contingenciado, mas passa a operar com bloqueio dinâmico: caso o limite seja comprometido, novos enquadramentos podem ser suspensos ao longo do ano.

O orçamento também redesenha o espaço fiscal das áreas ligadas ao campo. O Ministério da Agricultura e Pecuária terá R$ 7,33 bilhões, redução de 10,46% frente ao ano anterior. O Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar contará com R$ 1,65 bilhão (+3,57%), enquanto a Embrapa terá R$ 4,48 bilhões (+1,68%). O Incra ficará com R$ 2,82 bilhões (+3,49%) e a Conab, R$ 1,79 bilhão (-6,6%).

Para equalização de juros do crédito rural, o orçamento prevê mais de R$ 18,4 bilhões em subvenções, sendo R$ 10,1 bilhões destinados ao Pronaf. Há ainda cerca de R$ 802,6 milhões para aquisição de alimentos da agricultura familiar no Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), além de R$ 201,5 milhões da Conab e R$ 102,3 milhões do Ministério da Agricultura para formação de estoques públicos.

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Na leitura de técnicos do setor, o quadro revela uma contradição recorrente: o governo mantém a estrutura de apoio ao crédito e à produção, mas a incerteza sobre a execução do seguro rural reduz a eficácia de toda a política agrícola. Em um ambiente de maior variabilidade climática e custos elevados, a previsibilidade orçamentária do PSR passou a ser tratada pelo mercado como um dos principais indicadores de segurança para o financiamento da safra.

Fonte: Pensar Agro

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AdaptaCidades avança para fase de implementação durante 3º Encontro do Programa Cidades Verdes Resilientes

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O Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) realizou o 2º Encontro Nacional do AdaptaCidades, durante a programação do 3º Encontro do Programa Cidades Verdes Resilientes (PCVR), nos últimos dias 7 e 8 de maio. Gestores e técnicos de unidades da federação estiveram reunidos em um momento estratégico de fortalecimento do federalismo climático no Brasil.

O evento marcou o início de uma nova etapa do AdaptaCidades, voltada à implementação junto aos municípios prioritários apoiados pelo PCVR. A programação reuniu gestores estaduais, equipes técnicas e parceiros institucionais em torno do alinhamento metodológico, governança e operacionalização das próximas etapas da iniciativa.

Os participantes debateram temas como uso de dados na elaboração de planos de adaptação, estratégias de comunicação para o federalismo climático e oportunidades de financiamento — com foco em como transformar demandas locais em projetos estruturados e financiáveis. Atividades práticas trouxeram também a trilha de aprendizagem para elaboração de planos municipais de adaptação à mudança do clima.

“No final do ano passado tivemos o primeiro encontro nacional do AdaptaCidades e agora já estamos no segundo. Isso mostra o quanto conseguimos avançar nessa agenda tão importante, fortalecendo ainda mais a agenda do federalismo climático no Brasil”, destacou Inamara Mélo, diretora do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do MMA.

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O 2º Encontro do AdaptaCidades integrou a programação do 3º Encontro do PCVR, reforçando o papel a integração e complementaridade entre as iniciativas do MMA voltadas ao fortalecimento da adaptação climática, resiliência urbana e governança multinível.

Assessoria Especial de Comunicação Social do MMA
[email protected]
(61) 2028-1227/1051
Acesse o Flickr do MMA

Fonte: Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

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