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Inteligência Artificial ganha destaque na 36ª Reunião Anual do CBNA em São Paulo

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A 36ª Reunião Anual do Colégio Brasileiro de Nutrição Animal vai colocar a Inteligência Artificial (IA) no centro das discussões sobre o futuro da nutrição animal. O encontro acontece de 12 a 14 de maio de 2026, no Distrito Anhembi, e reunirá especialistas nacionais e internacionais para debater como a tecnologia vem transformando o manejo nutricional de aves, suínos e bovinos.

O painel sobre IA será realizado no dia 14 de maio, a partir das 14h, e discutirá a aplicação de algoritmos e análise de dados no aprimoramento da eficiência produtiva e na tomada de decisão no campo.

Painel sobre Inteligência Artificial na nutrição animal destaca aplicação prática

Sob a coordenação do zootecnista Flavio Longo, gerente técnico da Orffa para as Américas e membro da diretoria do CBNA, o painel propõe uma abordagem prática sobre o uso da Inteligência Artificial na nutrição animal.

“O objetivo é apresentar experiências reais, explorar os limites da tecnologia e capacitar os profissionais para utilizar dados de forma mais estratégica nas decisões diárias”, explica Longo.

A abertura do painel trará uma introdução ao tema, destacando o potencial da IA, os desafios de implementação e os impactos esperados sobre a produtividade e o bem-estar animal.

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Especialistas internacionais debatem eficiência e interpretação de dados

A programação contará com a presença de especialistas de empresas globais e da área de ciência de dados.

O médico-veterinário Luiz Victor Carvalho, gerente global de Ciência de Dados e Análises da Alltech, abordará como a IA está sendo usada para otimizar estratégias nutricionais e apoiar decisões técnicas em sistemas produtivos.

Em seguida, o Head de Consultoria Digital e Soluções da DSM, Aaron Cowieson, tratará do uso da tecnologia na interpretação de resultados, especialmente em um contexto de crescente volume de informações geradas por análises laboratoriais e zootécnicas.

Aplicações avançadas em expressão gênica e microbioma animal

O zootecnista Luis Romero, CEO da Biofractal (Portugal), discutirá como a Inteligência Artificial pode ser aplicada na interpretação de análises de expressão gênica, conectando informações moleculares ao desempenho produtivo de frangos de corte sob diferentes condições.

Já a analista de dados da Sapiens, Mariana Nascimento, apresentará exemplos de uso da IA na análise do microbioma, relacionando estratégias nutricionais às respostas de desempenho animal.

O painel será encerrado com uma mesa-redonda reunindo os palestrantes e o público para debater as perspectivas e desafios do uso da tecnologia no campo.

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Encerramento destaca integração entre ciência, inovação e produção

A programação do CBNA será concluída com a premiação dos melhores trabalhos científicos, reforçando a integração entre pesquisa acadêmica, inovação tecnológica e aplicação prática na nutrição animal.

Além da Reunião Anual voltada à nutrição de aves, suínos e bovinos, o evento contará com outras atividades paralelas:

  • IX Workshop sobre Nutrição e Nutrologia de Cães e Gatos – 12 de maio
  • XXV Congresso CBNA Pet – 13 e 14 de maio
Parceria com a Fenagra e participação de grandes marcas do setor

A Reunião Anual ocorrerá de forma simultânea à Fenagra, evento internacional voltado à tecnologia e processamento da agroindústria, que apoia a iniciativa.

Entre os patrocinadores confirmados estão AB Vista, Adimax, Alltech, APC, CBO Laboratório, dsm-firmenich, Evonik, Kemin Nutrisurance, Novus, PremieRpet, Royal Canin, Symrise e o Sindirações.

Empresas interessadas em participar ou patrocinar o evento podem entrar em contato com o CBNA pelo e-mail [email protected] ou via WhatsApp (19) 3232-7518.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Brasil pode unificar rastreabilidade para blindar soja e carne à China e à União Europeia

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A integração dos sistemas utilizados para comprovar a origem da soja e da carne bovina pode reduzir custos, evitar auditorias repetidas e fortalecer o acesso dos produtos brasileiros aos mercados da China e da União Europeia. A proposta consta de um estudo divulgado pelo WRI Brasil, que identificou 21 iniciativas públicas e privadas de rastreabilidade e controle ambiental em funcionamento no País, mas com critérios, bancos de dados e formas de verificação diferentes.

O WRI Brasil não é um órgão público nem representa produtores ou empresas do agronegócio. Trata-se de uma associação privada sem fins lucrativos e de pesquisa ambiental, integrante do World Resources Institute, organização internacional fundada nos Estados Unidos em 1982. A instituição atua em mais de 50 países e desenvolve estudos sobre clima, florestas, cidades, alimentos e uso da terra, em parceria com governos, empresas, universidades e organizações da sociedade civil.

Por isso, o protocolo sugerido pelo instituto não tem força de lei, não substitui a fiscalização brasileira e tampouco cria uma certificação obrigatória. A proposta funciona como uma recomendação técnica para aproximar ferramentas que já existem, mas ainda não conversam adequadamente entre si.

O problema identificado está na fragmentação. Uma plataforma verifica a situação ambiental da propriedade; outra acompanha a movimentação dos animais; uma terceira atende a determinado comprador ou certificação. Também existem diferenças nas datas utilizadas para delimitar o desmatamento, no tratamento dos fornecedores indiretos e nos critérios de bloqueio de propriedades.

Na prática, uma mesma fazenda pode estar regular perante a legislação brasileira e, ainda assim, não atender ao protocolo privado de uma empresa ou à exigência ambiental de determinado mercado. Para o produtor, isso significa fornecer informações semelhantes várias vezes, contratar auditorias diferentes e enfrentar dúvidas sobre qual padrão será aceito no momento da venda.

A proposta ganha relevância pelo tamanho das duas cadeias. O Brasil colheu 180,6 milhões de toneladas de soja na safra 2025/26 e poderá exportar 116,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento. Na pecuária, o País possui o maior rebanho comercial do mundo, produz mais de 11 milhões de toneladas de carne bovina por ano e ocupa a liderança global nas exportações.

A China está no centro dessa discussão. O país asiático comprou R$ 282 bilhões em produtos do agronegócio brasileiro em 2025, considerando o câmbio de R$ 5,10, e respondeu por quase um terço de toda a receita externa do setor. O mercado chinês recebe a maior parte da soja exportada pelo Brasil e aproximadamente metade da carne bovina embarcada pelo País.

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Embora a China ainda não tenha uma legislação equivalente ao regulamento europeu contra o desmatamento, compradores, instituições financeiras e grandes empresas chinesas vêm ampliando as exigências de origem e conformidade ambiental. O estudo sustenta que Brasil e China poderiam construir um referencial comum antes que diferentes compradores estabeleçam critérios próprios e aumentem a burocracia.

Na União Europeia, a pressão já está formalizada. O Regulamento Europeu sobre Produtos Livres de Desmatamento, conhecido pela sigla EUDR, determina que soja, gado, café, cacau, madeira, borracha e óleo de palma, além de produtos derivados, somente poderão entrar no bloco quando houver comprovação de que não foram produzidos em áreas desmatadas depois de 31 de dezembro de 2020.

A regra começará a valer em 30 de dezembro de 2026 para grandes e médias empresas. A maioria das micro e pequenas terá até 30 de junho de 2027. O importador europeu será o responsável legal pela declaração, mas dependerá de informações fornecidas pela cadeia brasileira, como a localização geográfica da propriedade e a documentação necessária para demonstrar a origem do produto.

Esse é um dos pontos de maior atrito com o setor produtivo. O EUDR não considera apenas se o desmatamento foi legal ou ilegal segundo o Código Florestal brasileiro. Mesmo uma supressão de vegetação autorizada pelas autoridades nacionais, se realizada após a data de corte europeia, pode tornar o produto inelegível para aquele mercado.

No caso da soja, a rastreabilidade precisa chegar à propriedade onde o grão foi cultivado. A dificuldade aparece quando cargas de diferentes fazendas são reunidas em armazéns, cooperativas, cerealistas e tradings. A proposta é integrar documentos fiscais, cadastros ambientais, localização das áreas produtoras e registros comerciais, preservando a identificação da origem mesmo depois da mistura física do produto.

Na pecuária, o desafio é maior. Um bovino pode nascer em uma propriedade, passar pela recria em outra e ser terminado em uma terceira antes de chegar ao frigorífico. Atualmente, a indústria consegue fiscalizar com maior facilidade o fornecedor direto, responsável por entregar o animal para abate, mas nem sempre possui visibilidade completa das fazendas anteriores.

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A Guia de Trânsito Animal registra a movimentação dos lotes, enquanto o Sistema Brasileiro de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos permite acompanhar animais individualmente em cadeias que exigem esse controle. A adesão ao sistema individual, entretanto, ainda não alcança todo o rebanho nacional.

O governo iniciou a implantação do Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, com execução prevista até 2032. A recomendação do estudo é que frigoríficos e compradores avancem desde já no controle dos fornecedores indiretos, sem esperar a identificação obrigatória de todos os animais.

A carne brasileira ainda enfrenta outro impasse com a União Europeia, que não deve ser confundido com o EUDR. Além da origem ambiental, o bloco exige garantias sobre o controle de determinados antimicrobianos durante todo o ciclo de vida dos animais. A Comissão Europeia anunciou a retirada do Brasil da lista de países autorizados a fornecer carnes e outros produtos de origem animal a partir de 3 de setembro de 2026, caso não considere suficientes as garantias apresentadas.

O governo brasileiro sustenta que possui um sistema oficial confiável e que somente certificará produtos que cumprirem integralmente as exigências europeias. O ponto de divergência é a cobrança de uma comprovação prévia para medidas implementadas progressivamente ao longo do ciclo produtivo. Na avicultura, esse ciclo pode ser concluído em cerca de 40 dias; na bovinocultura, a formação de animais plenamente elegíveis pode levar dois anos ou mais.

Assim, a carne brasileira enfrenta duas frentes distintas na Europa: a ambiental, relacionada ao desmatamento e à rastreabilidade da propriedade de origem; e a sanitária, ligada ao uso de antimicrobianos durante a vida do animal. A unificação dos sistemas proposta pelo WRI ajudaria principalmente na primeira frente. Para o produtor, o resultado dependerá de como essa integração será implementada, de quem pagará pela adaptação e de sua capacidade de reduzir burocracia, em vez de acrescentar uma nova camada de exigências ao campo.

Fonte: Pensar Agro

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