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Crédito de ICMS ganha força no agronegócio como alternativa de liquidez e gestão financeira

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Produtores rurais começam a ver o crédito de ICMS como ferramenta de gestão

O crédito de ICMS — tradicionalmente visto apenas como uma obrigação fiscal — vem ganhando espaço como instrumento de gestão financeira e de investimento no agronegócio. Segundo dados das Secretarias Estaduais da Fazenda, centenas de milhões de reais em créditos tributários foram utilizados ao longo de 2025 por produtores e empresas rurais para quitar débitos e reorganizar o caixa.

A tendência marca uma mudança cultural no campo, onde o imposto estadual começa a ser percebido como fonte de liquidez e planejamento financeiro, e não apenas como obrigação contábil.

Crédito de ICMS pode reforçar o caixa e ampliar investimentos

Na prática, o crédito de ICMS pode desempenhar dois papéis estratégicos na atividade rural:

  • Reforçar o caixa, ajudando a reduzir passivos e inadimplência;
  • Fomentar o crescimento da produção, com investimentos em insumos, equipamentos e infraestrutura.

Apesar do potencial, o mecanismo ainda é pouco explorado por parte dos produtores. Entre os principais motivos estão a falta de conhecimento técnico, o receio de processos burocráticos e a percepção de que o benefício seria restrito a grandes empresas.

Desconhecimento e falhas fiscais impedem o uso do benefício

Para Jéssica Palin Martins, advogada e especialista em gestão tributária aplicada ao agronegócio, o desconhecimento da legislação é o principal obstáculo.

“O crédito de ICMS é um direito previsto em lei e pode representar fôlego financeiro imediato. Ainda assim, muitos produtores buscam empréstimos antes de verificar valores que já pertencem à própria operação”, explica a especialista, sócia da Palin & Martins Consultoria Tributária.

Estudos de entidades contábeis indicam que mais de 70% das empresas brasileiras têm erros em notas fiscais, principalmente em NCM, CFOP ou no destaque do imposto — falhas que inviabilizam a recuperação dos créditos.

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No setor agropecuário, onde há grande volume de operações e margens sensíveis, essas inconsistências podem representar perda significativa de valores recuperáveis.

Estados liberam créditos acumulados e expõem falta de preparo técnico

A discussão sobre o tema ganhou força após o Governo do Estado de São Paulo anunciar a liberação extraordinária de bilhões de reais em créditos de ICMS acumulados, destinados a empresas com pendências habilitadas.

Segundo Jéssica Palin, o movimento revela um paradoxo:

“Há produtores pressionados por custos e juros altos, enquanto recursos tributários permanecem parados por falta de organização ou assessoria técnica”, pontua.

A especialista ressalta que, embora o crédito represente uma alternativa legítima de liquidez, seu acesso requer organização fiscal e rigor documental.

“Não é um recurso automático. Inconsistências simples podem levar ao indeferimento do pedido ou à suspensão de créditos futuros”, alerta.

Fiscalização digital exige precisão e acompanhamento constante

Com o avanço da fiscalização digital e o cruzamento automático de dados pela Secretaria da Fazenda, o processo de aproveitamento de créditos tornou-se mais técnico e transparente, mas também menos tolerante a erros.

Por isso, a busca por consultoria especializada tem sido apontada como decisiva.

“O risco não está em usar o crédito de ICMS, mas em utilizá-lo sem preparo técnico. A análise fiscal é cruzada em tempo real e não admite improvisos”, destaca Jéssica.

Cinco passos essenciais para transformar o crédito de ICMS em estratégia financeira

Especialistas recomendam que produtores e empresas do agronegócio incorporem o crédito de ICMS à gestão de caixa, e não o tratem como uma ação pontual. Confira os principais cuidados:

  • Revisar o histórico fiscal: é possível recuperar créditos dos últimos cinco anos, mapeando valores ainda não aproveitados.
  • Verificar as notas fiscais: erros em NCM, CFOP e no destaque do imposto são as principais causas de perda do direito ao crédito.
  • Organizar documentos e registros: consistência entre notas, livros contábeis e comprovantes é essencial para evitar bloqueios.
  • Dominar os sistemas oficiais: cada estado possui plataformas específicas — em São Paulo, por exemplo, a habilitação ocorre via portal da Secretaria da Fazenda.
  • Contar com orientação técnica: consultorias especializadas aceleram o processo e ajudam a direcionar o uso correto dos recursos.
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Cenário econômico: crédito tributário ganha importância em meio a juros elevados

O Banco Central do Brasil projeta que 2026 será um ano de moderação econômica, com inflação de 4,2% e taxa Selic em 9,25% ao ano, conforme o Relatório de Inflação (fevereiro/2026).

Com o custo do crédito bancário ainda alto e a demanda por capital de giro crescente, o uso de créditos tributários tende a ganhar relevância como alternativa de liquidez imediata, especialmente no agronegócio, onde margens estreitas e volatilidade de preços exigem gestão financeira eficiente.

Mudança cultural e visão estratégica no campo

Para Jéssica Palin, a mudança mais importante é de mentalidade:

“Crédito de ICMS não é detalhe tributário, é decisão financeira. Quando o produtor entende isso, ele ganha autonomia para escolher entre crescer ou reorganizar o caixa com segurança”, conclui.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Crédito agro mais pressionado deve ampliar debate sobre risco e financiamento no agronegócio em 2026

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O aumento da demanda por financiamento no campo e a maior complexidade na concessão de recursos devem intensificar o debate sobre crédito rural e gestão de risco no agronegócio brasileiro em 2026. O tema será destaque no CONACREDI Road Show 2026, versão itinerante do principal congresso de crédito agro da América Latina.

O evento vai percorrer importantes polos produtivos do país, levando conteúdo técnico e networking para profissionais do setor financeiro em um momento de maior pressão sobre a estrutura de financiamento rural.

Segundo dados do governo federal, o crédito rural contratado na safra 2025/2026 já soma R$ 316,57 bilhões, alta de 6% em relação ao mesmo período da safra anterior.

Edição 2026 foca em revisão da política de crédito

Com o tema “Política de Crédito em Revisão”, a edição de 2026 pretende discutir os desafios enfrentados por instituições financeiras e empresas do agronegócio diante de um cenário mais volátil, marcado por juros elevados e maior exposição ao risco.

A programação inclui três etapas presenciais em cidades estratégicas do agronegócio brasileiro:

  • Cuiabá (10/06)
  • Goiânia (17/06)
  • Londrina (20/08)

Os encontros irão abordar temas como política de crédito, análise de risco, inteligência artificial aplicada ao financiamento rural, garantias e cenário econômico.

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Crédito rural cresce, mas exige maior sofisticação na análise de risco

Desde 2023, o CONACREDI promove os Road Shows com o objetivo de descentralizar o debate sobre financiamento do agronegócio e aproximar especialistas das principais regiões produtoras do país.

Nas edições anteriores, o evento já reuniu mais de 2.304 profissionais, contou com 111 especialistas e promoveu 45 horas de conteúdo técnico, além de 14 horas de networking entre executivos do setor.

O público é formado por diretores, gerentes e analistas de crédito, além de CFOs, controllers, profissionais de risco e compliance, e lideranças de cooperativas, indústrias, revendas e instituições financeiras ligadas ao agro.

Setor precisa avançar na gestão financeira e mitigação de riscos

Para a CEO do CONACREDI, Mayra Delfino, o aumento do volume de crédito no campo exige maior rigor na concessão e análise das operações financeiras.

Segundo ela, o cenário atual é marcado por maior endividamento no campo, juros elevados e volatilidade de mercado, o que exige políticas de crédito mais criteriosas e ferramentas de avaliação de risco mais avançadas.

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A executiva destaca ainda a necessidade de maior profissionalização da gestão financeira no agronegócio, com adoção de práticas estruturadas que aumentem a eficiência na tomada de decisão.

Conexão entre executivos e inovação fortalece o ecossistema de crédito

Além do conteúdo técnico, o Road Show também tem como objetivo fortalecer conexões entre profissionais e instituições que atuam na estrutura de financiamento do agronegócio.

As edições anteriores contribuíram para a formação de parcerias estratégicas e estimularam a adoção de novas tecnologias voltadas à análise de crédito, gestão de risco e eficiência operacional no setor.

Debate sobre crédito será decisivo para o futuro do financiamento rural

A expectativa para 2026 é que os debates do CONACREDI Road Show contribuam para qualificar a tomada de decisão financeira no agronegócio e ampliar o uso de soluções mais sofisticadas de mitigação de risco.

Em um cenário de maior pressão sobre a sustentabilidade financeira da produção rural, o fortalecimento das políticas de crédito tende a ser um dos principais fatores para garantir estabilidade e competitividade ao setor.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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