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Trigo abre sexta-feira em alta na CBOT com clima nos EUA e ajustes de mercado no radar

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Mercados internacionais registram alta nesta sexta-feira

O mercado do trigo iniciou a sessão desta sexta-feira (27/02/2026) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), refletindo preocupações com o clima e ajustes de posições por parte de investidores.

O contrato maio/26 foi cotado a US$ 5,85 por bushel, com avanço de 110 pontos (1,91%), enquanto o março/26 subiu 140 pontos, alcançando US$ 5,85/bu (2,45%). Já o vencimento julho/26 registrou US$ 5,93/bu, valorização de 110 pontos (1,89%).

Segundo analistas, o movimento é impulsionado pela piora da seca nas Planícies Meridionais dos EUA, incluindo o estado do Kansas, região estratégica para a produção de trigo de inverno. A expectativa é de que a escassez de chuva nas lavouras impacte a oferta futura, gerando pressão altista nos contratos.

Ajustes técnicos e recompras fortalecem o mercado

Além do clima, os operadores destacam que o avanço dos preços também está relacionado a ajustes técnicos e recompras de posições vendidas realizadas por fundos e investidores. Esse movimento ocorreu após recentes oscilações, reforçando o início de pregão positivo.

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Na quinta-feira (26/02), o mercado também fechou em alta, com o contrato maio/26 avançando 46 pontos (0,83%) e julho/26 subindo 42 pontos (0,73%), sustentado pelo mesmo cenário de recompras e monitoramento climático.

Panorama global e influência do dólar

O acompanhamento de dados internacionais segue central para o mercado. Os operadores analisam relatórios de exportação dos Estados Unidos e inspeções semanais, além do fluxo de embarques da região do Mar Negro, especialmente da Rússia e de países vizinhos, cujas políticas comerciais impactam diretamente as cotações globais.

O comportamento do dólar também é determinante, pois influencia a competitividade do trigo americano frente a outros fornecedores no mercado global.

Impactos para o Brasil e mercado doméstico

O Brasil, como importador líquido de trigo, acompanha de perto a alta em Chicago, já que movimentos consistentes podem elevar a paridade de importação e afetar os preços internos. O câmbio e a logística continuam sendo fatores decisivos para a competitividade do cereal importado em relação à produção nacional.

Internamente, produtores do Sul e Centro-Oeste monitoram as condições climáticas, fundamentais para o desenvolvimento das lavouras. Estados como Paraná e Rio Grande do Sul dependem do regime de chuvas para manter a produtividade, enquanto moinhos acompanham o ritmo das compras e o efeito das cotações internacionais sobre o mercado físico.

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Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

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Fim da escala 6×1 acende alerta no agro para alta de custos e impacto nos alimentos

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Entidades do agronegócio intensificaram nesta semana a mobilização contra a proposta que altera o modelo de jornada de trabalho no país, incluindo o fim da escala 6×1 e a redução da carga semanal de 44 para 40 horas. O setor avalia que os impactos podem ser superiores à média da economia, com reflexos diretos sobre custos, emprego e preço dos alimentos.

Estimativa preliminar do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) indica que a mudança pode elevar os custos entre 7,8% e 8,6% em atividades como agropecuária, construção e comércio — acima da média nacional de 4,7% sobre a massa de rendimentos.

No campo, o posicionamento mais contundente partiu do Sistema Faep, que reúne a Federação da Agricultura do Estado do Paraná, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Paraná (Senar-PR) e sindicatos rurais. A entidade encaminhou ofício a deputados e senadores solicitando a não aprovação da proposta, sob o argumento de que a medida compromete a eficiência produtiva e a competitividade do setor.

Segundo levantamento do Departamento Técnico e Econômico (DTE) do Sistema Faep, a redução da jornada pode gerar impacto de R$ 4,1 bilhões por ano apenas na agropecuária paranaense. A estimativa considera uma base de 645 mil postos de trabalho e uma massa salarial anual de R$ 24,8 bilhões.

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O estudo também aponta a necessidade de recomposição de 16,6% da força de trabalho para cobrir o chamado “vácuo operacional”, especialmente em atividades contínuas, como produção de proteínas animais e operações industriais ligadas ao agro.

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) também levou o tema à sua Comissão Nacional de Relações do Trabalho e Previdência Social. O debate interno reforçou a necessidade de que eventuais mudanças considerem as especificidades do campo, onde a produção segue ciclos biológicos e climáticos, muitas vezes incompatíveis com jornadas rígidas.

No segmento industrial, a Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) reconheceu a importância da discussão sobre qualidade de vida no trabalho, mas alertou para os efeitos econômicos de alterações abruptas. Em nota, a entidade destacou que pressões de custo ao longo da cadeia produtiva tendem a impactar diretamente o preço final dos alimentos e o acesso da população, sobretudo de menor renda.

Entre os principais pontos de preocupação do setor está a dificuldade operacional de atividades que não podem ser interrompidas. Cadeias como suinocultura, avicultura e produção de etanol exigem funcionamento contínuo, o que demandaria aumento de quadro de funcionários para manter o mesmo nível produtivo.

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Na prática, isso significa elevação de custos e possível perda de competitividade, tanto no mercado interno quanto nas exportações. Há também o risco de repasse desses custos ao consumidor, pressionando os preços dos alimentos.

Outro fator destacado é a sazonalidade da produção agropecuária. Etapas como plantio, colheita e manejo animal dependem de condições climáticas e janelas operacionais específicas, o que limita a aplicação de modelos padronizados de jornada.

A proposta em discussão no Congresso — a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 221/2019 — ainda está em fase de análise, mas tem mobilizado diferentes setores da economia. No caso do agronegócio, a avaliação predominante é de que mudanças estruturais nas relações de trabalho precisam ser acompanhadas de estudos técnicos aprofundados e regras de transição que evitem desequilíbrios na produção.

O setor defende que o debate avance, mas com base em dados e na realidade operacional do campo, para que eventuais ajustes na legislação não comprometam a oferta de alimentos nem a sustentabilidade econômica das atividades rurais.

Fonte: Pensar Agro

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