A 3ª Expedição Fluvial pelo Rio Cuiabá promoveu um encontro com pescadores artesanais do município de Barão de Melgaço, nesta quarta-feira (11), em que reuniu cerca de 200 trabalhadores da pesca na sede da Colônia de Pescadores e Aquicultores Z-5. A reunião foi conduzida pelo deputado estadual Wilson Santos (PSD), que ouviu relatos sobre as dificuldades enfrentadas pela categoria e discutiu propostas relacionadas à preservação do rio e às políticas públicas voltadas aos pescadores.
A Colônia Z-5 representa aproximadamente 800 pescadores artesanais da região e é presidida por Domingos Antônio de Oliveira, conhecido como Capim. Durante o encontro, o presidente destacou que a categoria vive um momento delicado devido à combinação de fatores que afetam diretamente a renda dos trabalhadores. Entre os principais problemas citados estão o atraso no pagamento do seguro-defeso e as restrições impostas pela legislação estadual da pesca. Ele também cobrou da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema) maior agilidade na disponibilização das Declarações de Pesca Individual (DPI), documento obrigatório para o exercício da atividade.
O atraso no pagamento do seguro-defeso foi uma das principais preocupações relatadas pelos pescadores. A pescadora Solange afirmou que muitas famílias dependem exclusivamente da pesca e que a falta do benefício federal tem gerado dificuldades financeiras para os trabalhadores durante o período da piracema. Edmilson Curado também criticou a situação e afirmou que a ausência do pagamento demonstra falta de planejamento do governo federal em relação à categoria.
Outra dúvida levantada durante o encontro foi apresentada pela pescadora Teresa da Silva, que questionou se a participação no programa estadual Repesca pode prejudicar o processo de aposentadoria dos pescadores. Já o pescador Valdileno Xavier cobrou informações sobre o andamento das ações judiciais contra a chamada Lei da Pesca de Mato Grosso, conhecida como “Transporte Zero”, além de comentar sobre a importância das expedições realizadas ao longo do rio.
ADIs – Ao responder aos questionamentos, Wilson Santos explicou que três Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) foram protocoladas no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a legislação estadual que restringe a captura, o transporte e a comercializasção de 12 espécies de peixes. Segundo ele, os processos estão sob relatoria do ministro André Mendonça, mas ainda aguardam manifestação e que a demora na análise das ações prejudica milhares de pescadores que dependem da atividade para sobreviver.
O parlamentar explicou que a proposta de realizar expedições ao longo do Rio Cuiabá surgiu a partir de sugestões feitas pelos próprios pescadores e lideranças ribeirinhas, que pediram maior presença do poder público nas comunidades. A iniciativa tem como objetivo percorrer o rio para ouvir moradores, identificar problemas ambientais e fortalecer o debate sobre políticas públicas para a região.
Os participantes também manifestaram preocupação com questões ambientais. O pescador Antônio Valdemir Amorim, conhecido como Totó, cobrou ações mais firmes de combate ao lixo nas margens do rio, afirmando que, muitas vezes, os próprios pescadores acabam recolhendo resíduos que não foram produzidos pela categoria. Já Hilário Félix de Oliveira defendeu maior rigor na fiscalização ambiental, priorizando grandes infratores antes de penalizar os pescadores artesanais.
Representantes de instituições públicas que fazem parte da comitiva da expedição fluvial também participaram do encontro. O capitão Pedroso, do Batalhão da Polícia Militar Ambiental, afirmou que a corporação continuará atuando para garantir o cumprimento da legislação de forma legal e imparcial. Já o sargento Vítor, da Marinha do Brasil, reforçou a importância do uso do colete salva-vidas nas embarcações, lembrando que o equipamento é fundamental para a segurança dos pescadores e ribeirinhos.
Ao final da reunião, os pescadores presentes participaram de uma votação simbólica sobre serem a favor ou contrário à instalação de novas usinas hidrelétricas no Rio Cuiabá, sendo que dos 198 participantes contabilizados na reunião, 197 se posicionaram contrários à construção de novos empreendimentos no rio.
Expedição – A expedição fluvial segue percorrendo comunidades ribeirinhas e municípios da bacia do Rio Cuiabá com a participação de representantes da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), da Secretaria de Estado de Meio Ambiente de Mato Grosso, da Marinha do Brasil, da Polícia Militar Ambiental, do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Cuiabá e da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, promovendo debates sobre preservação ambiental, desenvolvimento regional e as condições de vida das comunidades que dependem do rio.
A Câmara Setorial Temática da Saúde Psicossocial da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), presidida pelo deputado estadual Carlos Avallone (PSDB), realizou, nesta segunda-feira (27), reunião ordinária para discutir a proposta de fluxo de atendimento às emergências e crises em saúde mental na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), contemplando os públicos adulto e infanto-juvenil.
O objetivo foi avançar na construção de protocolos que orientem o atendimento de pacientes em situação de crise, especialmente nos casos que envolvem urgência e emergência, Unidades de Pronto Atendimento (UPAs), Centro de Atenção Psicossocial (CAPs), unidades hospitalares e demais pontos da rede.
Durante a reunião, foram apresentados dados sobre a estrutura existente e a atuação das UPAs, destacando a necessidade de integração entre os serviços e a importância de protocolos para dar mais segurança aos profissionais e garantir atendimento adequado aos pacientes. Também foram detalhadas informações sobre a oferta de leitos em UPAs 24 horas em Mato Grosso.
Ao todo, o estado conta com 166 leitos de observação e 45 leitos de urgência distribuídos nas unidades. Cuiabá, por exemplo, possui quatro UPAs de porte III, somando 60 leitos de observação e 16 de urgência, enquanto Várzea Grande conta com uma UPA III, no Ipase, e uma UPA I, totalizando 26 leitos de observação e sete de urgência. As informações constam na Portaria nº 0646/2025/SES.
Os participantes destacaram que a quantidade de unidades e leitos ainda é considerada baixa diante da dimensão territorial de Mato Grosso e do tamanho da população atendida, o que reforça a necessidade de ampliar a estrutura e melhorar a organização da rede de atendimento.
Foto: GILBERTO LEITE/SECRETARIA DE COMUNICAÇÃO SOCIAL
Segundo o deputado Carlos Avallone, a Câmara tem acompanhado relatos de ambulâncias circulando com pacientes em crise sem conseguir atendimento imediato. Ele destacou que a intenção não é apontar culpados, mas identificar os problemas e construir soluções com apoio técnico.
“Na realidade, nós estamos falando do fluxo de urgência e emergência. Temos acompanhado muitos casos de ambulâncias rodando com pessoas em crise, sem ter quem receba. Existe lugar para ser recebido, que são as UPAs, mas, às vezes, isso não acontece porque estão lotadas, porque falta qualificação ou porque falta capacitação. Então, nós precisamos criar um fluxo”, afirmou.
Avallone também ressaltou que já existem propostas em andamento pela Prefeitura de Cuiabá e pelo Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), que poderão ser analisadas e validadas pela Câmara Setorial.
O coordenador de Saúde Mental da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), Matheus Ricardo Souza, explicou que a proposta busca organizar o percurso do paciente dentro da rede, considerando os diferentes níveis de atendimento.
“O principal objetivo dessa reunião é articular o percurso desse paciente quando ele estiver em situação de crise e precisar de uma atenção especializada e de uma resposta rápida. A ideia é facilitar a assistência e o acesso à saúde nessas condições, tanto para o público infantil e juvenil quanto para o público adulto”, afirmou.
O parlamentar reforçou que a presença de diferentes instituições na Câmara Setorial fortalece a construção de uma proposta conjunta. “Quando se tem um fluxo aprovado por psicólogos, psiquiatras, Ministério Público, Defensoria Pública, Assembleia Legislativa, Estado e municípios, fica muito mais fácil fazer com que ele seja cumprido”, disse.
Para Avallone, a Câmara Setorial tem o papel de reunir especialistas, apoiar tecnicamente os municípios e viabilizar recursos quando necessário. “Criticar é fácil. O mais difícil é estudar, conhecer o caminho, chamar as pessoas para ajudar e colocar o recurso no lugar certo. É isso que estamos fazendo. A Câmara está aqui para ajudar a saúde mental a atender a população que mais precisa, porque ela está sofrendo muito”, concluiu.
Como encaminhamento, ficou acordada a formação de um grupo técnico para acompanhar a construção de fluxos e protocolos. O trabalho deverá orientar a atuação das unidades envolvidas e melhorar a articulação entre os serviços.
A reunião contou com a participação de representantes da Secretaria de Estado de Saúde (SES), da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), de profissionais de saúde e da equipe técnica da ALMT.
Dasos UPAS 24h em MT: ofertas de leitos
Município | Porte | Leitos de Observação | Leitos de Urgência
Cuiabá | 4 UPAs – Porte III | 60 | 16
Várzea Grande | 1 UPA – III (IPASE) e 1 UPA I | 26 | 7
Poconé | 1 UPA – Porte I | 7 | 2
Barra do Garças | 1 UPA – Porte II | 11 | 3
Juína | 1 UPA I | 7 | 2
Cáceres | 1 UPA – Porte II | 11 | 3
Rondonópolis | 1 UPA III | 15 | 4
Primavera do Leste | 1 UPA II | 11 | 3
Sorriso | 1 UPA | 7 | 2
Sinop | 1 UPA II | 11 | 3
Total de 166 leitos de observação e 45 leitos de urgência (Fonte: Portaria 065/2025/GBSES/MT. Posição de setembro de 2025).
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