Agro News

Embrapa lança batata-doce biofortificada com alta produtividade e resistência

Publicado

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou uma nova cultivar de batata-doce que promete avanços tanto para produtores quanto para consumidores. A BRS Prenda chega ao mercado como um alimento biofortificado, com alta produtividade, resistência a pragas e características que facilitam o cultivo e o armazenamento.

Nova cultivar combina produtividade elevada e qualidade nutricional

A BRS Prenda se destaca pelo alto desempenho produtivo, podendo ultrapassar 2 quilos por planta, índice considerado elevado para hortaliças. Em lavouras bem conduzidas, a produtividade pode chegar a cerca de 50 toneladas por hectare.

Além disso, a cultivar apresenta polpa amarelo-intensa, rica em carotenoides, o que a enquadra como alimento biofortificado — característica valorizada por consumidores que buscam alimentos mais nutritivos.

Resistência a pragas e facilidade no manejo são diferenciais

Outro destaque da nova batata-doce é a resistência a pragas e doenças, o que contribui para reduzir o uso de insumos e melhorar a sustentabilidade da produção.

A arquitetura das plantas também favorece o manejo: as ramas são curtas e eretas, facilitando tanto o cultivo quanto a colheita, diferentemente de outras cultivares que se espalham pelo solo.

Armazenamento prolongado amplia vida útil do produto

A BRS Prenda apresenta boa capacidade de armazenamento pós-colheita, podendo ser conservada por até três meses em condições adequadas. Esse fator ajuda a reduzir perdas e melhora a comercialização do produto.

Cultivar será apresentada na Expoagro Afubra 2026

A nova cultivar será oficialmente apresentada durante a Expoagro Afubra 2026, considerada a maior feira da agricultura familiar do país. O evento ocorre em Rio Pardo (RS), com apresentação prevista para o dia 24 de março, no estande institucional da Embrapa.

Leia mais:  Porto de Paranaguá bate recorde com descarga de 50 mil toneladas de cevada em único navio

Após o lançamento, produtores credenciados receberão mudas para cultivo, com foco na safra 2026/27.

Batata-doce ganha espaço na culinária e no mercado gourmet

Além dos benefícios agronômicos, a BRS Prenda também chama atenção pela aparência. Com casca rosada e polpa amarela intensa, a cultivar amplia as possibilidades de uso na culinária, especialmente em pratos diferenciados.

O formato arredondado e a melhor aparência em relação às variedades comuns também aumentam sua atratividade para o consumidor.

Processo de cura melhora sabor e qualidade

A cultivar possui um período de cura entre 10 e 16 dias, etapa fundamental para intensificar o sabor, aumentar a doçura e melhorar a textura da batata-doce.

Esse processo, realizado após a colheita, também contribui para maior durabilidade do produto durante o armazenamento.

Desenvolvimento envolveu pesquisas no Sul do Brasil

A BRS Prenda foi identificada a partir de seleção local no Sul do Brasil e avaliada nos campos experimentais da Embrapa Clima Temperado, em Pelotas (RS).

Durante oito safras consecutivas, foram analisados aspectos como produtividade, características botânicas, qualidade nutricional e comportamento pós-colheita, além da resistência a pragas e doenças.

O desenvolvimento contou ainda com a participação da Embrapa Hortaliças.

Características agronômicas favorecem produção comercial

A cultivar apresenta plantas compactas, com folhas de cinco lóbulos profundos, conhecidas como formato “pé de galinha”. As raízes têm boa aparência, com baixa incidência de defeitos e alta proporção de batatas de tamanho médio, padrão exigido pelo mercado.

Leia mais:  Ministro Fávaro reforça parceria com Singapura e amplia cooperação comercial e agroambiental

O ciclo de cultivo varia entre 120 e 140 dias, com bom desempenho em diferentes condições de produção.

Produção de batata-doce cresce e fortalece agricultura familiar

A batata-doce é uma cultura amplamente difundida no Brasil, especialmente em pequenas propriedades. Em 2024, o país cultivou cerca de 65,6 mil hectares, com produção de aproximadamente 907 mil toneladas.

O Rio Grande do Sul se destaca como um dos principais produtores, com cerca de 150 mil toneladas anuais, o equivalente a aproximadamente 18% da produção nacional.

A cultura tem papel importante na diversificação agrícola e na segurança econômica de produtores familiares, sendo frequentemente cultivada após outras safras, principalmente entre agosto e dezembro na Região Sul.

Nova cultivar atende demanda por eficiência e qualidade

Combinando produtividade, valor nutricional e facilidade de manejo, a BRS Prenda surge como uma alternativa promissora para o setor.

A expectativa é que a nova cultivar contribua para aumentar a eficiência produtiva, reduzir custos e atender à crescente demanda por alimentos mais saudáveis e de melhor qualidade no mercado brasileiro.

Fonte: Portal do Agronegócio

Fonte: Portal do Agronegócio

Comentários Facebook
publicidade

Agro News

Fracassa acordo no STF e disputa sobre Moratória da Soja volta a julgamento

Publicado

O Supremo Tribunal Federal (STF) encerrou a tentativa de construir um acordo entre produtores rurais, indústria, ambientalistas e Ministério Público sobre a Moratória da Soja. Sem consenso entre as partes, o Núcleo de Solução Consensual de Conflitos (Nusol) devolveu os quatro processos relacionados ao tema aos ministros relatores, abrindo caminho para a retomada do julgamento das ações, ainda sem data definida.

Em despacho assinado nesta sexta-feira (12.06), o juiz auxiliar da Presidência do STF e supervisor do Nusol, Álvaro Ricardo de Souza Cruz, afirmou que as reuniões realizadas entre abril e maio chegaram a criar um ambiente favorável à conciliação, mas houve recuo dos envolvidos, inviabilizando uma solução negociada.

“Durante as tratativas, instaurou-se amplo diálogo entre os envolvidos, tendo-se verificado, em determinado momento, ambiente propício à construção de solução consensual. Contudo, sobreveio recuo das partes, o que impossibilitou a composição”, registra o documento.

Segundo o STF, a tentativa de mediação não buscava discutir a constitucionalidade das leis estaduais questionadas, mas os efeitos práticos decorrentes de uma eventual decisão da Corte. A preocupação é evitar a multiplicação de disputas judiciais em diferentes instâncias após o julgamento das ações.

Leia mais:  Agro Brasil + Sustentável é destaque em painel sobre rastreabilidade na COP30

As tratativas envolveram representantes da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), da Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Aprosoja Brasil), da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), do Ministério Público Federal e dos governos de Mato Grosso, Rondônia e Tocantins, além de partidos políticos autores das ações.

Com o fim da mediação, o Nusol reenviou as Ações Diretas de Inconstitucionalidade (ADIs) 7774, relatada pelo ministro Flávio Dino; 7775, sob relatoria de Dias Toffoli; e 7863 e 7959, ambas sob responsabilidade do ministro Luiz Fux.

As ADIs 7774 e 7775 questionam leis aprovadas em Mato Grosso e Rondônia que retiraram benefícios fiscais de empresas participantes de acordos privados, como a Moratória da Soja.

Criada em 2006, a Moratória da Soja estabelece que empresas signatárias não adquiram grãos produzidos em áreas do bioma Amazônia desmatadas após 2008, ainda que a abertura das áreas tenha ocorrido dentro dos limites previstos pela legislação ambiental.

A disputa ganhou novo capítulo após a entrada em vigor, no início de 2026, da lei de Mato Grosso que impôs restrições às tradings participantes do acordo. A medida contribuiu para o esvaziamento da Moratória, com a saída da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) e das empresas associadas.

Leia mais:  Eficiência reprodutiva começa antes da inseminação e impulsiona produtividade na pecuária de corte

No fim do ano passado, o ministro Flávio Dino determinou a suspensão de todas as ações judiciais e administrativas relacionadas à Moratória da Soja, incluindo processos que pedem indenizações. Em uma dessas ações, produtores rurais de Mato Grosso reivindicam ressarcimento superior a R$ 1 bilhão. O setor também acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), acusando as tradings de formação de cartel.

A tentativa de mediação havia sido anunciada em março, durante o julgamento das ações pelo plenário do STF. Com o fracasso das negociações, caberá agora aos ministros dar prosseguimento à análise do caso.

Fonte: Pensar Agro

Comentários Facebook
Continue lendo

Mais Lidas da Semana